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“Brasil está a repetir a propaganda da Rússia sem olhar para os factos”, diz John Kirby

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca classificou de “profundamente problemáticas” as declarações do Presidente Lula da Silva nos Emiratos Árabes Unidos sobre a guerra na Ucrânia, quando afirmou que os Estados Unidos e a União Europeia estão a contribuir para a guerra.

“É profundamente problemático como o Brasil abordou esta questão de forma substancial e retórica, sugerindo que os Estados Unidos e a Europa de alguma forma não estão interessados na paz ou que compartilhamos a responsabilidade pela guerra”, afirmou John Kirby em declarações por telefone a jornalistas nesta segunda-feira, 17.

Ele sublinhou que “francamente, neste caso, o Brasil está a repetir a propaganda da Rússia sem olhar para os factos” e reiterou que Washington quer o fim do conflito.

“Obviamente queremos que a guerra acabe”, disse Kirby, acrescentando que “isso poderia acontecer agora, hoje, se o senhor Putin parasse de atacar a Ucrânia e retirasse as suas tropas”.

Ainda sobre os comentários de Lula da Silva de que a Ucrânia devia ceder a Crimeia como uma concessão de paz, John Kirby concluiu que “são simplesmente equivocados, especialmente para um país como o Brasil que votou para defender os princípios de soberania e integridade territorial (na ONU)”.

No domingo, 16, o Presidente brasileiro acusou os EUA e a Europa de contribuírem para a guerra.

“O Presidente Putin não toma a iniciativa de parar. Zelenski não toma a iniciativa de parar. A Europa e os Estados Unidos continuam contribuindo para a continuação desta guerra”, disse Lula da Silva.

Brasília refuta acusações da Casa Branca

Depois das afirmações do porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, o ministro das Relações Exteriores do Brasil refutou as críticas de John Kirby.

Num primeiro momento, Mauro Vieira disse desconhecer as afirmações de Kirby e reiterou “só posso dizer que o Brasil e a Rússia completam este ano 195 anos de relações diplomáticas com embaixadores residentes, são dois países que têm uma história em comum”.

Informado pelos jornalistas do teor das afirmações do responsável americano, o chefe da diplomacia brasileiro afirmou discordar.

“Não. De forma alguma eu concordo. De forma alguma. Não sei como ou por que ele chegou a essa conclusão. Mas não concordo de forma alguma”, afirmou Vieira, que antes recebeu em Brasilia o seu homólogo russo, Sergey Lavrov.

“Não entramos em questão de guerra, entramos em questão de paz. O Brasil quer promover a paz, está pronto para discutir com um grupo de países, arregimentar um grupo de países e se unir a um grupo de países que estejam dispostos a conversar sobre a paz”, disse Vieira, quando questionado sobre a conversa entre os dois chefes das diplomacias.

Lavrov diz que Brasília e Moscovo têm visões similares sobre a guerra

“Essa foi a conversa que nós tivemos. Foram os temas que abordamos, e ele se ofereceu, e eu me ofereci, em nome do Brasil, para promover essas conversas. Com o Presidente também, não se falou de guerra, e o Presidente só reiterou o que ele tem dito: que o Brasil está disposto a cooperar com a paz”, respondeu.

Na conferência de imprensa conjunta, Lavrov agradeceu a Mauro pela “compreensão da génese da situação na Ucrânia” e sublinhou que Brasília e Moscovo têm visões “similares” sobre a guerra.

Lavrov acrescentou que a Rússia tem “interesse” no fim do conflito, mas que qualquer negociação de paz na Ucrânia deve reconhecer as “realidades” da anexação unilateral de quatro províncias ucranianas pela Rússia.

No seu encontro com o Presidente brasileiro, o ministro das Relações Exteriores da Rússia entregou uma carta em que Vladimir Putin convidou Lula da Silva para o Fórum Económico de São Petersburgo”.