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Taxas de juro. Marcelo recomenda “muito cuidado” na comunicação por parte dos bancos centrais

O Presidente da República considerou esta quarta-feira que os bancos centrais deveriam ter “muito cuidado naquilo que dizem publicamente” em relação aos juros, uma vez que é uma matéria “muito sensível para o dia-a-dia das pessoas”. A recomendação surge um dia depois de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, ter anunciado na terça-feira que os juros deverão continuar a aumentar.

Em declarações aos jornalistas à margem da da 11.ª edição do Fórum Jurídico de Lisboa, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou esta quarta-feira que os bancos centrais devem comunicar com cautela quando falam das taxas de juro.

“Penso que os bancos centrais deveriam ter muito cuidado naquilo que dizem publicamente”, reiterou o chefe de Estado. “Isto tem um efeito de perturbação nas pessoas, nas economias e nos mercados que não é bom para ninguém”, acrescentou ainda.

Marcelo Rebelo de Sousa vincou ainda que se exige “muito cuidado no discurso que se tem”, sendo este um tema que “é muito sensível para o dia a dia das pessoas”.

“A subida dos juros significa multiplicar por dois ou por três, em espaço de tempo recorde, a prestação na habitação, ou então lutar pela casa e contrair novo crédito para o consumo para equilibrar aquilo que se mantém no pagamento para casa própria”, considerou o presidente da República.
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que é necessária “grande ponderação naquilo que se diz em matéria de juros”.
“Não vale a pena neste momento estar a criar mais preocupações na vida já difícil de muitos europeus e de vários portugueses”, sublinhou ainda.

As apreciações do presidente português surgem na sequência das declarações da presidente do Banco Central Europeu, que sinalizou na terça-feira uma subida contínua das taxas de juro.

Na abertura do Fórum do Banco Central Europeu (BCE), a decorrer em Sintra, Christine Lagarde afirmou que “ainda não vimos o impacto total dos aumentos cumulativos das taxas que decidimos em julho passado, de 400 pontos base”.

“Mas sabemos que a tarefa ainda não está concluída. Visando uma mudança material das nossas expetativas para a inflação, vamos continuar a aumentar as taxas em julho”, anunciou Lagarde.

Já esta quarta-feira, os governadores dos bancos centrais europeu, inglês, japonês e o presidente da Fed (dos Estados Unidos), alertaram para a persistência da inflação, dando indicação de potenciais novas subidas de juro, e recusaram alterar as metas que pretendem atingir.

Reunidos em Sintra, Andrew Bailey, governador do Banco de Inglaterra, Christine Lagarde, presidente do BCE, Jerome Powell, presidente da Reserva Federal (Fed) e Kazuo Ueda, governador do Banco do Japão foram cautelosos nos prognósticos quanto ao fim deste ciclo de inflação elevada.

c/ Lusa