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Moradores do Sudoeste fazem campanha contra construção de viaduto na Epig

 (crédito: Divulgação/Secretaria de Obras)

(crédito: Divulgação/Secretaria de Obras)

Moradores do Sudoeste da Quadra 105 e de outras da região estão mobilizados contra à obra do viaduto na Estrada Parque Indústrias Gráficas (Epig), entre o setor e o Parque da Cidade. Com cartazes e faixas, eles listam obstáculo para a construção.

Segundo a representante do grupo - criado em 18 julho -, a servidora pública Giselle Foschetti, 51 anos, a obra criará um anel rodoviário no bairro residencial, causando aumento do tráfego, poluição sonora e diminuição da área verde e a mobilidade de pedestres. Atualmente, 160 integrantes compartilham do posicionamento

O texto assinado pelos moradores diz que a obra instalará alambrados ao lado da pista de 1,5m de altura a partir da Quadra 105 até a Epig e vai invadir, com o asfalto, a área verde da quadra residencial. “Basta passar atrás do bloco da (Quadra) 104 para ver estacas na área verde. Além de perdermos a área verde, uma pista passará bem próxima aos prédios. Isso significa, na prática, uma barreira à livre circulação de pedestres, cadeirantes e ciclistas dentro do próprio bairro e a imposição do uso de carro para acessar o Parque da Cidade a quem mora nas imediações dele”, diz o texto dos moradores.

“Significa, também, a derrubada de aproximadamente 600 árvores apenas no Sudoeste, todas já numeradas para a extração, entre as quais estão espécimes nativas do Cerrado e as jaqueiras que dão nome à avenida”, pontuam. A intensificação da poluição sonora local a "níveis insuportáveis" e o aumento exponencial da poluição atmosférica, em decorrência do tráfego de cerca de 25 mil carros por dia nas vias alargadas, são outros argumentos. A articulação rendeu um abaixo-assinado que já conta com 358 assinaturas.

O que diz o GDF?

Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal (GDF) informa que o viaduto da Epig faz parte do corredor eixo oeste, desenvolvido para atender à lei nº 4.566 de 2011, com base no Plano Diretor de Transporte Urbano do Distrito Federal (PDTU). “O porte da obra de tamanha complexidade exigiu a participação de diversos atores: administração regional, Caesb, CEB, Novacap, DER, Detran, Ibram, Semob, Seduh, entre outros, além de passar pela aprovação do Iphan”, diz um trecho.

De acordo com a pasta, para se chegar ao dimensionamento das vias, conforme detalhado nos projetos, foi realizado amplo estudo de tráfego. “No momento, as empresas contratadas estão trabalhando no levantamento florístico e de eventuais interferências de redes das concessionárias acaso existentes. Ainda não há a definição do quantitativo de indivíduos arbóreos que precisarão ser suprimidos”, assegura a Secretaria de Obras e Infraestrutura.

A nota ainda afirma que, durante todo o processo de elaboração dos projetos até o ponto de contratação da obra, a Secretaria esteve aberta à sugestões, inclusive da comunidade. “Prova disso é que, na última terça-feira (27/7), a Secretaria de Obras recebeu cinco moradores da quadra 105 do Sudoeste, acompanhados da administradora regional do sudoeste e octogonal, Tereza Lamb, e do deputado distrital Reginaldo Sardinha. Durante o encontro, a pasta apresentou o projeto aos participantes e ouviu as sugestões apresentadas pela comunidade.”

 

De acordo com a representante dos moradores da região, Giselle, o contato não ocorreu. “Não houve transparência, a obra foi autorizada sem a consulta aos maiores impactados. A supressão de árvores vai trazer poluição sonora e vai acabar com a mobilidade do bairro”, critica.

Ela adianta que o grupo pretende entrar com pedido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) para solicitar documentos do Iphan e Novacap com objetivo de verificar se os pedidos foram elaborados de forma adequada. Perguntada se será feito um plantio de árvores, a Secretaria de Obras informa que, assim como ocorre com todas as obras que demandam a retirada de indivíduos arbóreos, o Ibram determina que seja feita a compensação ambiental. “Para cada uma planta nativa do cerrado retirada, cinco novas são plantadas”, conclui a pasta.

Em 22 de julho, o grupo de moradores protocolou uma reclamação na 4ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). E, na última quinta-feira (29/7), cerca de 30 moradores da Quadra fizeram uma manifestação presencial na Avenida das Jaqueiras, onde ocorrem as obras.

Organizadora da campanha, Giselle diz que os moradores presenciaram a numeração das árvores, que chegava a cerca de 500 unidades em frente à quadra. Os técnicos da Novacap não queriam que a gente fotografasse. Isso significa acabar com 2/3 da área verde que a 105 tem. Vai ser a cicatriz num bairro residencial. Vamos ter uma via maior do que o Eixão atravessando o Sudoeste”, lamenta.

“A gente não é contra o viaduto, mas no momento em que transforma uma rua tranquila de duas pistas em uma de quatro pistas com trânsito intenso suprimindo a área verde, nos mobilizamos para impedir. Temos uma fauna riquíssima de animais silvestres, como tucanos e araras”, conclui.

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