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Simon Cheng, ex-funcionário da embaixada britânica em Hong Kong torturado na China recebe asilo político no Reino Unido

Em 2017, Simon Cheng começou a trabalhar para o consulado britânico numa equipa que tinha como principal função promover a Escócia como bom destino para investimentos estrangeiros. Atualmente com 30 anos, Cheng tornou-se, no fim de junho, o primeiro cidadão britânico com passaporte de residente estrangeiro em Hong Kong a ser admitido como refugiado político. De mero funcionário consular, Cheng passou a símbolo da luta pela democracia em Hong Kong depois de ter sido preso, o ano passado, e torturado durante 15 dias pelas autoridades chinesas que o acusaram de ser “um espião estrangeiro”, “um detrator da pátria”, “um pedaço de esterco” e alguém que merecia ser alvo de “medidas autocráticas de punição”.

Quando os protestos de 2019 começaram a ganhar tração, Cheng ofereceu-se para ir enviando informações para o Reino Unido sobre o que estava a acontecer no terreno, voluntarismo bem recebido pelas autoridades britânicas competentes na matéria. Dia 8 de agosto, cerca de três meses depois do início dos protestos, Cheng desapareceu. Tinha sido detido no regresso de uma viagem de negócios a Shenzhen, uma das primeiras grandes cidades chinesas depois da fronteira com Hong Kong e Macau, com imensas oportunidades comerciais.

Durante 15 dias durante os quais não pôde ligar nem ao seu advogado nem à sua família, Cheng esteve desaparecido, a ser interrogado durante várias horas seguidas numa sala sem janelas, sob tortura, contou o próprio ao “Guardian” e à BBC, assim que soube que tinha sido aceite como refugiado político no Reino Unido. “Fui amarrado, amordaçado, taparam-me os olhos e colocaram-se em posições de grande desconforto físico ao longo de horas. Quando me mexia, davam-me com um pau com picos”, contou Cheng.

As autoridades chinesas souberam que ele tinha estado a enviar informações sobre os protestos ao Reino Unido e retiraram-lhe o telefone, onde várias mensagens trocadas entre Cheng, outros funcionários consulares, o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico e dezenas de manifestantes provaram que Cheng foi sempre um forte apoiante dos protestos anti-regime.

Os seus interrogadores acusaram-no de arquitetar todos os protestos e ameaçaram-no com uma pena por espionagem, que significaria uma pena perpétua para o jovem Cheng que chegou a ameaçar suicidar-se se não fosse libertado.

A partir do segundo dia, Cheng garante que foi colocado numa solitária e obrigado a assinar declarações falsas onde confessava que tinha ajudado o Governo britânico a desenhar toda a onda de protestos em Hong Kong, que tinha sido “usado por poderes estrangeiros” e que tinha conseguido junto desses mesmos países ajuda financeira para os manifestantes. Quando finalmente o libertaram, as autoridades chinesas publicaram também um vídeo onde se vê Simon Cheng a confessar ter pago a prostitutas por sexo.

A meio dos 15 dias de detenção, contou ainda, as autoridades transferiram-no, com os olhos vendados, para outro local onde foi pendurado pelos braços várias horas e depois colocado em posição de “X’, com os braços e pernas abertos e esticados durante outros longos períodos de tempo. Quando tentava dormir, era acordado pelos guardas a obrigado a cantar o hino chinês.

“Estou muito agradecido ao Reino Unido pela coragem demonstrada na proteção dos seus cidadãos que vivem no estrangeiro”, disse Simon Cheng numa conferência de imprensa a partir de um país não identificado. “A decisão baseia-se em convenções das Nações Unidas que justificam que o meu caso é de facto perseguição política. Sair de Hong Kong é apenas o início de uma luta que tem de continuar a ser feita, contra o totalitarismo e pela democracia e liberdade, não só em Hong Kong mas também na China”.

Cheng acredita que se voltar a Hong Kong vai ser levado para a China para ser julgado, uma ameaça que lhe foi feita por quem o prendeu, caso ele revelasse o que se tinha passado na prisão durante esses 15 dias.

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