Angola
This article was added by the user . TheWorldNews is not responsible for the content of the platform.

O Conselho Executivo do FMI concluiu a consulta do Artigo IV com o Brasil com nota positiva.

O Conselho Executivo do FMI concluiu esta semana o exame da economia do Brasil sob o Artigo IV. Nos termos do Artigo IV dos Estatutos do FMI, o FMI realiza discussões bilaterais com os membros, geralmente todos os anos para avaliar a situação económica e as reformas em curso. Uma equipe de funcionários visita o país, coleta informações económicas e financeiras e discute com as autoridades os desenvolvimentos económicos e as políticas do país. No retorno à sede, a equipe elabora um relatório, que serve de base para a discussão do Conselho Executivo.

De acordo com o relatório, nos primeiros meses de 2023 o crescimento foi sustentado por uma produção agrícola muito forte, enquanto a manufatura e os serviços foram moderados. O abrandamento do consumo privado e a queda do investimento apontam para uma maior moderação do crescimento no resto do ano. A inflação nominal diminuiu rapidamente em relação ao pico do ano passado, mas o núcleo da inflação permanece elevado e as expectativas de inflação estão acima da meta. O aperto nas condições financeiras foi parcialmente compensado por uma ampliação estrutural do crédito em alguns setores.

O crescimento é projetado para moderar de 2,9% em 2022 para 2,1% em 2023 e, em seguida, atingir a taxa potencial estimada da equipe no médio prazo. A inflação nominal deve atingir 5,4% até o final de 2023 e convergir para a meta em meados de 2025, enquanto a inflação básica deve cair mais gradualmente. Espera-se que a conta corrente caia para cerca de 2,3% do PIB este ano e permaneça estável no médio prazo.

Na frente externa, os riscos negativos incluem uma desaceleração global abrupta, um aperto acentuado das condições financeiras globais e volatilidade dos preços das comodities. No âmbito doméstico, os riscos decorrem principalmente da retomada da incerteza fiscal e da inflação mais persistente.

Amortecedores fortes dão suporte à resiliência diante dos riscos negativos predominantes

Consolidação fiscal mais ambiciosa; aprovação e implementação da reforma dos impostos indiretos; e as oportunidades de crescimento verde trazem elementos positivos. Avanços recentes na agenda legislativa – com a reforma tributária, o novo arcabouço fiscal e o fortalecimento da revisão administrativa das disputas tributárias avançando a passos largos – enviam um sinal positivo. Um sistema financeiro sólido, reservas cambiais adequadas, grandes reservas de caixa do setor público e um regime cambial flexível sustentam a resiliência.

Avaliação do Conselho Executivo

Os Diretores Executivos observaram que, após uma rápida recuperação da pandemia, apoiada por amplos amortecedores e políticas proativas, a atividade económica do Brasil está convergindo para níveis potenciais. Os diretores observaram os riscos negativos relacionados ao ambiente externo incerto, mas muitos enfatizaram que o equilíbrio dos riscos mudou, com os riscos domésticos agora inclinados para o lado positivo. Nesse contexto, incentivaram as autoridades a continuar com seus esforços de consolidação fiscal e estabilização de preços, ao mesmo tempo em que sustentam sua agenda de reformas estruturais para promover uma economia sustentável, inclusiva e verde.

Os diretores saudaram o compromisso das autoridades de melhorar a posição fiscal para manter a sustentabilidade da dívida e apoiar o esforço de desinflação da política monetária. Eles encorajaram as autoridades a buscar um esforço fiscal ambicioso para colocar a dívida numa trajetória de declínio claro, apoiada por uma estrutura fiscal aprimorada, uma base tributária mais ampla e reformas de gastos. Os diretores saudaram a proposta de reforma dos impostos indiretos e os planos para reformar os impostos diretos e simplificar os gastos tributários, observando que a mobilização de receitas adicionais ajudará a garantir a sustentabilidade fiscal e criar espaço para gastos prioritários. Alguns Diretores observaram que a Avaliação da Sustentabilidade da Dívida pode ter sido excessivamente pessimista nos últimos anos.

Os diretores elogiaram a resposta proativa da política monetária do banco central consistente com a estrutura de metas de inflação. Observando o lento declínio no núcleo da inflação e ainda acima das expectativas de meta de inflação, eles consideraram a atual postura monetária apropriada e pediram a continuação da política monetária voltada para o futuro e dependente de dados. Os diretores também saudaram a recente decisão de adotar uma meta de inflação contínua que deve melhorar a eficácia da política monetária e elogiaram as melhorias na autonomia do BCB. Eles enfatizaram que um regime de taxa de câmbio flexível e reservas cambiais adequadas continuam sendo importantes amortecedores de choque daqui para frente.

Os diretores observaram que o setor financeiro continua resiliente, com bancos adequadamente capitalizados, lucrativos e líquidos. Eles saudaram as medidas para abordar as vulnerabilidades da dívida das famílias e promover a alfabetização financeira. Eles também enfatizaram a necessidade de administrar cuidadosamente um papel maior dos bancos públicos para mitigar os riscos para a sustentabilidade fiscal e a transmissão da política monetária.

Os diretores elogiaram as prioridades de reforma estrutural das autoridades voltadas para o aumento da produtividade, redução da informalidade e promoção do crescimento verde. Eles enfatizaram a necessidade de esforços contínuos para fomentar a inovação, a integração comercial e a competitividade, atualizar o investimento e as habilidades e promover uma maior participação feminina na força de trabalho. Também é importante continuar os esforços para fortalecer a eficácia das estruturas anticorrupção e ABC/CFT. Observando o papel proeminente do Brasil nos esforços internacionais para lidar com os desafios da mudança climática, os diretores saudaram os planos para fortalecer a resiliência climática, deter o desmatamento ilegal e descarbonizar a economia.