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Hospital Moinhos de Vento aluga contêiner para colocar corpos, em Porto Alegre: ‘É um campo de guerra’, diz superintendente

Instituição estava com 119,7% da ocupação de leitos de UTI nesta terça (2). Segundo médico Luiz Antônio Nasi, necrotério da unidade precisou ser ampliado para comportar os mortos por Covid.
Por G1 RS

O superintendente médico do Hospital Moinhos de Vento, o maior da rede privada de Porto Alegre, afirmou que a unidade vive um cenário de guerra no combate à pandemia. A declaração de Luiz Antônio Nasi foi feita durante entrevista ao Jornal GloboNews Edição das 10, na manhã desta terça-feira (2).

“É um campo de guerra. Todo mundo sendo mobilizado no hospital, médicos, anestesistas, enfermeiros de todas as áreas. Nós estamos, realmente, com uma situação calamitosa”, afirmou.

O hospital é o que registra maior ocupação de leitos de UTI na Capital do RS, nesta manhã , com 119,7% de lotação, conforme levantamento da Secretaria Municipal da Saúde. Até às 07h47, eram 79 pacientes em 66 vagas. Em toda a cidade, segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a ocupação era de 100,4% às 9h.

Do total de internados no Moinhos, são 72 pessoas com Covid-19 e um com suspeita da doença. A fila de espera registra quatro pacientes, sendo três com coronavírus.

O bloco cirúrgico do hospital foi fechado e as salas de recuperação foram transformadas em UTIs.

O Rio Grande do Sul teve um incremento de 65% no total de leitos de UTI em relação a abril de 2020, início da pandemia, já o total de pacientes hospitalizados aumentou 183% no mesmo período. O crescimento do número de pessoas que precisam de um leito é, portanto, quase o triplo da expansão do sistema de saúde.

“O aumento [de internações] foi muito abrupto. Não existe sistema que dê conta. É surpreendente pela forma como avança de forma mais veloz e forte. É repentino, inesperado. Não tem nenhuma previsibilidade”, afirma Bruno Naundorf, diretor do Departamento de Auditoria do SUS e membro do Comitê de Crise da Secretaria Estadual da Saúde

Os problemas no Moinhos de Vento não são apenas no cuidado de pacientes em atendimento. De acordo com o superintendente, a unidade precisou ampliar a estrutura para alocar os mortos.

“A nossa lista do morgue, ontem [segunda], ultrapassou a capacidade de acomodar as pessoas que faleceram dentro do hospital. Estamos contratando um contêiner para poder colocar as vítimas”, relatou Nasi.

A partir desta terça (2), a instituição instalou, provisoriamente, um contêiner refrigerado anexo ao hospital. “Será utilizado somente em caso de real necessidade, considerando a possibilidade de atrasos na retirada dos óbitos por parte das funerárias, realidade essa percebida em outras cidades do Brasil e do mundo”, informou o Moinhos. A estrutura atual comporta até três corpos e está adequada às normas, condições de normalidade e porte do Hospital Moinhos de Vento.

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Avaliação do superintendente

Segundo Nasi, o hospital já atendeu mais de 7 mil pessoas com coronavírus ao longo do último ano. Atualmente, a maioria dos pacientes internados é composta por jovens.

“Nós atingimos o apogeu da gravidade. Os pacientes, além de serem mais jovens, estão muito mais graves. O tempo de permanência na UTI e os recursos dispensados para melhorar a oxigenação dos pacientes foram multiplicados”, contou.

Na avaliação do superintendente médico, a circulação da variante brasileira do coronavírus é a principal hipótese para o agravamento da pandemia no RS. Luiz Antônio Nasi sugere que o trânsito de pessoas e de pacientes com Covid-19 entre os estados ajudou na disseminação do vírus.

“Talvez as medidas sanitárias necessárias sejam, neste momento, de restringir ao máximo as fronteiras [divisas entre os estados] para que a gente possa controlar a disseminação no Brasil”, disse o médico.

Nasi reforça que, em razão das mutações da nova variante, o vírus em circulação é diferente do que era disseminado no início da pandemia.

Bandeira preta

O especialista comentou ainda sobre a eficácia das medidas adotadas durante a vigência da bandeira preta no Rio Grande do Sul. A classificação do governo do estado é a mais grave, representando risco altíssimo de disseminação do vírus.

“Nós achávamos que estávamos no fim da epidemia. E essa doença não é sazonal, ela é comportamental. No momento em que nós temos a liberação da população para as atividades usuais, imediatamente, duas semanas depois, o sistema de saúde colapsa de novo”, observou.

Luiz Antônio Nasi cobrou um “mutirão” da sociedade para seguir os protocolos de segurança.

“Essa onda de sobe e desce no movimento dos hospitais e das UTIs é devido ao comportamento leniente de alguns núcleos sociais, do próprio comércio. Nós precisamos ter um mutirão de alinhamento em relação às próximas semanas”, alertou o médico.

Vacinação

Nesta terça, o Rio Grande do Sul alcançou a marca de 483.152 pessoas vacinadas, sendo que 111.523 já receberam a segunda dose. Para o superintendente do Moinhos de Vento, o número ainda é baixo.

“É a única arma efetiva que nós temos. Se não, nós passamos o tempo inteiro atuando de forma reativa e não de uma forma que permita que nós possamos nos adiantar no atendimento desta situação”, comentou Nasi.

O estado totalizou, na segunda (1), 12.470 mortes por coronavírus e 643.672 casos positivos da doença.

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