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Brazil

Uma revisão feminina do sambalanço

O termo sambalanço apareceu pela primeira vez quando o compositor Carlos Lyra rompeu com os amigos da turma da Bossa Nova e fez uma Noite do Sambalanço no Rio de Janeiro. Depois, o então Jorge Ben cantou em Balança Pema, incluída no seminal álbum Samba Esquema Novo (1963), que o coração dele também “sambalançava”. O termo passaria a denominar uma bossa turbinada, com mais base no suingue do que nas sutilezas harmônicas.

No show Divas do Sambalanço, Eliana Pittman, Claudette Soares e Doris Monteiro se reúnem pela primeira vez para mostrar a importância do estilo na MPB. Um dia antes da apresentação, que ocorre domingo às 16h, no Sesc Bom Retiro – os ingressos já estão esgotados – , elas gravam um disco para o selo Discobertas no Studio 8.

O estúdio privado, que receberá amigos das cantoras e a imprensa durante a gravação, foi escolhido por fazer registros em uma mesa de som analógica, mantendo o clima do período em que o sambalanço era apresentado como uma novidade nos bailes e nas boates.

Das três cantoras, Doris Monteiro se considera a pioneira no flerte com o sambalanço, por ter gravado Mocinho Bonito, de Billy Blanco, em 1957.

“Apesar de o nome sambalanço não existir, a música já era isso. Eu não sabia se queria gravar, porque o público estava acostumado comigo cantando música romântica. Foi o Billy que me convenceu a tentar algo diferente. Deu certo e, a partir daí, criei coragem”, lembra a cantora.

Radicada em São Paulo desde o início dos anos 1960, a carioca Claudette não acompanhou a movimentação do sambalanço em sua cidade natal. Quando foi gravar o primeiro disco, Claudette É Dona da Bossa (1964), convidou o pianista Cesar Camargo Mariano para acompanhá-la. Integrante de um grupo chamado Sambalanço Trio, Cesar criou uma base instrumental para a cantora, que incluiu no álbum de estreia uma música que cita o sambalanço, Samba Só, revelar o suingue que até hoje mantém.

Até mesmo Eliana, que iniciou a carreira cantando música americana com o padrasto, o saxofonista americano Booker Pittman, aderiu ao sambalanço em uma gravação de 1965 que ela mesma havia esquecido, Samba de Molho, de Helton Menezes, um dos compositores mais identificados com o estilo.

Além dele, outros autores que dedicaram a carreira ao gênero são lembrados na apresentação. Dois deles, Orlandivo (1937-2017) e Sylvio César, foram cantores da banda do organista Ed Lincoln (1932-2012), que era considerado o rei do sambalanço.

Claudette ressalta que Orlandivo foi quem consolidou o gênero, munindo-se de um molho de chaves para cantar. “Ele era um cara extremamente inteligente, inventou uma coisa nova”, conta a cantora, que interpreta duas músicas dele, Samba Toff e Bolinha de Sabão.

Outro filiado honorário do sambalanço, Jorge Ben (hoje Jorge Ben Jor) é homenageado no show. Claudette interpreta Se Você Quiser, Mas Sem Bronquear, que ela e Doris gravaram praticamente ao mesmo tempo, em 1970.

A infalível Mas Que Nada, o primeiro sucesso de Jorge, aparece no fim do show, quando as três se reúnem. Juntas, elas ainda interpretam Só Danço Samba, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e Sambou Sambou, composta por João Donato e João Mello.

Eliana também quis celebrar o sambalanço até no figurino. “Descobri que, quando o sambalanço foi lançado, as mulheres vestiam roupas com bolinhas.” Antes dos ensaios para o show, a cantora passou em frente a uma loja e viu uma blusa preta com bolinhas brancas. Ela não teve dúvida: comprou para usar nas apresentações de Divas do Sambalanço. “Moda tem tudo a ver com música”, acrescenta.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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