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15 fatos mostram que comunidade judaica não apoiou Bolsonaro

8. Depois de vetar Bolsonaro, clube A Hebraica de São Paulo recebeu os ativistas do movimento negro Douglas Belchior e Erica Malunguinho para palestras:

Pouco tempo depois do cancelamento da palestra de Bolsonaro na Hebraica de São Paulo, o clube paulista recebeu o candidato a Deputado Federal Douglas Belchior (PSOL) e a candidata à Deputada Estadual Erica Malunguinho (PSOL) no Festival Aponte, organizado pelo grupo Jovens Sem Fronteiras.

Conhecido como Negro Belchior, Douglas é professor e fundador do Movimento Uneafro-Brasil, além de ativista pelo direito à educação e no movimento negro. Já Erica Malunguinho é criadora do quilombo urbano Aparelha Luzia e está vinculada às lutas antirracistas e de gênero. Erica foi eleita, tornado-se a primeira mulher transexual da Assembleia Legislativa de São Paulo.

A palestra dos dois no clube de São Paulo foi vista por muitos como uma resposta à presença de Bolsonaro na Hebraica do Rio.

9. Racha na comunidade judaica chegou, inclusive, ao empresariado:

Quando a revista Piauí publicou entrevista com Meyer Nigri, fundador da Tecnisa, em que ele dizia acreditar que “90% da comunidade judaica seja a favor de Bolsonaro”, a reação foi imediata.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib), divulgou nota lamentando a “atitude de alguns de seus membros, que pretendem identificar a comunidade com um ou outro candidato”.

Claudio Lottenberg, ex-presidente da Conib e do Hospital Albert Einstein, disse que Nigri não tem “nenhuma legitimidade” para falar em nome dos judeus. “A comunidade é absolutamente plural, inclusive há vários judeus em diversos partidos, como Goldman, no PSDB e Jacques Wagner, no PT”, afirmou.

Já Henry Chmelnitsky, presidente do Conselho Geral das entidades ligadas à Federação Israelita do Rio Grande do Sul, ex-vice da Conib e ex-presidente da Federação Israelita gaúcha, lembrou: “Em toda minha vida, nunca vi uma reunião com mais de dez judeus, em que nove fossem a favor da direita. Ele não representa a média da comunidade, que sempre transitou pela diversidade e nunca teve lideranças ligadas aos extremos”.

Alberto Goldman e José Goldemberg também se manifestaram.

Meses depois, o embaixador de Israel, Yossi Shelley, recusou-se a participar de jantar oferecido pela Conib por discordar das críticas da entidade a Jair Bolsonaro. Os empresários Meyer Nigri (Tecnisa), Eli Horn, (Cyrella) e Fabio Wajngarten (secretário de Comunicação do governo federal) também não compareceram.

10. Foram diversos os manifestos da comunidade judaica contra Bolsonaro antes das eleições:

Foram muitos os abaixo-assinados e manifestos organizados por grupos da comunidade judaica. Um deles, assinado junto com grupos da comunidade muçulmana, dizia:

Nós, muçulmanos e judeus, que conhecemos os horrores da islamofobia e do antissemitismo, temos a sensibilidade aguçada para perceber que, entre todas as barbaridades proferidas por este candidato, a mais emblemática, por atingir vários segmentos, foi a de que as minorias devem se curvar à maioria. Essa frase ecoa fundo no coração daqueles que sofrem diariamente a brutalidade do preconceito e da não aceitação, contrariando a nossa Constituição, que nos garante o direito de vivermos em um Estado Laico. As minorias religiosas se sentem ameaçadas em seus direitos à prática de seus cultos, e até mesmo, nas suas existências.

O discurso de ódio fomentou a união de muitos subsetores existentes nas mesmas minorias, e nos une contra o inimigo comum. Manifestamos o nosso mais profundo repúdio a todas as formas de intolerância que possam comprometer o convívio salutar dos cidadãos com todas as suas diferenças, sejam religiosas, de gênero, de cor ou de ideologia política. Ressaltamos que nossa luta não se restringe apenas à figura pessoal do candidato, mas a tudo que ele representa e todos os que reproduzem o seu discurso.

