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Confusão da zorra: entenda o entrave da Anvisa à fabricação da vacina chinesa

Em um intervalo de apenas quatro dias, a vacina chinesa CoronaVac, desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan, protagonizou mais uma das confusões envolvendo o governo federal e a operação para enfrentar a pandemia de covid-19 no Brasil. O último capítulo dessa nova novela cheia de reviravoltas, polêmicas e disputas políticas, cuja origem está em um anúncio do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tem com personagem central a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Avisa). 

Na noite da quinta-feira, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, acusou a Anvisa de retardar a análise de um pedido de importação de seis milhões de doses da vacina junto à farmacêutica chinesa Sinovac e da matéria-prima necessária para produzir, em solo nacional, outras 40 milhões. Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, Covas disparou contra o órgão que controla o setor de remédios e insumos médicos no país.

Disse ter enviado um pedido formal para liberar excepcionalmente a importação do produto em 23 de setembro, mas que naquela quinta foi informado pela Anvisa de que o caso só seria tratado em reunião marcada para 11 de novembro. “Estou inconformado e ansioso. Uma liberação que ocorre em dois meses deixa de ser excepcional”, afirmou Covas na entrevista.

O diretor do instituto destacou ainda que a fábrica do Butantan já está pronta para produzir a vacina chinesa, mas que só não deu início aos trabalhos porque aguardava apenas a autorização da Anvisa para importar a matéria-prima que serve de base para o imunizante. Como era esperado, as declarações de Covas jogaram mais gasolina na fogueira da CoronaVac.

Na tarde da sexta-feira, a Anvisa negou que tivesse travado a importação do produto. Em nota à imprensa, a agência garantiu que o processo já havia sido analisado, mas que “foram identificadas discrepâncias”. No entanto, não disse quais seriam elas. Horas depois, o órgão divulgou a informação de que havia liberado as seis milhões de doses pedidas pelo Butantan. O principal, a matéria-prima para produzir no Brasil uma quantidade quase sete vezes maior, ficou fora do pacote.

"Estou inconformado e ansioso. Uma liberação que ocorre em dois meses deixa de ser excepcional. A fábrica do Butantan já está pronta para produzir a vacina" - Dimas Covas, diretor do instituto paulista, ao criticar demora da Anvisa

Origem
Ainda não é possível prever os próximos passos da confusão em torno da CoronaVac, mas a chama que pôs fogo no parquinho nacional da pandemia foi acesa na terça-feira, quando o ministro Pazuello anunciou um protocolo de intenções com o estado de São Paulo, a quem o Butantan está subordinado, para adquirir 46 milhões de doses da vacina e distribuí-las em todo Brasil. Pazuello só esqueceu de combinar com o dono da bola. 

No dia seguinte, enquanto jornais de todo o Brasil estampavam na manchete a decisão do ministério de comprar um megalote do imunizante chinês, o presidente Jair Bolsonaro entrava em campo para desautorizar Pazuello e divulgar a decisão de anular o acordo via redes sociais. 

Em resposta ao comentário de um internauta, no qual pede que a vacina não fosse comprada porque ele, aos 17 anos, disse querer ter “um futuro, mas sem interferência da ditadura chinesa”, Bolsonaro descartou o negócio. “NÃO SERÁ COMPRADA”, postou o presidente com todas as letras maiúsculas. 

No mesmo bate-papo, outro internauta acusou Pazuello de traí-lo com o acordo de compra da vacina e disse que Bolsonaro havia se enganado, mais uma vez, com um ministro. “Qualquer coisa publicada, sem comprovação, vira TRAIÇÃO”, emendou o presidente. Depois, diante de postagens que questionavam a lealdade do chefe da Saúde, afirmou: “Tudo será esclarecido hoje. Tenha certeza, não compraremos vacina chinesa”. 

Na sucessão de episódios e declarações, o próprio Bolsonaro deixou claro o tom político da decisão. Primeiro, por se tratar de uma vacina concebida pela comunista China considerada por ele a grande inimiga da América capitalista e dos seus aliados nos EUA. 

Segundo, por ser desenvolvida em São Paulo, estado governado pelo tucano João Doria, com quem o presidente entrou em rota de colisão desde o início da pandemia. E como em toda confusão que se preze, há espaço também para a ironia. A vacina de Oxford, aposta de Bolsonaro, utiliza como insumo básico matéria-prima fabricada pelos chineses.

"Alerto que não compraremos uma só dose de vacina da China. Meu governo não mantém diálogo com João Doria na questão do Covid-19" - Jair Bolsonaro, ao descartar acordo

Quatro atos da guerra da CoronaVac

- Ministro anuncia acordo com o Butantan
Chefe da pasta da Saúde no governo federal, Eduardo Pazuello anunciou na terça um acerto para adquirir 46 milhões de doses da vacina chinesa, feita em parceria com instituto

- Bolsonaro descarta acerto com os paulistas
Um dia depois do anúncio, Bolsonaro foi às redes sociais para negar compra, desautorizar ministro e garantir que não existe acordo com o governo João Doria

- Diretor de instituto critica Anvisa
Em entrevista concedida na quinta-feira à Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo, o diretor do Butantan, Dimas Covas, disse que a Anvisa estaria adiando a análise de pedido de importação de seis milhões de doses da CoronaVac e de matéria-prima chinesa para produzir outras 40 milhões

- Órgão nega entraves e libera parte do pedido
Na sexta-feira, a Anvisa refutou atraso na solicitação do Butantan e autorizou a importação das doses. No entanto, não liberou a importação de matéria-prima

Saiba mais sobre a vacina chinesa
O governo de São Paulo anunciou, em 11 de junho, parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac para testes clínicos e produção de vacina. Caso ela seja aprovada, Sinovac vai firmar acordo para transferência de tecnologia voltada à produção em escala industrial e ao fornecimento gratuito à população por meio do SUS.

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