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Lula diz que Brasil e China podem mudar governança mundial juntos

O Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva defendeu laços mais fortes com Pequim para reorientar a ordem geopolítica global, possivelmente impulsionando os planos chineses para combater décadas de preeminência dos EUA nos assuntos mundiais.

“Os nossos interesses na relação com a China não são apenas comerciais”, disse Lula durante o encontro com Zhao Leji, presidente do comitê permanente da Assembleia Popular Nacional da China, em Pequim na sexta-feira. “Temos interesses políticos e temos interesse em construir uma nova ordem geopolítica para que possamos mudar a governança mundial, dando mais representatividade às Nações Unidas.”

A viagem do líder brasileiro à China foi amplamente apresentada como uma oportunidade para estreitar os laços econômicos e comerciais entre as duas nações. A guerra da Rússia na Ucrânia, enquanto isso, foi um dos principais tópicos da reunião bilateral de sexta-feira entre Lula e o presidente chinês Xi Jinping, já que ambos os líderes buscam maiores papéis diplomáticos nos esforços para restaurar a paz.

Mas o momento da visita, que ocorreu apenas dois meses após uma viagem semelhante a Washington, refletiu a importância de ambas as nações para o Brasil e a corda bamba estratégica que Lula e outros líderes foram forçados a andar enquanto as duas superpotências disputam a influência na América latina e no mundo.

Lula há muito que favorece uma abordagem multilateral dos assuntos globais, de acordo com a política externa tradicional do Brasil. Ele passou os primeiros meses de sua presidência buscando estreitar as relações com os EUA e a China, deixando claro que o Brasil não será forçado a escolher um lado.

Em Pequim, assim como em Washington, o líder esquerdista buscou apoio para reformas que pudessem dar ao Brasil e ao mundo em desenvolvimento mais influência em questões globais que a China e os Estados Unidos passaram a dominar cada vez mais. Ele pressionou a China a apoiar o desejo do Brasil de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e na sexta-feira disse que reformas mais profundas nas Nações Unidas são necessárias.

“As Nações Unidas devem ter força para coordenar o equilíbrio que o mundo precisa para que as pessoas vivam em paz”, afirmou.

A China “reconheceu a necessidade de reformar” a ONU e o Conselho de Segurança para torná-los “mais representativos e democráticos”, segundo um resumo conjunto da viagem divulgado pelos dois países. O governo Biden sinalizou em fevereiro o seu apoio às reformas que dariam à América Latina e à África cargos permanentes no Conselho de Segurança, posição que o Brasil busca há mais de uma década.

O Brasil assinou uma série de novos acordos econômicos com a China, seu maior parceiro comercial, durante a viagem, incluindo pactos sobre comércio agrícola, aviação e investimentos. Isso se somou a uma lista de conquistas comerciais acumulada no mês passado, quando uma delegação de mais de 100 empresários brasileiros viajou à China como parte da visita originalmente agendada de Lula, que foi adiada por causa de um caso leve de pneumonia.