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Projeções apontam reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa na presidência de Portugal

Projeções de vários institutos de pesquisa apontam a reeleição do presidente de centro-direita Marcelo Rebelo de Sousa em Portugal, já no primeiro turno da votação realizada neste domingo (24). Ele teria recebido entre 55,5% e 60% dos votos

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Por Adriana Moysés, enviada especial a Lisboa, na RFI

Projeções de vários institutos de pesquisa apontam a reeleição do presidente de centro-direita Marcelo Rebelo de Sousa em Portugal, já no primeiro turno da votação realizada neste domingo (24). Ele teria recebido entre 55,5% e 60% dos votos. A abstenção se confirmou elevada, estimada entre 56% e 60% do eleitorado, devido à pandemia do coronavírus, de acordo com as sondagens.

A diplomata e ex-deputada socialista no Parlamento Europeu Ana Gomes aparece em segundo lugar nas projeções, em princípio, com uma votação de 13,1% a 17,1%. Já o candidato de extrema direita André Ventura, principal fenômeno da disputa, teria recebido entre 10,1% e 14,1% dos votos. No entanto, como a melhor projeção atribuída ao populista de direita é superior ao menor desempenho creditado à socialista, o segundo lugar ainda está em aberto. Ana Gomes concorreu como candidata independente, porque o Partido Socialista do primeiro-ministro António Costa apoiou oficiosamente o atual chefe de Estado.

Se confirmada, a reeleição do liberal de centro-direita não será realmente uma surpresa. Todas as pesquisas apontavam a vitória de Rebelo de Sousa, 72 anos, no primeiro turno. Ex-professor de Direito e ex-jornalista, ele conquistou notoriedade como comentarista de TV.

Durante a campanha, em entrevista à RFI, ele anunciou que a prioridade de seu novo mandato será o combate à pandemia, "porque ela representa o bloqueio da economia e da sociedade". “Quanto mais longa for a pandemia, mais longa e profunda é a crise. Não é possível fazer as contas da crise sem saber quanto tempo dura a pandemia”, previu na semana passada.

Até chegar ao Palácio de Belém em 2016, Rebelo de Sousa acumulou mais revezes do que sucessos em sua carreira política, como a derrota para o socialista Jorge Sampaio na disputa à prefeitura de Lisboa, em 1989. Ao se tornar comentarista político, nos anos 1990, ganhou espaço na mídia e foi gradativamente conquistando a simpatia dos portugueses.

Nos últimos cinco anos, Rebelo de Sousa reforçou esses laços. Seus simpatizantes o descrevem como um homem “íntegro”, “equilibrado” e “moderado”. Um chefe de Estado acessível e agregador, que ganhou o apelido de “presidente dos abraços” quando percorreu o centro do país, em 2017, para consolar os habitantes que perderam tudo numa temporada devastadora de incêndios florestais.

Nesta campanha, o candidato da extrema direita, André Ventura, ofereceu ao líder de centro-direita a oportunidade de reforçar essa imagem de “político humano”, próximo do povo, atento às evoluções da sociedade e protetor dos mais necessitados. Enquanto Ventura adotou uma retórica xenófoba e antiminorias, defendendo medidas econômicas liberais que só iriam aumentar as dificuldades dos que já ganham pouco, Rebelo de Sousa declarou em entrevista que se via como “o presidente de todos os portugueses, e também de todos os imigrantes e de todos que vivem em Portugal”.

Nos debates de televisão, Rebelo de Sousa fez uma defesa intransigente da democracia e recordou aos portugueses a importância do respeito às instituições, tal como prevê a Constituição de 1976, aprovada na esteira da Revolução dos Cravos de 1974, que encerrou o longo período de regime autoritário, iniciado em 1933.   

Funções presidenciais

De acordo com a Constituição portuguesa, o chefe de Estado não tem poder executivo, mas desempenha um papel fundamental porque é a ele que cabe dar o aval (ou não) a leis e decisões do governo. Uma das prerrogativas mais importantes do presidente é a possibilidade de dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas em caso de crise política.

Rebelo de Sousa conviveu até agora sem maiores atritos com o primeiro-ministro socialista, António Costa. Mas o premiê está enfraquecido, depois que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português retiraram seu apoio ao governo. Sem maioria no Parlamento, Costa é sempre obrigado a negociar com os partidos para aprovar leis. O premiê tem dado uma de malabarista: dependendo do projeto, ora consegue o apoio da direita, ora dos ex-aliados de esquerda.

Caso a situação de Costa se complique, prejudicando a tramitação de projetos importantes para o país, Rebelo de Sousa poderia cogitar eleições legislativas antecipadas. Poucos imaginam, no entanto, que uma crise política se some à dramática situação sanitária de Portugal neste momento.

Portugal registrou no sábado (23) 11.721 novas infecções do coronavírus  e 275 mortes provocadas pela Covid-19. O país conta, assim, com um total de 636.190 casos confirmados e 10.469 óbitos. 

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