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Polícia exige esvaziamento de represa em fazenda de Gusttavo Lima

Sob ameaça de rompimento, uma represa em uma fazenda do cantor sertanejo Gusttavo Lima, entre as cidades de Bela Vista de Goiás e Caldazinha, na região metropolitana de Goiânia, está sendo esvaziada às pressas. O local funciona como lago para passeios de jet ski. 

Na segunda-feira, 20, a Delegacia Estadual do Meio Ambiente de Goiás (Dema) deu três dias para que o volume caia para um metro. Para isso, é necessário o esgotamento de três metros de água do reservatório, que possuía cinco metros - um metro já havia sido escoado nos últimos dias.

O delegado titular da Dema, Luziano de Carvalho, esteve na represa com membros do Ministério Público, representantes do cantor, Corpo de Bombeiros e peritos. Ele decidiu exigir que o esgotamento, que vinha sendo realizado por empresa contratada pela fazenda, fosse acelerado por causa do aumento das trincas e infiltrações na estrutura.

O rompimento poderia afetar seis famílias e uma importante rodovia estadual, a GO-020. Como não há projeto de licenciamento para o reservatório, disse Carvalho, é impossível saber a "mancha de inundação" em caso de colapso.

Na sexta-feira, 17, as famílias receberam comunicados da empresa contratada pelo artista. "Fomos avisados que, se algo acontecer, se a represa romper, seremos indenizados, haverá hotel reservado e alimentação", disse o gerente farmacêutico Luizmar Cardoso, de 62 anos. Ele possui uma chácara com um criatório de peixes, a 1,5 quilômetro do reservatório da Vargem Grande, há dez anos. 

De 2018 para cá, conta Cardoso, a represa foi esgotada uma vez, causando o assoreamento de uma área próxima. "A água entrou no sítio e até que passou e esgotou rápido, mas o meio ambiente sofreu." 

Autuação
Lima foi autuado em 2018 pela falta do licenciamento da represa, após vistoria em outubro do ano anterior. A Dema identificou que, mesmo tendo dado entrada no processo de licença após ser autuado, não havia medidas urgentes sendo cumpridas. 

Um dos problemas, segundo o delegado, é a inexistência da chamada descarga de fundo, ou extravasor, um meio para esgotar a represa em caso de risco.

O cantor comprou o imóvel em setembro de 2017, já sabendo que a barragem do Córrego Olaria, construída havia mais de 25 anos, não foi sido licenciada pelos proprietários anteriores, informou a assessoria de Lima. 

Segundo a equipe do artista, o cantor não foi notificado, mas o prazo de três dias é o mesmo previsto pela empresa contratada para fazer o serviço. Em nota, a assessoria ainda listou tentativas de licenciamento do reservatório, que tiveram início em dezembro de 2017, um mês depois da vistoria da Dema.

Conforme a assessoria, por causa de demora "burocrática" para o licenciamento, foram iniciadas obras de "estabilização e consequente aumento da vida útil" do lago em 2018, o que levou ao auto de infração e embargo em janeiro do ano passado. 

Depois disso, o cantor entrou em contato com empresa que emitiu laudo técnico alertando para o risco de rompimento e pedindo autorização dos órgãos ambientais para obras emergenciais. Segundo a nota, "o risco para população e meio ambiente está controlado".

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