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Campos Neto diz ser a favor da taxação de super-ricos e de offshores

Entrando na arrastada discussão sobre taxação dos super-ricos e offshores, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou ser favorável ao tema, defendendo uma alíquota de 10% A afirmação foi feita durante audiência pública na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27/9).

"Sobre arrecadação de super-ricos, sou a favor de arrecadação de fundos exclusivos, sou a favor de arrecadação de offshores" afirmou Campos Neto.

O assunto está sendo discutido, com mais frequência, desde agosto, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assinou uma medida provisória para taxar rendimentos de fundos exclusivos dos chamados super-ricos e enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei para tributar offshores. Essas medidas fazem parte do plano do Ministério da Fazenda para aumentar a arrecadação de receitas para cumprir a meta de deficit primário zero em 2024.

Segundo o presidente do BC, ele apoia a proposta desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. "No governo anterior, tinha um projeto de offshore, a gente queria fazer a taxação das offshores, eu achava que a alíquota para taxação tinha de ser mais alta, eu pedi que fosse 10%, achei que 10% era razoável, voltou com 6%, eu inclusive acho 6% baixo, acho que tem que taxar mais", disse.

"Tinha uma preocupação com erosão de base, taxar uma coisa e depois a base ser evaporada, preocupação que mencionei. Tanto na parte de fundos exclusivos quanto na parte de offshore, tenho essa preocupação, mas fui a favor nos dois casos de ter alíquota mais alta", acrescentou.

A proposta foi feita durante a campanha de eleição, quando o presidente Lula afirmou que “é preciso colocar o povo no orçamento e o rico no imposto de renda”.

"Tenho offshore há 15, 20 anos"

Quando questionado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) sobre suas finanças pessoais, Campos Neto disse que seus investimentos em fundos offshore foram declarados desde o primeiro dia em que assumiu o cargo no BC. "Minhas offshores estavam declaradas no site do Senado no primeiro dia que vim para o governo. Tenho offshore há 15, 20 anos, tenho três irmãos que são americanos, que moram lá, não sabia se em algum momento eu iria morar lá ou morar aqui", justificou.

Fundos exclusivos e offshores

Os fundos exclusivos são investimentos milionários em aplicações como ações ou renda fixa. Eles exigem investimento mínimo de R$ 10 milhões, com custo de manutenção de até R$ 150 mil por ano. Já os offshores são empresas abertas fora do país de residência, geralmente em paraísos fiscais, onde a tributação é reduzida ou nula, como as Ilhas Cayman. Ambos podem ser usados para evitar pagamentos de impostos.

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