O Presidente da República está “cautelosamente confiante” em relação à próxima fase de desconfinamento e não vê sinais que obriguem a colocar um travão na estratégia de reabertura da economia. Para Marcelo Rebelo de Sousa, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem mostrado resiliência e a pressão que se poderia esperar nos hospitais não tem existido, o que dá conforto suficiente para avançar com o plano.

Foi esta uma das principais mensagens deixadas por Marcelo nas audiências com os vários representantes partidários, que decorreram esta terça-feira, à porta fechada. O Observador sabe que Marcelo terá transmitido alguma tranquilidade apesar do aumento do índice de transmissibilidade — o chamado “R”. O Presidente entende, no entanto, que o número de internamentos nos hospitais e, em particular, nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI’s), permite ter alguma confiança no combate pandémico.

Mesmo tendo sido inicialmente contra o plano de desconfinamento desenhado pelo Governo, tendo mesmo deixado António Costa a defender sozinho essa estratégia. O Presidente da República tentou mesmo travar o Governo por entender que o desconfinamento devia avançar de forma mais lenta e apenas depois da Páscoa. Acabou por não acontecer mas, segundo apurou o Observador, Marcelo terá transmitido aos partidos que está satisfeito com os resultados.

Até por isso, a vontade do Chefe de Estado é que este seja o último Estado de Emergência. Foi esse pelo menos o sinal que Marcelo Rebelo de Sousa fez chegar aos partidos, embora tudo esteja dependente da evolução da pandemia — se o Governo tiver de responder a uma eventual explosão de novos casos, não será Marcelo a tornar-se um obstáculo.

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O que o Presidente da República não quer é que a figura do estado de emergência se banalize e quer que o Governo encontre alternativas legais que venham a enquadrar eventuais medidas de restrição que venham a ser adotadas, incluindo a nível regional.

Preocupado com os atrasos no plano de vacinação, Marcelo entende que o número de testes continua aquém do que seria expectável e desejável. Um dos focos de preocupação do Presidente da República é o foco escolar: na próxima semana, vão regressar às aulas presenciais os alunos do ensino secundário e superior e Marcelo terá defendido nas audiências desta terça-feira que o país precisa de reforçar esse esforço de testagem nas escolas.