Angola
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Cimeira Rússia-África: Riscos da ausência de João Lourenço

A ausência do Presidente angolano da Cimeira Rússia-África que iniciou em São Petersburgo está a ser interpretada por fazedores de opinião angolanos, ouvidos pela Voz da América, como um sinal indicativo do “abandono de um velho aliado”.

O Presidente russo, Vladimir Putin, recebeu hoje chefes de Estado e de Governo africanos presentes e anunciou que Moscovo poderá enviar nos próximos quatro meses entre 25.000 e 50.000 toneladas de cereais ao Mali, Somália, Burkina Faso, Zimbabué, Eritreia e República Centro-Africana, de forma gratuita.

João Lourenço, esteve na primeira cimeira do género que teve lugar em Sochi, em 2019, mas desta vez decidiu enviar uma delegação ministerial chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Tete António, acompanhado do ministro do Planeamento, Mário Caetano João.

Para o jornalista Jorge Eurico, a ausência de Lourenço “significa que Angola está a ter um papel dúbio na relação com a Rússia”.

“Pressupõe dizer que, depois de durante algum tempo piscar à esquerda, a governação angolana está a dar uma guinada para a direita, logo que a guerra entre a Rússia e Ucrânia atingiu o seu apogeu”, considera Eurico advertindo que a postura de Luanda pode ser prejudicial para os acordos que existem entre Angola e a Rússia.

O advogado e analista político Pedro Capracata diz que ao decidir não ir à Rússia o Presidente angolano quis transmitir uma mensagem de desaprovação da invasão à Ucrânia, mas admite que Moscovo “vai registar a ausência como algo negativo”.

O encontro de São Petersburgo decorre sob o lema “Pela Paz, Segurança e Desenvolvimento” numa altura em que muitos países africanos se mostram preocupados com o facto de o Governo russo ter unilateralmente abandonado o acordo que permite a exportação de toneladas de cereais ucranianos.

Esta é a segunda Cimeira Rússia-África e, contrariamente à anterior, o número de chefes de Estado presentes diminuiu de 43 , para 17, o que para o Kremlin resulta uma “pressão ocidental grosseira para desencorajar a participação das nações africanas”.