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O negacionista e o general legalista que morreu de Covid-19

"Era um general legalista, que morreu dois dias depois de Bolsonaro voltar a sugerir que as Forças Armadas podem estar ao lado da sua obsessão por uma tentativa de golpe", diz Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia, sobre a morte do general Geraldo Miotto

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Por Moisés Mendes, para o Jornalistas pela Democracia

Esta cena da foto é de 30 de abril do ano passado, quando Bolsonaro participou em Porto Alegre da cerimônia de transmissão de cargo de comandante militar do Sul para o general Valerio Stumpf Trindade.

O general Geraldo Miotto se despedia do comando. Bolsonaro tentou, mais de uma vez, em diferentes momentos da solenidade, cumprimentar os militares e outras autoridades com as mãos (alguns civis cederam, por subserviência).

A foto, reproduzida de um vídeo, é de Miotto tomando a iniciativa de evitar o cumprimento. Diante da aproximação ostensiva, ele oferece o cotovelo a Bolsonaro.

O general era respeitado por militares e civis no Estado e fora dele. Era um defensor da Amazônia, onde atuou como comandante da região.

E tinha uma conduta sempre cautelosa em relação à pandemia. Defendia as medidas de contenção que Bolsonaro sempre sabotou.

Seu perfil no Facebook tinha um link permanente para informações sobre medidas de prevenção contra a Covid-19.  

Miotto morreu de Covid-19 na quarta-feira, aos 65 anos, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, depois de 50 dias de internação. E o que disse Bolsonaro, o negacionista, ao lamentar a morte de quem considerava amigo? Disse o seguinte, na live dessa semana:

“Pelo que me consta, não foi feito tratamento precoce nele. Ele veio a falecer e lamentamos a perda dessa pessoa”.

A perda dessa pessoa que não tomou cloroquina foi lamentada pelos gaúchos que o conheceram.

Miotto tomava iniciativas de interesse de várias áreas, e não só do Exército, como a decisão de contribuir para a duplicação de trechos da BR-116, que leva ao sul do Estado, e na montagem de tendas de atendimento a pacientes com suspeita de Covid no Hospital Conceição.

Era um general legalista, que morreu dois dias depois de Bolsonaro voltar a sugerir que as Forças Armadas podem estar ao lado da sua obsessão por uma tentativa de golpe.

Sabe-se que não estão. Mas Miotto está morto, e Bolsonaro e Pazuello estão bem vivos.

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