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Brazil

Afro Fashion Day: 3ª seletiva leva 62 candidatos a Tancredo Neves

"Vou te contar uma história que foi real, aconteceu comigo. Eu não gostava da minha cor. Queria ser mais claro, mais branco. Sofria preconceito na escola, me chamavam de macaco. Chega me arrepio de lembrar": é com a voz embargada que Wendell dos Santos Martins, de 14 anos, começa a responder a pergunta sobre o que o levou até a sede do Centro de Integração Familiar (Ceifar) na tarde desta quinta-feira para a seletiva de modelos não-agenciados da 4ª edição do Afro Fashion Day (AFD), projeto do CORREIO que celebra o Mês da Consciência Negra.

Depois de tanta dificuldade para enxergar a própria beleza, o menino quer mostrá-la para o mundo. "Agora que eu me identifico com minha cor, me sinto melhor. Meu cabelo, que antes tava sempre cortado na máquina 1, bem curto, agora eu procuro sempre uns cortes mais black. Me inspiro nos influenciadores do Instagram e nos africanos que vão à minha cidade, São Francisco do Conde, por causa da Universidade (a Unilab, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira)", diz ele.

O porquê da escolha do AFD? "É um evento que passa a mensagem para a gente se amar do jeito que a gente é. Se você não gosta de sí mesmo, não vai gostar de nada", conta o garoto, que foi o mais jovem dos 62 candidatos.

Quem acompanhou a aventura foi foi a tia-coruja, Lilian Dantas: "Ele é o rapaz das fotos, das poses, das caras e bocas. Quando ví a reportagem, lembrei dele na hora".

Em família

As irmãs Erika e Sheila Johannys Soares Schramm, de 23 e 20 anos, respectivamente, marcaram presença na seletiva para tentar sair da plateia para a passarela. "Acompanho o AFD desde 2016, quando aconteceu na Cruz Caída. Só que não sabia que tinha seletivas em bairros. Ano passado até me inscrevi na seletiva de Itapuã, mas não consegui ir", relembra Sheila, que faz faculdade de engenharia agronômica.

Entre os pontos positivos do AFD, ela destaca a diversidade. "O evento é importantíssimo, pois trata de representatividade negra, que é muito precária aqui no Brasil. E contempla a diversidade de outras maneiras: tem gente mais alta ou mais baixa, mais magra ou mais forte... Isso é legal", explica ela.

Para Gabriela Cruz, curadora do Afro Fashion Day e editora de projetos especiais do CORREIO, o empoderamento está no DNA do evento. "As seletivas de bairro oxigenam ainda mais nossa tentativa de dar destaque à beleza negra, trazendo pessoas que, às vezes, não passariam pelo crivo de algumas agências mais tradicionais", diz a jornalista, que avaliou os candidatos a modelo, juntamente com o produtor de moda Fagner Bispo.

Amigos, o cabeleireiro Edvan Lopes, 22, e o padeiro Gustavo Duarte, 23, também foram juntos à sede do Ceifar. "Eu quero ser representatividade para pessoas que não se imaginam num lugar como o Afro Fashion Day. É nossa cultura, nossa beleza, nossa cor. Espero que essa seja minha estreia nas passarelas", conta Edvan.

De olho em possíveis novos talentos, Jomar Sousa, da Xtreme Model, acompanhou de perto o processo. "Na minha agência tem vários modelos que foram descobertos no subúrbio, nas periferias. Essas seletivas são excelentes iniciativas. É preciso dar oportundiade aos jovens de ingressarem no mundo da moda", afirma o empresário.

Próxima seletiva

As seletivas vão percorrer cinco bairros da capital baiana – Curuzu, Plataforma, Tancredo Neves, Pelourinho (18/10) e Itapuã (25/10). A última acontece em 12 de novembro, no Salvador Shopping (Teatro Eva Herz), junto com um bate-papo sobre afro-empreendedorismo. Os vencedores vão desfilar em 24 de novembro, na quarta edição do AFD.

Para participar da próxima seletiva, o(a) candidato(a) precisa realizar inscrição prévia e gratuita, a partir de 12/10, através do link bitly.com/seletivaspelourinho. Aos interessados, não é necessário residir no bairro para se inscrever. Podem participar jovens de 13 a 24 anos, moradores de Salvador e Região Metropolitana.

O Ceifar

O Centro de Integração Familiar (Ceifar) atende 385 crianças de 3 a 17 anos no bairro de Tancredo Neves, com educação infantil, acompanhamento psicopedagógico e oficinas. Este mês, o grupo divulga a campanha de Natal, na qual pode-se adotar uma cartinha e presentear uma criança que frequenta a instituição. Quem se interessar, pode entrar em contato a partir do dia 22 (71 3034-4205).

O objetivo do AFD é dar visibilidade para modelos negros, cultura afro-brasileira e os trabalhos de marcas locais. Com apoio do Salvador Shopping, Casa Salvador e Califórnia Media House, o Afro Fashion Day é uma realização do CORREIO.

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