Angola
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STP: Chefe da diplomacia pede demissão

O ministro dos Negócios Estrangeiros de São Tomé e Príncipe apresentou ao primeiro-ministro o seu pedido de demissão nesta sexta-feira, 28, depois de a oposição ter pedido ontem o seu afastamento “pela forma tão vulgar e grosseira” como se referiu a Portugal e Angola, em relação ao ensino do português na Guiné-Equatorial.

Num comunicado de imprensa, Alberto Pereira, disse que “por ter consciência da gravidade da situação e assumindo as minhas responsabilidades, decidi remeter ainda hoje uma carta a sua excelência, o senhor primeiro-ministro e chefe do Governo, colocando o meu lugar a disposição”.

“Neste sentido, espero salvaguardar a minha imagem, a imagem do Governo e sobretudo a imagem do nosso país”, acrecentou Pereira.

Ao receber na terça-feira, 25, cerca de 30 técnicos da Guiné-Equatorial que vão aprender português no país, o chefe da diplomacia são-tomense disse que os governos de Angola e Portugal “só criticam”, em relação à falta de engajamento no ensino do português naquele país de língua espanhola.

“Ainda ontem eu recebi em São Tomé o ministro das Relações Exteriores de Angola [Tete António] […] quando eu lhe disse, ‘Olha, nós recebemos os irmãos da Guiné Equatorial’, ele até ficou com vergonha. Ele disse mesmo assim de cara: ‘Nós tínhamos prometido isso há muito tempo aos irmãos de Guiné Equatorial, mas só ficou no ‘bla,bla,bla’, na prática não fizemos nada. Aquilo que vocês estão a fazer é um grande sinal para país que têm maiores condições verem'”, disse na altura Alberto Pereira.

O ministro, que destacou o apoio do Brasil, acrescentou que “Portugal sempre diz […] aceitamos Guiné Equatorial, mas não estão a falar português, mas o quê que eles fizeram realmente para ajudar Guiné Equatorial a falar português? Nada, é só criticar”.

Oposição pede demissão

Ontem, o principal partido da oposição, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD) criticou “a forma tão vulgar e grosseira como se referiu aos Estados com quem mantemos grandes laços de irmandade, fraternidade e cooperação”.

“Pela gravidade das declarações que pode pôr em causa as nossas relações com estes países, entendemos que o senhor ministro não tem condições para se manter no cargo, pelo que pedimos a sua imediata exoneração”, concluiu o porta-voz da comissão permanente daquele partido.

O primeiro-ministro Patrice Trovoada ainda não reagiu.