Portugal

Morreu Lucky Peterson, um mestre dos blues contemporâneos

Aos 50 anos de carreira, Lucky Peterson sentia-se ainda “a aquecer” para a estrada dos blues. Foi isso que quis dizer com o título do álbum que lançou no ano passado, 50, Just Warming Up! (edição Jazz Village), e que, afinal, viria a ser o último de uma longa e celebrada discografia de mais de 30 títulos. O bluesman norte-americano morreu inesperadamente este domingo, aos 55 anos, num hospital de Dallas, no Texas, não resistindo a um acidente vascular cerebral. “Ele estava em casa quando se sentiu mal, e foi levado à pressa para o hospital, em estado crítico. Infelizmente, os médicos não conseguiram salvá-lo”, explicou a família num comunicado citado pela AFP e também no Facebook de Lucky Peterson, onde a morte do músico foi anunciada “com grande pesar”, e acompanhada de um pedido de orações e de respeito pela privacidade dos seus familiares.

Lucky Peterson era uma das figuras mais proeminentes do blues da actualidade, e muitos críticos consideravam-no mesmo o maior depois do desaparecimento de B.B. King.

Ao longo de uma carreira que começou muito precocemente, com um primeiro álbum gravado quando tinha apenas cinco anos, Lucky Peterson viria a lançar mais de três dezenas de discos, muitos deles ao lado de outras figuras dominantes da história dos blues, como as cantoras Etta James e Mavis Staples, o saxofonista Houston Person, a baterista Cindy Blackman ou o também grande Willie Dixon, que marcou sobremaneira os primeiros passos musicais do então pequeno organista.

Nas notas que acompanharam a edição de 50, Just Warming Up!, disco com que se encontrava, nos últimos meses, a fazer uma digressão europeia – no início do confinamento suscitado pela pandemia da covid-19, ficou mesmo retido algum tempo em Paris, refere o diário Le Parisien –, Lucky Peterson recuperou a frase de uma canção do álbum The Son of A Bluesman (2014) para sintetizar a sua história:Eu não escolhi os blues, foram os blues que me escolheram.”

O futuro dos blues

Assim foi: nasceu praticamente no meio deles. O seu pai, James Peterson, também músico, tinha um clube de blues na cidade de Buffalo, estado de Nova Iorque – onde Judge Kenneth “Lucky” Peterson nascera a 13 de Dezembro de 1964. Ali se cruzavam músicos de diferentes proveniências, alguns deles nomes maiores como Muddy Waters ou Willie Dixon. Quando este viu e ouviu o pequeno “Lucky”, com apenas três anos, a acompanhar esses músicos ao órgão, percebeu que ali se encontrava também o futuro dos blues. Decidiu apadrinhar a sua carreira e, dois anos depois, produziu o disco de estreia, Our Future: 5 Year Old Lucky Peterson. Era o início dessa longa carreira, que agora se viu abruptamente interrompida.

Paralelamente ao órgão e a outros instrumentos de teclas, Lucky Peterson virou-se depois também para a guitarra (e ainda para a trompa), e tornou-se um verdadeiro showman que facilmente incendiava os palcos.

Quando passou, em Março de 2001, pelo festival Gaia Blues, o crítico do PÚBLICO Nuno Ferreira descreveu assim a sua actuação: “O show de Lucky Peterson começou com uma entrada de leão, a invadir o espaço do auditório num blues escorreito e directo, sem contemplações. (…) Lucky Peterson atirou-se aos teclados do órgão Hammond, de pé, triturando os teclados, sempre em conjugação com Rico Mc Farland, o guitarrista, numa mostra de som esmagador e alegre que dominaria todo o show.”

Além de grande músico e intérprete, Lucky Peterson era esse animal de palco, uma encarnação em que cruzava com grande naturalidade e eficácia as linguagens dos blues, do rock e do funk.

Em disco, depois de várias gravações como músico de estúdio e de acompanhamento na década de 70, revelar-se-ia em nome próprio em 1989, com Lucky Strikes! (Alligator Records).

Na década seguinte, conquistou definitivamente o seu lugar na galeria dos grandes dos blues com Triple Play (1990), de novo para a Alligator Records, e depois I’m Ready (1993), o primeiro de sete discos que gravará para a etiqueta Verve – entre estes está o álbum que gravou com Mavis Staples de homenagem ao gospel e a Mahalia Jackson (1911-1972), Spirituals & Gospel: Dedicated to Mahalia Jackson (1996).

Em 2003, depois da saída de Black Midnight Sun, a revista New Yorker classificou-o como “um mestre da guitarra, do órgão e do microfone”.

O lado menos brilhante da sua carreira, recorda a AFP, foi a dependência da droga, mas Lucky Peterson celebrou a sua reabilitação em 2010 com o disco You Can Always Turn Around (Dreyfus). Deixa quatro filhos e a mulher, Tamara Tramell, também cantora de blues.

Football news:

Giroud has scored 6 goals in his last 10 Premier League games – the same number as in 51 games before
Liverpool leads its graduates through life. You'll Never Walk Alone in action
Ararat-Armenia won the Armenian championship for the second season in a row
Barcelona is ready to let Umtiti go. Lazio, Napoli, Roma and Torino are Interested in him
Dembele returned to training on the basis of Barcelona. He hasn't played since November
Milan will buy out Kjaer for 3.5 million euros
22 thousand tests before each match – so Union wants to return a full stadium. One game will cost more than a million euros