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Liberadas só na segunda, praias de Salvador enchem de banhistas

Com a temperatura ambiente marcando 27°C, e sensação térmica de 29°C, os praieiros anteciparam o banho de mar na orla de Salvador na manhã deste domingo (20). No último dia de interdição total das praias, muitos estavam em família ou em grupo de amigos. O argumento para furar as regras de isolamento social é de que o risco de contágio pelo novo coronavírus é menor nas praias se comparado aos bares, restaurantes e shoppings, já liberados para clientes.

As praias de Salvador foram liberadas para uso de banhistas pelo prefeito ACM Neto na sexta-feira (18), porém, a regra vale a partir desta segunda (21). Todas continuarão fechadas nos finais de semana e algumas também às segundas. Em dias de feriado, nenhuma poderá abrir. O uso de máscara é obrigatório enquanto o banhista estiver na areia.

"Não estamos permitindo o funcionamento das praias no final de semana e nem feriados para evitar aglomerações. No caso do Porto da Barra, do Buracão e da Paciência, elas não vão reabrir porque possuem uma faixa de areia muito pequena e que tradicionalmente aglomeram muita gente, independente do dia", disse.

"É uma questão de segurança. Mesmo nos dias de semana poderiam ser palco de aglomeração", continuou. "No caso das praias do Subúrbio, Ribeira, Amaralina e Itapuã, elas também costumam reunir muita gente às segundas e por isso não estarão abertas nesse dia", explicou ACM Neto.Todas as outras da cidade terão funcionamento de segunda à sexta. O horário é livre nos dias liberados para todas as praias.

Praia de Piatã ficou lotada no domingo (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Piatã
O CORREIO percorreu algumas praias como Amaralina, Boca do Rio, Itapuã e Stella Mares e, apesar da pequena presença da fiscalização, os banhistas não se intimidaram. Na praia de Piatã, enquanto os três guardas municipais estavam na orla, próximo ao antigo Casquinha de Siri, a população se espalhava em grupos por toda a areia.

“Como é que as pessoas não podem vir às praias no sábado e no domingo, os únicos dias de lazer, mas podem no final de semana beber e comer nos bares e restaurantes às margens da praia? Por que aqui não pode, que é local aberto, ventilado, mas é só atravessar a pista que está tudo permitido? O certo era não abrir nada. Como é que permite nos outros dias e no final de semana não? O povo avacalhou”, declarou o vendedor Pedro Paulo Guimarães dos Santos, 33 anos, ao lado do filho Pedro, de 3 anos.

A alguns metros de pai e filho, estava um grupo de quatro banhistas, entre elas a esteticista Alene Guimarães, 36, que já teve a covid-19. “Desde quando começou a pandemia, só saía de casa para ir ao mercado. Mesmo tomando todos os cuidados, eu e a minha mãe tivemos a doença. O mercado tem muito mais riscos, porque é um ambiente fechado, do que a praia”, argumentou deitada sobre uma canga.

Vendedores ambulantes e banhistas na praia de Piatã (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

O marido dela, o operador de cobrança Esdras Gomes Barbosa Pereira, 31, defende a praia nos finais de semana. “Quem trabalha a semana toda, estuda, cuida de casa e dos filhos, só tem o sábado e o domingo para relaxar. Ir à praia de segunda à sexta é privilégio de poucos”, disse ele, enquanto segurava uma lata de cerveja. 

A opinião do casal é o mesmo entendimento de duas amigas sentadas na areia. “Quem tem dinheiro fica na sua casa com piscina ou vai para a casa de praia. Mas o pobre, que trabalha igual a um condenado, não tem outra diversão. É a praia mesmo”, opinou a técnica em laboratório Emanuela Alcântara Tosta, 33. “Tomar banho de mar e andar na areia. Pra quê coisa melhor para reforçar a imunidade?”, emendou a técnica em segurança do trabalho, Geovana Araújo dos Santos, 34.  

Stella Mares
A situação na Praia de Stella Mares não foi diferente. A areia estava tomada de banhistas. O analista de sistema Elton Oliveira, 41, argumentou também que o ambiente aberto oferece menos risco à contaminação.

Praia de Stella Maris (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

“Se você libera no durante a semana, por que não o final de semana? Isso é relativo, porque no verão, a segunda na praia da Barra é lotadíssima. É melhor estar aqui na praia do que num shopping ou cinema, por exemplo. Aqui as pessoas estavam afastadas e estamos ao ar livre. Depois desse tempo todo, esta é a primeira vez que viemos à praia”, disse ele, que pegava um sol ao lado da mulher, Ana Cláudia Isensee, 31.

“Estamos afastados de outras pessoas, trouxemos tudo de casa para evitar o contato que é comum na hora que se comprar algo, trouxemos nossas máscaras, álcool em gel, enfim, estamos fazendo a nossa parte. Vale mais a consciência de cada um”, declarou enquanto se bronzeava.   

A vendedora Shirlei Doria, 38, pretendia ir com a família aproveitar o domingo nas praias do Litoral Norte. Mas acabou desistindo por conta da distância e resolveu parar em Stella. “Me assustei! Não esperava encontrar tanta gente assim. Mesmo as pessoas um pouco mais afastadas das outras, pensei que aqui estaria vazio. A segurança nós só teremos com a chegada da vacina. Até lá, só precaução”.

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