Angola
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Paulo Flores será recebido pelo Papa Francisco

As variáveis da Cultura e a sua diversidade são inquestionavelmente as estradas que permitem que Vozes e Rostos da Arte e da Cultura do Mundo produzam a partir do seu Talento , Memórias que fixam o seu Tempo, o Tempo da Criatividade e da Contemplação.

Por estas razões, 150 Artistas e Criadores de todo o Mundo serão recebidos pelo Papa Francisco na Galeria de Arte Contemporânea da Santa Sé no próximo dia 23 para o Diálogo Cultural entre o Sumo Pontífice e os 150 convidados possam celebrar a razão de ser deste histórico evento que decorrerá em Roma.

Cada Artista/Criador nas suas distintas e diferenciadas formas de Pensar, Pintar, Desenhar, Esculpir, Musicar, Compor, Poetizar e Escrever em tela ou em papel perfumado como escreveu o Poeta Angolano Viriato da Cruz no seu célebre Poema o “Namoro”, deixam na Memória Colectiva da Humanidade o traço da sua criação artística.

O que seria o mundo sem a Beleza da Arte, da Cultura e da Criação no seu modo mais transversal de existir? Um espaço vazio porque os caminhos da Arte são transformadores. E os dias actuais da narrativa do quotidiano mundial precisam cada vez mais do talento artístico e dessa entrega necessária para Humanizar a Vida e as Sociedades.

E quando se representa uma Nação junto de uma histórica Instituição como é o Vaticano ou outra no quadro da Diplomacia e da Diplomacia Cultural, mais nos orgulhamos que a Representatividade Identitaria no domínio cultural de cada Povo e Nação , expressam esse Oceano de Culturas diferentes, mas convergentes nas Avenidas da Arte do Mundo.

E assim, Paulo Flores, Compositor, Músico e Cantor angolano que tem feito um notável percurso na Poesia do Semba e dos Sembas que cria leva o seu exímio Sentir e uma Pátria que o habita, como também me habita e sinto que é Angola. E pelos diversos palcos do Mundo por onde passou, cantou e chorou, falou do nosso Povo Angolano , da Terra Angolana, da Poesia do Semba e da Letras musicais que tem composto nesta constante e emergente paixão pela Criação. Criar é preciso.

A representação oficial e em particular de um convite feito por uma Instituição nacional ou internacional representa no plano diplomático, mas no plano cultural, a afirmação do Artista convidado revelando e evidenciado um conjunto variado de qualidades rumo à História que se sustenta de factos e nesta missão, o Compositor e Músico Paulo Flores afirma o seu Olhar passado, o seu presente, mas o seu futuro resultante de todas as inquietações que já deixou no domínio musical de Angola e do Mundo. A passagem pelos palcos em múltiplos concertos e em variadas geografias mostram esse folhear do quotidiano da Vida, do seu Cantar, mas o Cantar da Identidade Cultural Colectiva de um Povo. A Sociedade Global transformou-se e em paralelo vivemos entre o analógico e o digital. Mas nada desta realidade visível e noutras circunstâncias não visívéis, a Arte e a Cultura trazem Conhecimento, acrescentam Valores simbólicos e tal como o mundo dos Livros faz-nos reflectir as Vozes que exprimem em Canção ou outro género artístico o que se sentem e vivem, evidenciam sementes plantadas abrindo portas e janelas para um mundo em constante mutação mas que avança e recua sustentado na essência do que nos interpela e faz sentir-nos Humanos.

O convite oficial que o Músico Paulo Flores recebeu é também o reconhecimento do conteúdo das suas Letras musicais, da diversidade com que diz e canta o que compõe e do Olhar de Cidadania Cultural numa arquitectura musical local e global. O Século XXI trouxe a todos nós diversos desafios e tal como as Bibliotecas são lugares de acervo silencioso bibliográfico , mas de Saber e Conhecimento, a Arte tem múltiplas dimensões e traduz essa Esperança que por exemplo a Música leva à Condição Humana e os palcos onde acontecem Concertos, nas Galerias onde se expõem Telas, Esculturas, Fotografias e nos Espaços Culturais, onde se lançam Livros, apresentam-se Peças de Teatro ou outras pautas da criação artística, estes fenómenos necessários como disse o Escritor Fernando Pessoa e cito ” vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já não o tenho.”. Mas desta brilhante reflexão resulta que este presente que o Músico Paulo Flores irá vivenciar no próximo dia 23 de Junho do corrente ano, denota os vários Espaços de Memórias vividos e os ventos sentidos das Músicas criadas em silêncio e em conjunto para partilhar com o Mundo.

Esta viagem oficial ao Vaticano entre outros 150 convidados oficiais constituem pontes sagradas de partilha e de sonho fundamentais na relação com os Lugares onde somos vistos e contemplados, falados ou ouvidos, porque as Galerias de Arte, os Museus, os Palcos, são suportes de culto onde a autenticidade criativa enuncia visões, sentimentos e emoções.

Na Capela Sistina no Vaticano celebram-se os sinais cruzados do Pensamento Artístico , mas o mundo dos Talentos. E há que reconhecer quem tem Talento, porque permite a responsabilidade de incluir, de transmitir Saberes acumulados e a adquirir e essa natural humildade sem Máscaras, permite este encontro Humano tão necessário e fundamental face as plantas e árvores criativas que traçam o destino dos nossos voos e opções culturais. E o Compositor Paulo Flores na linha do Tempo e dos seus antepassados e não só, faz essa lindíssima viagem quando canta o ” País que nasceu Meu Pai “. É um hino de Homenagem ao Saudoso Primo Cabé, seu Pai e percursor das Noites Musicais Africanas em Lisboa, mas dos Bailes inesquecíveis realizados em Luanda. E é dessa Luanda, que Paulo Flores tocou e cantou o ” Quintal do Semba “, sem esquecer ” Xé Povo ” como seu espaço de pertença, mas com sentido Universal. Estas viagens são páginas fixadas na narrativa da Música que tem criado , reforçando o sentido do relevante género Musical ” Semba “, não esquecendo que o resgate cultural faz parte de reavivar e lembrar o epicentro da Cultura ancestral e dos Outros e Outras que abriram janelas do seu Talento para que as Gerações actuais e futuras não esquecessem o que a Tradição e o encontro com a Diversidade Cultural do Mundo reflecte.

Por isso, no âmbito das comemorações dos 50 anos do encontro do Papa Paulo VI com os Artistas a 23 de Junho de 1973, na esteia da renovação eclesial promovida pelo Concilio Vaticano II ( 1962-1965), o Papa Francisco vai encontrar-se com 150 Artistas do Mundo para celebrar esta efeméride.. Nesta lógica, o Santo Papa incumbiu o Discatério para a Cultura e Educação da Santa Sé para um encontro privado.

Fica gravado na essência da Memória Individual do Músico Paulo Flores e da Memória Colectiva que integra as dinâmicas factuais da História, este belíssimo encontro de Diálogo da Arte e da Cultura.

De Roma, Paulo Flores e os Músicos que o acompanham a par da Produtora ” Ao Sul do Mundo ” que o representa voam para a Noruega onde no próximo dia 24, dá um Concerto para uma vez mais internacionalizar a sua ponte, o seu natural Talento , o Talento dos Músicos que estarão no Palco que os acolherá para celebrar a Música de Angola e o ” Quintal do Semba ” do Músico Paulo Flores que não se esquece.

Gabriel Baguet Jr, Jornalista/Escritor