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No combate à pandemia, Bolsonaro age como pai irresponsável, diz Dráuzio Varella

O presidente Jair Bolsonaro não tem cumprido com suas obrigações durante a pandemia de covid-19. A conclusão é da economista Monica de Bolle e do médico sanitarista Dráuzio Varella. Eles participaram de uma conversa virtual patrocinada pela Editora Intrínseca na noite desta sexta-feira (25), com o tema Sem Saúde não há Economia.

Drauzio Varella comparou Bolsonaro a um pai de uma família desestruturada. Isso porque o presidente confundiu a população com seus discursos e ações em sentido contrário aos preconizados pela ciência e autoridades de saúde, entre outras ações descabidas para o momento.

“Quando você tem uma casa com uma família grande, quando você tem uma pessoa contagiada, você separa a pessoa, os talheres, os pratos, todo mundo usa máscara. Entra um só para levar os alimentos. Essa é uma medida padrão. Mas imagina que seu marido fala pra não fazer nada disso, mesmo se a mãe for contra. Como ficam os filhos? Ficam confusos”, disse o médico.

Negação da covid-19

Outro ponto de desordem apontado por Dráuzio tem relação com a falta de mobilização do Ministério da Saúde. O Brasil ficou mais de 100 dias sem comando na pasta, após a demissão de dois profissionais que se negaram a seguir o “terraplanismo” de Bolsonaro em negar a covid-19. “Vimos atitudes desorganizadas no Ministério, quando dependíamos muito dele. Tivemos ordens mistas que confundiram a população. Graças a governadores e prefeitos começamos, tentamos fazer um distanciamento”, disse.

A desigualdade também foi apontada como causa de um dos piores cenários do mundo. “Mas um país desigual como o Brasil não tem condições de manter o isolamento de forma adequada. Não dá pra fechar supermercado, não dá pra tirar segurança das ruas. Os mais pobres fazem esse trabalho, moram em habitações precárias, dividem espaços e têm dificuldade em fazer isolamento. Brasileiros não têm reservas para ficar em casa um mês. Falta comida”, alertou.

Bolsonaro reduz orçamento

“Tudo que deveríamos ter feito em relação às intervenções não farmacêuticas, não fizemos. Não fizemos um distanciamento social adequado, agora não estamos fazendo mesmo. Não temos testagem em massa, não temos rastreamento de contágio. Mesmo tendo a riqueza do SUS, que poderia ser bem utilizado, não foi, infelizmente”, disse Monica de Bolle, que é professora da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Os resultados são claros neste sentido. O Brasil tem mais de 140 mil mortes, o segundo país com maior número de vítimas no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Isso, sem contar com a subnotificação que assola a história pandêmica brasileira. Menos de 9% dos brasileiros passaram por algum tipo de testagem de sorotipo da covid-19, contrariando indicações de autoridades científicas.

“Essa pandemia no Brasil, descontrolada, precisa muito do SUS. E os recursos deveriam ter chegado e não chegaram. O drama que se coloca no país é humanitário. Toca muito em tema de desigualdade, atinge camadas distintas da sociedade de distintas formas”, completou a economista, ao lembrar que a capacidade do SUS não foi direcionada para o atendimento eficaz da pandemia. Ao contrário, o orçamento da Saúde vem sendo cada vez mais reduzido pela gestão Bolsonaro, assim como a ciência desacredita em seus discursos negacionistas.

Assista à íntegra do debate “Sem Saúde não há Economia”:

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