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França e Barbados organizam cimeira para um Novo Pacto Financeiro Global

O presidente francês Emmanuel Macron e a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, organizam na quinta-feira desta semana, em Paris, uma cimeira para um Novo Pacto Financeiro Global com o objetivo de rever a arquitetura financeira internacional assente nas instituições de Bretton Woods ( FMI e o Banco Mundial). Líderes e formuladores de políticas mundiais, incluindo o primeiro-ministro chinês Li Qiang, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, devem comparecer.

A Cimeira visa mudar a maneira como as instituições multilaterais trabalham para melhor apoiar as nações pobres e enfrentar ameaças como mudanças climáticas e futuras pandemias.

Ela abordará questões que vão desde a reforma dos bancos internacionais de desenvolvimento até o financiamento de infraestrutura verde e a mobilização de capital para países vulneráveis a padrões climáticos extremos.

A reunião ocorre num momento precário para muitas nações do chamado Sul Global, que estão a braços com dividas excessivas que condicionam o seu crescimento, deixando as populações na pobreza e impedindo os seus esforços para se protegerem das mudanças climáticas.

Para a França, a Cimeira também é uma forma de demonstrar que os países do G-7 estão comprometidos em apoiar nações pobres que podem se sentir marginalizadas ou deixadas para trás por aliados ricos que mudaram de foco e despejaram vastos recursos na Ucrânia nos últimos dois anos.

Funcionários em Paris dizem esperar que a Cimeira possa levar a uma reformulação das instituições de Bretton Woods para refletir as atuais prioridades políticas do mundo. O desafio é fornecer financiamento substancial para facilitar a transição verde sem tirar o foco do combate à pobreza.

Embora não se espere que a Cimeira produza nenhuma decisão importante, ela é vista como um marco no caminho para alcançar o progresso em várias questões importantes, incluindo o alívio da dívida, que dominará as próximas reuniões internacionais, e relançar o diálogo a nível global, que ultimamente tem sofrido por causa das tensões geopolíticas mundiais.

Crucialmente, será uma rara ocasião em que os chefes das principais nações credoras ricas, desde os participantes do Clube de Paris até a China ou a Arábia Saudita, se juntarão a seus pares de países em desenvolvimento – assim como os chefes do Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Atendimento Global

As questões da agenda são particularmente importantes para os EUA, que têm liderado pedidos de reforma de instituições multilaterais de desenvolvimento, como o Banco Mundial, para enfrentar os desafios globais e acelerar o fluxo de capital privado para economias pobres e emergentes para financiamento e desenvolvimento climático.

A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, que participará da reunião em Paris, pediu uma ação rápida para fornecer alívio da dívida a nações como Zâmbia e Sri Lanka – cujos presidentes também estarão presentes.

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, também deve participar das discussões, marcando a primeira vez em meses que um alto dirigente chinês participa de negociações multilaterais sobre essas questões ao lado dos EUA.

No entanto, mesmo que a maioria dos líderes concorde que as instituições de Breton Woods estão maduras para uma reformulação que reflita a realidade atual, concordar sobre o que isso implicará pode ser contencioso e demorado, e o contínuo endividamento e os riscos climáticos podem significar uma estagnação económica mais profunda para grandes áreas do globo.

Mais capital

Mais da metade dos países em desenvolvimento estão em alto risco de sobre-endividamento ou já estão nele, e vários entraram em incumprimento. Mas, apesar do Grupo dos 20 ter concordado em 2020 com um plano chamado Estrutura Comum para ajudar os países a reestruturar dívidas com muitos credores sob os mesmos termos, nenhuma nação recebeu alívio substancial até agora.

Enquanto isso, o Banco Mundial alertou que a necessidade de financiamento dos países em desenvolvimento para diminuir a dependência de combustíveis fósseis aumentará na próxima década. No entanto, muitas dessas nações estão presas na “armadilha da pobreza”, incapazes de arcar com os altos custos iniciais da mudança para energia limpa e, portanto, presas a custos mais altos e pagamentos recorrentes de combustíveis fósseis.