Portugal

Portugal e Venezuela reuniram em Genebra sobre TAP

O ministro dos Negócios Estrangeiros português e o seu homólogo venezuelano, reuniram-se esta segunda-feira em Genebra, Suíça, à margem da 43.ª Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, e uma semana após o regime de Nicolás Maduro suspender as operações da TAP.

A informação foi publicada na rede social Twitter pelo próprio ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, mas sem avançar pormenores sobre o encontro com Augusto Santos Silva. Segundo o canal estatal Venezuelana de Televisão (VTV), os dois ministros “falaram sobre temas de interesse para ambas as nações”. “Na reunião, ambos diplomatas reiteraram a disposição de continuar a trabalhar para consolidar as relações bilaterais”, indicou a VTV,

No encontro, o chefe da diplomacia portuguesa terá posto ao corrente o seu homólogo das conclusões do relatório da Inspecção-Geral da Administração Interna que iliba a TAP e o aeroporto de Lisboa de terem violado as regras de segurança no caso de um voo para a Venezuela, segundo o Ministério da Administração Interna.

Os resultados desta investigação “são muito claros ao indicar que, no aeroporto de Lisboa, na actuação quer das autoridades aeroportuárias, quer da companhia aérea TAP, não houve nenhuma violação de regras de segurança”, disse o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

A reunião de Genebra acontece uma semana após o Governo de Nicolás Maduro ter suspendido por 90 dias as operações da companhia aérea portuguesa na sequência de acusações de transporte de explosivos num voo oriundo de Lisboa, no qual viajou Juan Guaidó, autoproclamado Presidente interino daquele país sul-americano, e por ter ocultado a identidade deste.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, considerou, há uma semana, que a decisão das autoridades de Caracas era “inamistosa” e “injustificada”. Aliás, no mesmo dia, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, repudiou a suspensão considerando-a injusta, inaceitável e incompreensível.

Um dia depois, em Lisboa, o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou que não ia mudar a política de Portugal para com a Venezuela. “A política externa portuguesa é muito estável, clara e simples, toda a gente a entende”, insistiu o ministro. “A nossa expectativa é que a Venezuela levante a suspensão, porque não há motivo”, insistiu, à margem de um almoço da Câmara de Comércio Luso-Espanhola.

A TAP reagiu à sanção imposta pelo executivo de Maduro, referindo que “não compreende” a suspensão de voos que lhe foi aplicada, garantindo que esta é uma “medida gravosa”, que prejudica os passageiros e orçando em 10 milhões de euros os prejuízos pela suspensão, por 90 dias, dos seus voos duas vezes por semana entre Lisboa e Caracas.