Nossa bandeira comum, como muçulmanos e judeus é barrar toda forma de violência, de preconceito e qualquer outro elemento que dê base ao projeto fascista desse homem e de seus seguidores.

11. Judeus participaram de ato em São Bernardo do Campo quando foi anunciada a prisão de Lula:

Em abril de 2018, judeus estiveram presentes no ato inter-religioso realizado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em protesto contra a ordem de prisão do ex-presidente Lula.

Na ocasião, Nelson Nisenbaum afirmou: “A liberdade e a justiça são valores fundamentais para nós, judeus… Nós sofremos com o nazismo na Alemanha, e nós estamos sentindo o cheiro do fascismo aqui no Brasil. Onde houver fascismo, o judeu estará ferido. Não interessa contra quem. Se o negro está ferido, o judeu está ferido, se o muçulmano está ferido, o judeu está ferido”.

12. Às vésperas das eleições, um rabino visitou Lula na prisão, em Curitiba:

Impedido de concorrer nas eleições presidenciais de 2018, o ex-presidente Lula recebeu a visita do rabino Jayme Fucs Bar na prisão, em Curitiba.

Integrando uma comitiva de cerca de 35 judeus e judias de vários estados do Brasil, o rabino, radicado em Israel, deixou o kibutz Nachshon, onde vive, especialmente para a visita.

“Entrei e me apresentei: ‘Meu nome é Jayme Fucs Bar’. Para quebrar a formalidade, rapidamente acrescentei: ‘Sou um rabino vermelho’ e o abracei fortemente. ‘Este abraço não é somente meu, mas de milhões de brasileiros que apoiam e rezam por você’”, contou o rabino.

13. Glenn Greenwald é judeu:

Entre todos os opositores de Bolsonaro no Brasil, talvez o que mais tenha contribuído para abalar um dos alicerces do atual governo seja Glenn Greenwald.

Fundador do The Intercept, site que publicou as conversas vazadas entre procuradores e juízes da Lava Jato, Greenwald é judeu — e não esconde esse fato.

14. Protestos contra Bolsonaro em Israel fizeram presidente antecipar volta ao Brasil:

Desde a primeira viagem que fez a Israel, em maio de 2016, Bolsonaro enfrentou protestos de judeus que moram no país. Na ocasião, foram preparados cartazes ironizando a visita ao Museu do Holocausto, dizendo: “Visita o Yad Vashem mas apoia a tortura”.

E assim foi também quando Bolsonaro, depois de eleito, voltou ao país. Um ato convocado pela ONG israelense Associação Pró-LGBT em frente à embaixada do Brasil em Tel Aviv foi programado para apenas horas depois da chegada do presidente, no dia 31 de março. Um dia antes da partida, em 2 de abril, novo protesto, dessa vez no Centro de Jerusalém, organizado por judeus brasileiros. Durante a estada de Bolsonaro em Israel, foram penduradas faixas com os dizeres “A Terra Santa não quer homofóbicos aqui” e “Bolsonaro stop Amazon destruction”, esta última pelo Greenpeace.

Segundo a revista Veja, o medo de novos protestos levou, inclusive, o presidente a antecipar o retorno ao Brasil, cancelando um encontro com brasileiros que vivem na cidade de Ranana.

15. Comunidade fundou o grupo “Judeus pela Democracia”:

O repúdio a Bolsonaro aproximou judeus em grupos de Facebook reunindo milhares de pessoas, que deram origem a uma série de coletivos. Parte desses coletivos tinha objetivos pontuais e já foi desfeita. Outros, como o Judeus pela Democracia, perduram e têm liderado a oposição judaica ao atual governo. Vale acompanhar.

“Mas e os judeus que apoiaram?!”

Muito judeus apoiaram e seguem apoiando Bolsonaro. Um, inclusive, integra o alto escalão do governo. Mas eles não são a comunidade judaica. A comunidade judaica é plural e só não vê quem não quer. Quer cobrar os que apoiaram? Provavelmente verá a adesão de todo esse pessoal listado acima.

Contudo, atribuir a vitória de Bolsonaro, que recebeu 57 milhões de votos, aos judeus brasileiros, que são 120 mil pessoas, é mais do que um erro: é a tentativa de encobrir os verdadeiros motivos e grupos responsáveis pela vitória do presidente.