Portugal

Mais medo

1. Disco: “Spare Ribs”, dos Sleaford Mods, é um disco todo ele político. Um grito de alma sobre os tempos que vivemos. Excelentes convidados (destaque para Amy Taylor) que acrescentam, letras fantásticas e indecorosas e a recusa de ser facilitista. Está lá tudo, sobre os tempos que vivemos. O COVID, o Brexit, a diária perda de liberdade.

“Spare Ribs” é um disco deste tempo que vivemos.

2. Livro: Mário Vargas Llosa é um dos meus escritores favoritos. Em “Tempos Duros”, que não é bem um romance estando mais para uma longa reportagem de investigação, volta ao tema da política, contando-nos a história do governo reformista de Jacobo Árbenz, na Guatemala, e do seu derrube com mão da CIA. Não é o seu melhor livro, mas ler Llosa é ter a segurança da qualidade. O peruano não desaponta.

3. Em 1989, pouco antes da queda do Muro de Berlim e do consequente esboroamento do comunismo (que ainda há quem continue a adorar), Francis Fukuyama escreveu “O Fim da História e o Último Homem”. Nas suas páginas, o autor discorre sobre a tese de que, com a vitória da democracia liberal, atingia-se o ponto final da evolução social humana e do seu modelo de governação. A evolução ideológica da humanidade chegara ao fim. “O estado que surge no final da história é liberal, na medida em que reconhece e protege através de um sistema de direito, o direito universal do homem à liberdade, e democrático, na medida em que existe apenas com o consentimento dos governados.”

Não demorou muito para que a teoria começasse a apresentar fendas e a se desfazer. Não porque a democracia liberal não seja o que de melhor temos como maneira de nos governarmos, mas porque houve um factor que ficou de fora: a natureza humana e as circunstâncias. A natureza humana esse “por maior” sempre pronto a destruir utopias. As circunstâncias, sempre diferentes no espaço e no tempo, que tudo condicionam.

Que não fiquem dúvidas de que a democracia liberal é o melhor sistema de governo que temos. Mas obriga todos, à sua defesa intransigente e a uma aceitação comum de onde acaba o “eu” e começa o “tu”.

Os caminhos que se nos apresentam não são bons: ou a democracia iliberal, ou este nascente higienismo/sanitarismo que de liberal também não tem nada.

Se deixarmos que as coisas sigam os caminhos que seguem, a democracia liberal será suplantada pela democracia iliberal, pelo autoritarismo competitivo ou pela ditadura. Há lições que se aprendem com a história e deixar que o passado se repita, mesmo com profundas diferenças, dá sempre mau resultado.

4. Estou farto de estar farto e voltei, ao fim de quase uma semana sem ver noticiários televisivos nacionais, a vê-los.

Fartei-me facilmente, ao fim de 35 minutos. Notícias atrás de notícias, de coisas sem interesse nenhum, a falar de COVID. Tenho para mim que, uma das causas do alheamento de muitos portugueses, em relação aos cuidados que deveriam ter, tem a ver com isto. De tanto se falar em COVID, tornou-se ruído televisivo a que muitos não ligam e a outros alimenta a cultura do medo. É chato, é desinteressante e não ajuda. É assustador e também não ajuda.

Andei a ver Sky News, CNN, Al Jazeera, Euronews e até a manipuladora RT, onde aprendi, e apercebi-me, de muito mais em menos tempo do que aquilo que as generalistas e canais de informação portugueses me oferecem.

Estamos, sem qualquer dúvida, perante um daqueles casos em que “menos é mais”. Muito mais.

5. Acho insuportável este medo colectivista alimentado por organizações governamentais e por grande parte dos media. Não é pela ciência nem pela explicação clara e objectiva que se comunica. O medo é a ferramenta. Isso tem um problema: a carga tem que ser continuamente aumentada… e aumentada… e aumentada.

A promoção do medo, como modo de expandir a carga de prevenção nas pessoas, é limitada e condicional. É então que entram os valores do colectivismo, do medo do grupo, como factor de compensação.

Já são inúmeros os estudos sociológicos, sobre a cultura do medo, que fornecem a base teórica para entender como a cobertura dos média, sobre o surto de coronavírus, ajuda a cultivar a ansiedade do público.

O medo da pandemia e os seus efeitos são um problema maior, e mais disseminado, do que a própria pandemia. O nível de medo dos efeitos da pandemia supera o nível de outras experiências negativas.

Tirando alguns, entre os quais me incluo, a maioria continua a olhar para tudo isto receando somente o problema de saúde pública e deixando de lado temas como a economia, a interacção social, o desemprego, etc.

Estamos todos muito mais ansiosos (o medo é o grande responsável por isso) e isso potencia estados de prostração, de depressão, o que afecta a nossa saúde mental.

Andamos com tanto medo que nem nos importamos que nos retirem liberdades, que se atropele a lei, que se dêem passos na direcção do controlo da nossa vontade. Não podemos ir onde queremos, comprar o que é da nossa vontade, estar com quem sempre gostámos de estar.

E, depois, lá vêm as teorias da conspiração que são abraçadas pelos mais vulneráveis. Teorias implausíveis sobre as causas e origens da pandemia e as respostas governamentais à mesma, deturpações simplistas e não científicas sobre medicamentos e dispositivos que supostamente previnem, tratam ou curam a doença. São estas vulnerabilidades que criam oportunidades predatórias para os não escrupulosos.

Compete, então, às entidades governamentais, responder com assertividade a estas tretas e falsas representações. Deveriam fazê-lo com comunicação clara e com base científica. Mas como o medo também é o que os conduz...

Não se fique com a ideia de que não entendo o momento e a necessidade de ceder, para que o bem maior prevaleça. Não sou de modo algum negacionista. O que me chateia, irrita, mesmo, é decidirem-se caminhos e modos sem explicações cabais e entendíveis. Esta falta de ciência, de transmissão de conhecimento, de capacidade de decidir sustentada em factos comprovados.

6. Eu detesto um certo Funchal, a cada 4 anos. Naquela altura que vai de Janeiro até às vésperas das eleições autárquicas. Quando andamos de carro a tropeçar em obras de alcatroamento por todo o lado.

Esta altura em que dá a febre do alcatrão aos gestores municipais, como se o prazo dos tapetes betuminosos fosse de um quadriénio.

Mudam as moscas, mas a validade do alcatrão é sempre a mesma.

Tão igualzinhos que eles são.

7. “Quase por uma lei da natureza humana, parece ser mais fácil, aos homens, concordarem sobre um programa negativo – o ódio a um inimigo ou a inveja aos que estão em melhor situação – do que sobre qualquer plano positivo. A antítese ‘nós’ e ‘eles’, a luta comum contra os que se acham fora do grupo, parece um ingrediente essencial a qualquer ideologia capaz de unir solidamente um grupo, visando à acção comum. Por essa razão, é sempre utilizada por aqueles que procuram não só o apoio a um programa político mas também a fidelidade irrestrita de grandes massas.” - Friedrich Hayek

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