Brazil

Costureiras de marcas ocidentais denunciam demissões e repressão na Ásia

Padma, uma costureira indiana, confecciona roupas para grandes marcas ocidentais há 10 anos. Foi demitida e agora acusa seu chefe de ter usado a crise do coronavírus como pretexto para se livrar dela e “quebrar” o sindicato.

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Milhares de trabalhadores sindicalizados foram demitidos das oficinas de vestuário na Ásia desde o início da pandemia, de acordo com organizações de defesa dos trabalhadores, que instam Zara, H&M e outros grupos ocidentais a tomar medidas sobre o assunto.

Todas as manhãs, Padma se desloca para a fábrica Euro Clothing Company II em Karnataka, sul da Índia, um estado onde 20% dos produtos têxteis do país são produzidos. Todos os dias, senta-se perto das máquinas de costura, paradas desde o início de junho, e permanece em silêncio por horas para protestar contra sua demissão.

No total, 1.200 trabalhadores, em sua grande maioria mulheres, perderam o emprego e 900 eram sindicalizados.

“Estou suando aqui há anos por US$ 4,6 por dia”, lamenta a trabalhadora, que supervisionava o acabamento de jaquetas, camisetas e calças antes de serem enviadas para as lojas suecas da H&M.

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Seu empregador, Gokaldas, possui mais de 20 fábricas. Mas a sua é a única em que a maioria dos trabalhadores fazia parte de um sindicato.

O chefe “quebrou o sindicato sob o pretexto da pandemia”, denunciou Gautam Mody, secretário geral da New Trade Union Iniative (NTUI), um sindicato que representa muitas organizações de trabalhadores na Índia.

Procurada pela AFP, a empresa Gokaldas se recusou a comentar.

H&M, por sua vez, confirmou o fechamento da unidade e afirmou que estava “em estreito diálogo com os sindicatos e o fornecedor […] para ajudá-los a resolver o conflito pacificamente”.

– Enormes perdas –

Com a crise da saúde, muitas marcas ocidentais cancelaram bilhões de dólares em pedidos ou exigiram que seus fornecedores, concentrados na China, Índia, Mianmar, Bangladesh ou Camboja, baixassem seus preços.

O resultado é que muitos funcionários têxteis, principalmente mulheres de áreas rurais, foram parar nas ruas.

Somente em Bangladesh, o segundo maior exportador de prêt-à-porter do mundo, mais de 100.000 trabalhadores perderam seus empregos e “mais da metade” deles estavam envolvidos em organizações sindicais, de acordo com Rafiqul Islam Sujon, presidente do BGSSF, um sindicato especializado no setor.

Em Mianmar, 298 trabalhadores sindicalizados que foram demitidos de uma fábrica de Yangon escreveram ao fundador da Zara, o espanhol Amancio Ortega, a sexta maior fortuna do mundo com € 55 bilhões, segundo a revista Forbes.

“Um homem com tanta fortuna certamente não precisa tirar proveito da pandemia global para quebrar nossos sindicatos”, defendem, pedindo que intervenha, em um e-mail ao qual a AFP teve acesso.

Mas as grandes marcas se escondem atrás de elaborados códigos de conduta, sob pressão internacional, para direcionar as políticas de seus subcontratados.

Um porta-voz do Inditex, proprietário da Zara, disse à AFP que “eles proíbem expressamente qualquer discriminação contra os representantes dos trabalhadores”, enquanto que o britânico Primark insistiu que “todos os trabalhadores têm o direito de se unir ou formar sindicatos”.

Declarações “muito tímidas” por parte de marcas poderosas, considerou Scott Nova, diretor executivo do Consórcio pelos Direitos dos Trabalhadores, que defende a solução de “romper toda a colaboração se a violação persistir”.

Por sua parte, os sindicatos estão em uma posição muito delicada, pois se opor às demissões pode levar a penas de prisão.

Em 31 de março, dezenas de trabalhadores sindicalizados foram demitidos da fábrica de couro Superl no Camboja, onde são produzidas bolsas para marcas como Michael Kors, Tory Burch ou Kate Spade.

Soy Sros, representante sindical, protestou no Facebook. Dois dias depois foi acusada de espalhar informações falsas e detida.

Ela passou 55 dias na prisão e, embora tenha sido libertada, ainda é objeto de acusação.

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