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Países árabes acusam Israel de "provocação" por repressão durante Ramadão

Na sexta-feira, segundo o movimento internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, mais de 200 palestinianos foram hospitalizados em resultado de confrontos com a polícia israelita, em Jerusalém, a maioria na Esplanada das Mesquitas, onde muçulmanos se reuniam para a última sexta-feira do mês de jejum do Ramadão.

A Liga Árabe, em comunicado do secretário-geral, Ahmed Abulgueit, hoje divulgado, condenou as ações das forças de segurança israelitas e considerou que "este ataque provoca sentimentos nos muçulmanos em todo o mundo" e "pode ?causar uma explosão da situação nos territórios ocupados".

Segundo Ahmed Abulgueit, "a escolha das forças de ocupação nesta época, durante o mês sagrado muçulmano, reflete uma intenção deliberada de provocar os palestinianos", e de causar uma "escalada", e o governo israelita é "completamente cativo dos colonos e sua agenda extremista".

A Jordânia, reconhecida como guardiã dos locais sagrados islâmicos e cristãos de Jerusalém Oriental, pelo tratado de paz de 1994 com Israel, foi um dos primeiros países do Médio Oriente a reagir ao que considerou um "ataque" à Mesquita de Al Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado no Islão, e "uma violação flagrante e uma ação selvagem".

O Egito exortou as autoridades israelitas a "parar qualquer prática que viole a santidade da Mesquita de Al Aqsa e o mês sagrado do Ramadão" e condenou, particularmente, a intenção de despejar famílias palestinianas no bairro Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, segundo nota do Itamaraty, divulgada pela agência Efe.

O Bahrein, que no ano passado se tornou o segundo país do Golfo Pérsico a estabelecer relações diplomáticas com Israel, pediu a Israel que parasse as "provocações inaceitáveis" na Mesquita de Al Aqsa e a evacuação de lares palestinianos de Jerusalém.

O Líbano descreveu como "brutal" o "ataque contra devotos inocentes" na mesquita simbólica e garantiu que a intenção de expulsar das suas casas os moradores de Sheikh Jarrah, "sob os olhos de todo o mundo", é "um comportamento que não difere de práticas de limpeza étnica".

O Qatar destacou que "o assalto das forças de ocupação israelitas à mesquita de Al Aqsa" é uma "provocação aos sentimentos de milhões de muçulmanos em todo o mundo" e "uma violação dos direitos humanos e acordos internacionais".

Em comunicado do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, também hoje divulgado, o Irão pediu às Nações Unidas a condenação do que chamou "crime de guerra", condenando o ataque "pelo regime militar que ocupa" Jerusalém e considerando que "este crime de guerra mais uma vez prova ao mundo a natureza criminosa do regime sionista ilegítimo" e exortando "as Nações Unidas e outras instituições a ele vinculadas a agir [...] para lidar com este crime de guerra".

Também o Governo turco, em comunicado hoje divulgado, acusou Israel de violar a liberdade de culto e atuar de maneira agressiva e provocadora, devido à intervenção da polícia na Esplanada das Mesquitas durante a oração da tarde, que motivou as 200 hospitalizações de palestinianos, e em que também seis polícias ficaram feridos.

O ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita, no entanto, emitiu um comunicado no qual não faz menção aos eventos na Esplanada das Mesquitas, limitando-se a mostrar oposição aos "planos e procedimentos de Israel para evacuar casas palestinianas em Jerusalém e impor a soberania israelita".

Há uma semana registam-se diariamente manifestações, marcadas por confrontos com a polícia israelita, no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental.

A disputa em Sheikh Jarrah está relacionada com o direito à terra onde são construídas casas para colonos israelitas.

Nesse bairro vivem quatro famílias palestinianas, ameaçadas de despejo pelos israelitas.

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