Portugal

Benfica quer reescrever as boas notícias trazidas da Ucrânia

A primeira mão dos 16 avos-de-final da Liga Europa deu ao Benfica a má notícia da derrota (2-1) frente ao Shakhtar, na Ucrânia, mas contrapôs com duas boas notícias: uma é que o golo marcado fora abriu boas perspectivas e a outra é que a derrota poderia ter sido bem pior.

Com base nisto, os “encarnados” recebem o Shakhtar, nesta quinta-feira, tendo de reescrever as notícias: a de marcar um golo aos ucranianos (e poderá chegar para seguir em frente) e a de, num momento exibicional modesto, voltar a conseguir um resultado melhor do que a exibição, tal como fez em Kharkiv. Em tese, se estas notícias forem “escritas” no Estádio da Luz, como foram na Ucrânia, o Benfica poderá estar nos “oitavos” da Liga Europa.

Apesar de o Benfica poder seguir em frente com um resultado curto, esse resultado terá sempre de ser um triunfo – e isso não tem sido fácil de conseguir numa equipa que venceu apenas um dos últimos cinco jogos.

Em Kharkiv, uma exibição pobre do Benfica, defensiva e ofensivamente, culminou num suspiro de alívio de Bruno Lage pelo resultado simpático obtido no leste europeu. Sendo certo que um golo (sem sofrer) apurará os “encarnados”, o Benfica não poderá repetir o que fez na Ucrânia: e o que fez foi… não fazer. Os “encarnados” mostraram-se passivos – cansados, até –, não conseguindo aplicar intensidade frente a uma equipa que não jogava há dois meses. 

Os contornos estranhos de ver um Shakhtar mais enérgico e intenso serão, para a segunda mão, na Luz, um dos pontos fulcrais a corrigir pelos portugueses, já que um golo sofrido em casa poderá dificultar muito as contas de um Benfica que tem tido dificuldades na transição defensiva. Bruno Lage, treinador do Benfica, reconheceu os problemas defensivos da equipa. “Temos de ser mais competentes no momento defensivo. Não em termos individuais ou de sector, mas em termos colectivos”, disse, na antevisão do jogo.

Ainda neste aspecto, importa não esquecer que, no ataque, o Shakhtar tem Júnior Moraes, um jogador forte a explorar a profundidade, Taison, uma “moto” em contra-ataque, e Marlos, um jogador capaz de colocar colegas na cara do golo. Estes dois últimos foram poupados no fim-de-semana, na Liga ucraniana, jogando apenas a última meia hora do jogo.

Comandado pelo português Luís Castro, este Shakhtar oferece ainda uma dificuldade já abordada antes do jogo da primeira mão: com a Liga ucraniana praticamente “no bolso”, 14 pontos acima do segundo classificado, o Shakhtar tem na Liga Europa a grande prioridade actual, ao contrário do Benfica, cujo treinador foi claro: “Nunca abdiquei de nenhuma competição nem fiz gestão de nada”.

Na antevisão do jogo, Luís Castro, como é habitual, não se escondeu das perguntas e dissertou sobre vários aspectos tácticos e estratégicos – dissertou ao ponto de deixar exausto o tradutor de serviço. Uma das considerações mais importantes foi a garantia de que os ucranianos querem vencer na Luz, apesar de crer que o Benfica “vai pressionar mais alto do que em Kharkiv”. “Temos de procurar ganhar o jogo. Se procurarmos apenas ganhar a eliminatória, temos uma percentagem elevada de sairmos da Liga Europa”, analisou.

E deixou um aviso: “Num jogo a eliminar há a tentação de irmos atrás de um resultado e as coisas podem complicar-se. Os jogos mais difíceis para um treinador são estes: que obrigam a um “gelo” permanente na nossa cabeça, obrigando-nos a identificar a hora certa de fazer algo. A dada altura, um treinador terá de arriscar tudo: ou eu ou o Bruno. A 20/15/10 minutos do fim, alguém estará em desvantagem”.

Por fim, o técnico português reconheceu que “é uma emoção voltar a Portugal e ao Estádio da Luz, onde se vive sempre um ambiente fantástico”. “Espero um estádio cheio e que se anime com o jogo”, pediu.