Sem nunca apontar a metas eleitorais, ao longo das últimas semanas João Ferreira foi folheando as páginas da Constituição e assinalando apoios recebidos de “quadrantes diferentes” do seu. Esta noite, no hotel Sana Metropolitan voltou a esses apoios e diz que conta com eles “em batalhas fundamentais”, essencialmente no que diz respeito ao “fortalecer das raízes do regime democrático na sociedade portuguesa”.

Recusando abdicar da candidatura para que os portugueses pudessem encontrar no boletim de voto um única candidatura à esquerda, João Ferreira destacou o “combate pela democracia, liberdade e direitos dos cidadãos” que travou durante a campanha eleitoral. Já Jerónimo de Sousa haveria de notar que sempre que foi necessário o PCP teve “um rasgo democrático” para garantir a eleição de Presidentes da República que não eram no seu partido. “Estamos à vontade em relação à política unitária, num quadro em que existiram condições para isso. Não houve qualquer desenvolvimento na necessidade dessa convergência formal de uma candidatura que pudesse reunir várias forças”, justificou Jerónimo de Sousa.

Chegamos aqui ainda mais firmes e ainda mais empenhados na defesa da democracia, das liberdades e direitos democráticos. Ainda mais determinados para combater e derrotar projetos anti-democráticos e de confronto com a Constituição da República“.

João Ferreira que esteve nesta corrida acompanhado por um candidato que afirmava a intenção de jurar a Constituição já com o objetivo de a alterar, lembrou a história de luta contra o fascismo do Partido Comunista Português, personificou a honra desse passado de luta e deixou claro que cá continuaria para ser força de oposição e bloqueio à progressão dessas forças no país.

A Constituição contém soluções e caminhos para resolver os problemas do país e do nosso povo. A exigência do seu cumprimento será uma questão decisiva nos próximos cinco anos”.

Mas para isso, reafirma, é necessário alterar políticas para que os portugueses que procuram a resposta aos seus problemas nessas forças possam reencontrar a “esperança” necessária para não alimentar correntes populistas. E estará atento ao cumprimento da lei fundamental ao longo dos próximos cinco anos.

Sobre um segundo mandato de Marcelo a reação ficou a cargo de Jerónimo de Sousa. O secretário-geral do Partido Comunista Português dedicou, aliás, longos minutos iniciais a criticar o primeiro mandato de Marcelo, a atenção que recebeu nesta eleição e aquilo que, agora, poderá fazer num segundo mandato.

A reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta traduz o resultado expectável de uma elaborada promoção deste candidato que, para lá da vantagem ímpar decorrente do exercício das funções presidenciais, beneficiou da fabricação de um unanimismo ensaiado suportado num posicionamento promovido e propagandeado metódica e continuadamente. Um resultado que coloca a possibilidade real de, para lá das palavras, o agora reeleito Presidente da República exercer um segundo mandato com um alinhamento agora ainda mais explícito com os objetivos, interesses e agenda da direita, que nunca deixou de estar presente em importantes decisões adotadas no desempenho das suas funções”

Mas não foi só Marcelo o visado no discurso de Jerónimo. O secretário-geral do PCP fez questão de frisar que os resultados dos “candidatos que deram rosto às expressões mais reacionárias associadas aos interesses do grande capital revanchista, André Ventura e Tiago Mayan” ficaram “aquém da deliberada promoção e centralidade que alguns lhes quiseram atribuir”. Jerónimo voltou a destacar que é a “ausência de resposta cabal por parte do governo à extensão e dimensão dos problemas” que “abre espaço à instrumentalização para alimentar agendas reacionárias e justificar projetos antidemocráticos visando a Constituição”.