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Que lesões podem surgir quando se joga futebol?

Apesar do esforço das equipas de saúde e performance em reduzir o risco de lesões, estas fazem parte do desporto. Estima-se que uma equipa de futebol de elite com 25 jogadoras tenha 50 lesões durante uma época desportiva. Uma lesão implica dias de ausência nos treinos e jogos e isso pode influenciar a prestação da equipa. Dentro destas 50 lesões, cerca de metade serão lesões musculares e cerca de quatro a cinco entorses do tornozelo.

As lesões musculares mais frequentes no futebol são na coxa. O grupo muscular mais afetado são os chamados “isquiotibiais”, na região posterior da coxa. Não é surpreendente porque este grupo muscular é muito solicitado num jogador de futebol! Os isquiotibiais são responsáveis pela flexão do joelho e ajudam na extensão da anca, com muita importância nos movimentos de aceleração, desaceleração e remate ou passe longo.

O risco destas lesões pode ser reduzido em 50% com a instituição de um programa conhecido por nordic hamstrings, que consiste em fazer várias repetições de um exercício com contração dos isquiotibiais em alongamento — na chamada contração excêntrica — ao longo da época.

Existem outras lesões, como a concussão, que apesar de ser uma lesão menos comum no futebol em comparação com outros desportos de contacto, tem merecido particular atenção por parte da FIFA e UEFA, pela sua gravidade. É um traumatismo craniano ligeiro que resulta de uma força impulsiva — por exemplo, com contacto cabeça com cabeça — que é transmitida ao cérebro.

Normalmente, a alteração da função neurológica é breve, com ou sem perda de consciência, mas há jogadores que podem apresentar sintomas durante semanas, como dores de cabeça, alteração do equilíbrio e da memória. É importante reconhecer em campo que o jogador pode ter sofrido uma concussão. Perante essa suspeita deve-se avaliar e, na dúvida, retirar o atleta de campo para reduzir o risco de uma lesão mais grave, a chamada “lesão do segundo impacto”.

Atualmente, a única forma de prevenir a concussão no futebol é através do cumprimento das regras do jogo, que penalizam de forma severa o contacto dos membros superiores com a cabeça desde 2006. Os árbitros têm um papel fundamental para prevenir as lesões de contacto.

Após uma lesão muscular ou uma concussão, inicia-se um processo de recuperação onde o jogador é acompanhado por uma equipa multidisciplinar que o vai conduzindo através de várias etapas. Apesar de existir um critério temporal que é preciso respeitar — baseado no que se conhece da recuperação do músculo, osso, ligamento, entre outros — a progressão do atleta faz-se também por critérios funcionais, se consegue ou não atingir determinados objetivos. Por exemplo: correr sem dor no músculo lesionado ou cabecear a bola sem dor de cabeça após uma concussão.

A recuperação depois de uma lesão varia muito de jogador/a para jogador/a e deve ser, por isso, um processo altamente individualizado e baseado em dados objetivos. Deve-se avaliar não só as qualidades físicas, como a força e velocidade, mas também a prontidão psicológica para regressar à competição.

O sucesso da recuperação de uma lesão não se pode medir só pelo número de dias de ausência (quanto menos melhor). No processo de reabilitação também se deve otimizar o desempenho desportivo até atingir o nível pré-lesão — ou superior se possível — e reduzir o risco de lesão em geral e, em particular, de uma recidiva.

O acompanhamento de cada jogador/a por parte de uma equipa clínica multidisciplinar é fundamental para a prevenção, diagnóstico, tratamento e recuperação de lesões relacionadas com o exercício físico e a prática desportiva. Jogadores de todas as idades, sejam atletas de nível recreativo ou profissionais, podem beneficiar deste acompanhamento.

O sucesso de uma equipa de futebol está muito ligado ao número de jogadores/jogadoras com que pode contar para cada jogo, sem lesões. Quanto mais atletas a equipa tiver disponíveis, maior a probabilidade de vencer o jogo. Os vencedores têm que ser líderes não só na performance desportiva, mas também na saúde dos seus jogadores e jogadoras!

A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990