Portugal

A chanceler não quer que a Alemanha seja olhada como o mau da fita

1. A questão é simples: as propostas da chanceler alemã para a reforma da zona euro são suficientes para abrir caminho a um entendimento com o Presidente francês até ao Conselho Europeu de 28 e 29 de Junho? A resposta ainda não é definitiva. Parece, no entanto, haver um consenso entre os seus parceiros europeus no sentido de as considerarem um “sinal positivo” ou “uma boa base de negociação”.

Merkel aceita uma “capacidade orçamental” própria para a zona euro, que está longe do orçamento que Macron propôs e que visa, em primeiro lugar, o investimento nas reformas económicas necessárias para a convergência económica da zona euro. O Governo português insistiu bastante nesta ideia. Também a abertura da chanceler para transformar o MEE (Mecanismo Europeu de Estabilidade) numa espécie de Fundo Monetário Europeu, capaz de ir em socorro de um país obrigado a recorrer ao endividamento para enfrentar os danos provocados por um “choque assimétrico”, é vista como um passo em relação as pretensões iniciais do Presidente.

O seu gesto foi apreciado em Paris, ainda que com algumas reservas. Os dois líderes têm encontro marcado no dia 19 para finalizar uma proposta comum. Diz à Reuters Philippe Martin, que já foi conselheiro do Eliseu: “É o mínimo para evitar que haja um desentendimento entre a França e a Alemanha, numa altura em que poderia ser extremamente negativo.” Também à Reuters Laurence Boone, economista-chefe da Axa, acrescenta: “Devemo-nos considerar felizes pelo simples facto de a chanceler ter finalmente respondido.”

2. Merkel manteve oito meses de silêncio sobre o que pensava das propostas de Macron, apresentadas no seu discurso da Sorbonne em Setembro do ano passado e repetidas perante o Parlamento Europeu em Abril. A chanceler tem plena consciência de que não pode romper com o Presidente francês, nem impor-lhe um acordo em que a França não ganhe nada.

Por outro lado, sublinham vários analistas, precisa dele e da Europa para a “batalha” que terá de travar com Donald Trump, cujas medidas proteccionistas visam, em primeiro lugar, a Alemanha e a sua poderosa máquina exportadora. O Presidente americano já acenou com a ameaça de tarifas sobre os automóveis. A Alemanha é o país que mais exporta para os Estados Unidos.

Merkel e Macron têm pontos de vista diferentes em relação à forma como a União deve reagir. A chanceler quer uma resposta suave, de preferência sem retaliações, que leve o Presidente americano a sentar-se à mesa para encontrar uma solução negociada para o défice comercial dos EUA com a União Europeia. O Presidente francês, menos dependente do mercado americano e mais “dependente” do excedente comercial da Alemanha, defende medidas duras de retaliação.

A verdade é que muitos países europeus se queixam do mesmo que Trump, insistindo que a Alemanha reduza o seu excedente para bem do conjunto das economias europeias. O segundo factor de preocupação da chanceler chama-se Itália, vista como um sinal de que a reforma do euro não pode ser eternamente adiada, sob pena de vir a ficar em risco por razões de natureza política. O mais recente sinal de alguma boa vontade de Berlim veio do Eurogrupo, que, na semana passada, aprovou algumas medidas destinadas à redução do risco no sector bancário, incluindo a antecipação da entrada em funções de um backstop para o Fundo de Resolução Bancária, ao qual um país pode recorrer em caso de emergência, de acordo com um conjunto de condições de acesso.

 3. De Merkel nunca são de esperar grandes rasgos. Prefere os pequenos passos. Mas a chanceler está hoje mais limitada internamente nas suas opções europeias. A CDU tem uma ala mais à direita que se prepara para a sucessão e que é adversa a grandes concessões à França ou à Europa e fiel ao discurso sobre os países do Sul que vivem à conta dos contribuintes alemães. A CSU da Baviera encosta-se cada vez mais à direita, embora aí o problema seja sobretudo da imigração. Merkel quer o controlo comum da fronteira externa da União e a progressiva harmonização das leis de asilo. As suas propostas enfrentam a oposição feroz dos países da Europa do Leste, mas também de Itália, com o seu novo Governo, e muito provavelmente da Áustria. Já ninguém acredita que possa haver um consenso nesta matéria no Conselho Europeu, para a chanceler poder levar para casa.

4. Sobre a defesa as concessões à França são significativas, mas nem todas bem vistas internamente. Os dois países partiram de uma abordagem diferente. Macron queria uma “cooperação estruturada permanente” (Pesco) com um grupo de países mais restrito para mais facilmente conseguir uma visão estratégica comum. Merkel preferiu alargá-la a quem quisesse entrar, o que resultou numa maioria esmagadora de países. O número prejudica a eficácia.

Os EUA introduzem um novo factor de divisão. A Polónia acaba de oferecer a Trump dois mil milhões de euros para instalar uma divisão de blindados em território polaco. O argumento de Varsóvia é que já não acredita na NATO – ou nos seus aliados europeus – para garantir a segurança das suas fronteiras perante a Rússia. É uma linguagem de que o Presidente americano gosta: fornecer segurança a troco de pagamento. Os europeus ainda não sabem como lidar com o Presidente americano. Estão a descobrir que a América continua a ter uma enorme força, não apenas a nível militar, mas também económico e que isso dá a Trump uma grande vantagem negocial. Viu-se no Irão e vê-se agora na “guerra comercial” que decidiu travar para “reequilibrar” as trocas com o resto do mundo a favor da América. O mundo, incluindo a Europa e a China, habituou-se a contar com os EUA como “mercado de último recurso” e não está em condições de o dispensar.

A chanceler tem uma outra preocupação: não quer que a Alemanha seja mal vista pelos seus parceiros. Preocupa-a a estratégia de Trump para fazer dela o mau da fita na Europa, ou um governo italiano que faz dela o seu maior “inimigo”. Terá por isso de se esforçar.

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