logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo logo
star Bookmark: Tag Tag Tag Tag Tag
Brazil

Rio Vermelho vira maior picadeiro do mundo com os Palhaços

Bloco da Latinha abrilhantou a festa (Foto: Almiro Lopes)

Há nove anos, 15 dias antes do sábado de Carnaval, o bairro do Rio Vermelho se transforma no maior circo do mundo. Ontem, o espetáculo mostrou que não para de crescer, a quantidade de artistas a se apresentar nele aumenta cada vez mais e o público também só cresce.  

Lotada de crianças, idosos, jovens, enfim, famílias inteiras, a festa coloriu o bairro mais boêmio da cidade e serviu para anunciar que o Carnaval já começou. Exatamente nas décadas de 50 e 60, como conta um dos fundadores do Movimento Cultural Palhaços do Rio Vermelho, que comanda a alegria.

A fantasia está de volta do Rio Vermelho graças aos Palhaços (Foto: Almiro Lopes)

Na época, o Bando Anunciação do Carnaval, que inspirou a criação dos Palhaços, saía nas ruas do bairro para lembrar que o reinado de Momo estava chegando. “Os Palhaços iniciaram como uma forma de resgate desse passado. Trazemos de volta a fantasia que existia no Rio 60 anos atrás. Assim preservamos o bairro e o verdadeiro pré-carnaval popular”, diz Ruy Santana, nascido e criado no Rio Vermelho. 

Às 19h30, fogos de artifício anunciaram o início do desfile. O bloco partiu das quadras esportivas, na orla do Rio Vermelho, e seguiu rumo à Rua Fonte do Boi. As fantasias de palhaço predominavam, mas tinha de tudo. Uma amostra de que o Carnaval mais uma vez será delas, das fantasias. As plaquinhas também já faziam sucesso: “Acabo com seu amor em três dias”, anunciava uma “diabinha”. 

Manifestações

A participação popular e de artistas aumenta a cada ano. Dessa vez, blocos e manifestações culturais vieram do interior do estado e de comunidades de bairros para abrilhantar os Palhaços. Grupos como o Zabiapunga, formado por homens mascarados de Itaperoá, no sul da Bahia, não só coloriam como enriqueciam a festa com diferentes ritmos. 

Grupo Zabiapunga de Taperoá. Interior do estado cada vez mais presente (Foto: Almiro Loeps)

No total, 33 “caretas” do Zabiapunga desfilaram tocando ijexá. “É bom demais colorir esse bairro e levar alegria e entusiasmo para as pessoas. Nada é melhor do que fazer o povo sorrir”, afirma André Agostinho, 56 anos, o Mestre Deco, presidente do bloco. 

De Madre de Deus, o Bloco da Latinha foi uma das atrações que mais chamaram a atenção. Quando os dez homens de lata se movimentavam e faziam um curioso som, usado como ritmo da percussão, centenas de celulares apontavam para eles. 

“Essa é uma criação baseada na reciclagem. É a latinha sendo transformada em música”, explicou Aloísio da Silva, coordenador do Bloco da Latinha. Teve também o Bagunçasso dos Alagados, a Capoeirada de Sítio do Conde e até um grupo de baianas do Engenho Velho da Federação. 

Axé

As 20 baianas adultas e cinco pequenas baianinhas também fizeram sucesso. Mas, o que baiana tem a ver com palhaço? “Tudo a ver! A alegria, o entusiasmo e o axé são os mesmos”, justificou Hildete Laurindo, 56 anos, do terreiro Ilê Axé Ojuirê. “Não pode faltar baiana em nenhum tipo de manifestações cultural na Bahia e no Brasil”.  

É uma festa para qualquer idade. Dona Maria de Lourdes, 78 anos, tava lá para provar isso. “Venho todo ano e acho maravilhoso”. Já a doméstica Alaércia Santana, 30, levou a bruxinha Ágata, de 4 anos. “Por isso eu amo isso aqui! Para os pequenos é ótimo”, disse. A presença de tantas crianças e idosos tem um motivo simples. “Nesses nove anos nunca tivemos uma ocorrência grave nos Palhaços”, garantiu Ruy Santana.    

Themes
ICO