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Portugal

Está feito o aviso: se nada for feito, as pessoas vão morrer de frio e do resto

A ONU apelou há meses a que as autoridades bósnias não só deixassem de encaminhar refugiados para o campo de Vučjak, localizado perto de áreas com minas que se encontram por desativar desde a guerra nos anos 90, como retirassem de lá todos quantos já ali se encontrassem. A esperança era que isso acontecesse finalmente antes deste inverno, mas estão ainda no campo pelo menos 600 pessoas, segundo a estimativa de Teresa Costa, voluntária da equipa portuguesa da organização não-governamental Refugees Welcome que se encontra noutro campo de refugiados na Bósnia mas visitou Vučjak “há cerca de uma semana”.

Ao Expresso, numa entrevista por telefone, conta que visitou o campo com outros voluntários para “tentar perceber se podia ser desenvolvida alguma ação” lá, mas “as necessidades são demasiadas básicas” para poderem ser colmatadas por um grupo pequeno “e por isso é necessária a ajuda de grandes organizações”. E há duas a trabalhar lá — a Federação Internacional da Cruz Vermelha, que distribui duas refeições por dia, bem como “tendas e sacos-cama, produtos de higiene e aparelhos para carregar os telemóveis”, conforme explicara já ao Expresso a própria organização, e a Médicos sem Fronteiras — mas sem capacidade para responder a tudo, diz Teresa.

“Trata-se de um campo a céu aberto com tendas que já lá estão instaladas desde o verão. Quando lá fomos, tinha chovido imenso e estava tudo cheio de lama. Eles não têm onde dormir e como se aquecer. Não há água potável e a única água que têm é-lhes distribuída por um município perto do campo, mas só uma vez por dia. O que significa que ao fim de uma, duas horas, não há água. Não há casas de banho, as que existem são portáteis mas não são limpas. Nunca foram limpas, estão imundas, é impossível utilizá-las.” Teresa Costa conta ainda ter ouvido de um dos refugiados com quem falou na visita ao campo que “os colchões estão tão encharcados de água que há pessoas a dormir sentadas” em vez de deitadas.

Um suplício que, meio ano depois da deslocação dos primeiros refugiados para Vučjak, se achava estar perto do fim com o encerramento do campo e transferência dos refugiados para outras instalações, mas que afinal não está. “Toda a gente achava que assim que começasse a nevar, o campo iria ser encerrado. Fizeram isso com outro campo no ano passado que nem sequer era assim tão mau como este.” Mas ainda não aconteceu nada, ainda não tiraram ninguém dali, e o que se sabe é que, a haver uma solução, “como a transferência para um campo em Tuzla”, a cerca de 100 quilómetros de Sarajevo, capital da Bósnia, ou para “outro ainda mais perto da capital, um centro de acomodação num antigo quartel”, só surgirá “daqui a 20 dias, um mês.”

Hannu-Pekka Laiho/Cruz Vermelha

Até lá continuará a ser inverno e o dia continuará a aclarar com as tendas cobertas de neve — distinguem-se apenas pequenos pedaços de pano cinzento claro entre escarpas brancas formadas pelas tendas caídas no chão, assim o mostram as fotografias que têm sido tiradas por quem está no local e que Teresa tem partilhado nas suas redes sociais porque “as imagens falam por si”. “É para este sítio que autoridades da Bósnia encaminham migrantes e refugiados”, lê-se na mesma publicação. Embora Teresa acredite que “as coisas não podem ficar piores do que já estão”, porque não deve haver assim coisas tão más quanto “viver no meio da neve sem roupa e de chinelos”, os que vivem no campo de Vučjak acham que sim, que pode piorar, e por isso deixaram de comer há dois dias.

Citado pela imprensa internacional, Selfe Midzic, da Cruz Vermelha, afirmou que os refugiados continuam “sem receber comida e água” e que a situação continua “tão difícil como nos dias anteriores”. De acordo com Midzic, “na terça-feira houve alguns anúncios de que o campo estaria fechado, mas tudo está como antes”, não havendo indicação de que isso aconteça e seja encerrado. Vários representantes do Conselho da Europa apelaram à evacuação urgente do campo e avisaram: se nada for feito, as pessoas vão morrer de frio e do resto.

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