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Goleiro da Juazeirense fala pela primeira vez após caso de racismo

A Juazeirense já perdia por 2x1 contra a Aparecidense-GO, pela terceira rodada da primeira fase da Série D, no último sábado (18), quando o atacante Jeam levou cartão vermelho. O lance gerou discussão e parte do banco da Juazeirense foi tirar satisfação com o quarto árbitro por discordar da expulsão do jogador. 

A partida ficou parada e foi aí que tudo aconteceu: um grupo de torcedores da Aparecidense começou a gritar as palavras “nêgo fedido, nêgo fedorento”. O alvo? Deijair, goleiro de 20 anos que defende o Cancão de Fogo. A injúria não parou por aí: segundo a esposa e advogada de Deijair, Luamar Nunes, o goleiro ainda ouviu gritos de “macaco”, “fuleiro” e teve um copo de cerveja arremessado contra seu corpo. 

Revoltado com o que sofreu, o arqueiro foi tirar satisfações com os agressores no alambrado do estádio e, por conta disso, foi expulso pelo árbitro Sílvio André Loureiro de Lima, do Mato Grosso. Na súmula, o árbitro relatou em súmula que puniu o goleiro com o cartão vermelho “por sair do banco de reservas da sua equipe e dirigindo-se ao alambrado, onde o mesmo chutou o alambrado e tentou agredir um torcedor caracterizado com as cores da equipe A.A. Aparecidense”. 

O caso foi parar em uma delegacia no 1º Distrito da Polícia Civil de Aparecida-GO, que fica próximo ao estádio Anníbal Batista de Toledo. Lá, o pesadelo vivido por Deijair ganhou novos contornos. Em nota divulgada pela Juazeirense, o goleiro afirmou que o agente da polícia informou que o caso “não daria em nada, que já tinham ocorrido outros casos” e que registrar o Boletim de Ocorrência era perda de tempo. Ainda assim, o boletim foi registrado.

“Não sei como vai ser tratado, mas não posso deixar isso impune. Eu já tinha visto atos de racismo pela televisão, você fica chateado, mas é diferente quando o discriminado é você”, desabafou o goleiro.

Descontente com o suporte oferecido pela polícia goiana, a Juazeirense sugeriu que Deijair registrasse um novo boletim de ocorrência, desta vez na cidade de Juazeiro - o que aconteceu na tarde desta terça-feira (21), segundo a esposa do goleiro. Ele também fará uma denúncia no Ministério Público.

“ [Depois de] tudo que um atleta passa para estar ali, e no seu ambiente de trabalho ser agredido com palavras assim... é  revoltante”, declarou Deijair.

Em nota, a Aparecidense manifestou “total repúdio a qualquer forma de preconceito, em especial ao episódio”. O clube ainda declarou que lamenta o que classificou como atitude isolada e infeliz de um torcedor e que não será conivente com qualquer prática preconceituosa. O clube goiano ainda afirma que tomou todas as medidas que o caso requer, identificando o agressor e encaminhando para a Polícia.

Confira a nota da Aparecidense na íntegra:
“A Associação Atlética Aparecidense, através de sua Diretoria, vem manifestar total repúdio a qualquer forma de preconceito, em especial ao episódio envolvendo um torcedor e um atleta do time adversário, ocorrido no final da partida entre  Aparecidense X Juazeirense, realizada no dia 18/05/2019, no Estádio Anníbal Batista de Toledo, em Aparecida de Goiânia.

A Associação Atlética Aparecidense é uma entidade esportiva, sem fins lucrativos, que mantém diversos projetos sociais junto à sociedade aparecidense, especialmente na formação de cidadãos onde é trabalhada a inclusão social, de forma integral, trabalhando intensamente conceitos de cidadania, repúdio a qualquer forma de preconceito, sejam eles de qualquer matiz, através do esporte.

Mantemos em nossas categorias de base pelo menos 140 atletas entre 13 e 20 anos, onde são trabalhados, além da prática esportiva, todos os conceitos acima relacionados e que constam inclusive de nosso Estatuto Social.

Lamentamos profundamente a atitude isolada e infeliz de um torcedor, que nada condiz com a prática e conduta da nossa Associação. Em hipótese alguma a Aparecidense será conivente com qualquer prática preconceituosa, discriminatória, excludente e ainda qualquer expressão de violência.

Neste episódio tomamos todas as medidas que o caso em especial requer: o torcedor foi identificado, o policiamento acionado e os envolvidos foram encaminhados para a Delegacia de Polícia onde foi lavrado um Boletim de Ocorrência em que os fatos foram registrados e os envolvidos selaram uma retratação mútua. As demais providências serão prontamente tomadas.

Assim a Aparecidense, lamenta o ocorrido, e manifesta seu total repúdio a qualquer manifestação de violência ou preconceito!”
 

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