Portugal

Coronavírus: uma lua-de-mel sem fim à vista, inferno ou paraíso? Casal viajou para as Maldivas em plena pandemia

É, provavelmente, o sonho de muitos: ficar “preso” numa ilha paradisíaca - e ainda para mais num resort de cinco estrelas. O sonho é, neste momento, a realidade de Olivia e Raul de Freitas (nomes em português, nacionalidade sul-africana), relatada no norte-americano The New York Times (NYT). Chegaram às Maldivas no dia 22 de Março para a lua-de-mel: seis dias de luxo, entre águas translúcidas do Oceano Índico, numa das mais mil pequenas ilhas do país. Continuam por lá e a realidade beliscou o sonho (mas nem tanto).

Nas Maldivas esperava o casal, ela 27 anos, professora, ele, 28, talhante, o resort Cinnamon Velifushi Maldives, que ocupa a sua própria ilha, uma língua de areia que cresce em passadiço onde se alinham os bungalows sobre a água, e preços que começam nos 685€ por noite. Banhos de sol e mergulhos, snorkelling, observação de golfinhos, visitas a outras ilhas – o menu para a lua-de-mel. Até que uma semana depois se viram sozinhos no resort – eles e todos os funcionários, obrigados a permanecer: o Governo não permite que os funcionários saiam dos resorts até passarem por uma quarentena que só se inicia quando os últimos hóspedes partirem. Os dias tornaram-se iguais: dormir até tarde, snorkel, piscina - em loop.

Reis num reino muito sui generis, Raul e Olivia tinham séquito a servi-los - um séquito inquieto com o pouco trabalho e a solidão. O casal passou a centrar todas as atenções: o empregado do quarto passava cinco vezes por dia, para assegurar-se de que estavam bem e tinham tudo o que precisavam; a equipa do restaurante montava diariamente jantares à luz de vela na praia; todas as noites, um espectáculo no restaurante principal; a cada pequeno-almoço, nove funcionários à volta deles; a cada refeição um vaivém de empregados, chefs, atentos ao mais mínimo detalhe; bebidas oferecidas ainda que as anteriores estivessem bem cheias nos copos. A cada avistamento do instrutor de mergulho, o pedido para que fizessem snorkeling. A cada dia, o intensificar da sensação perturbadora de percorrer os espaços vazios de um local que deveria estar cheio (uma espécie de “Shining” equatorial, talvez?). Olivia e Raul passaram a trocar as cadeiras de praia abandonadas sob o sol inclemente pelo pingue-pongue e o snooker. Raul juntou-se ainda aos funcionários em jogos de futebol.

Incrível, mas…

“É incrível que estejamos a ter este tempo extra”, confessa Olivia de Freitas, que durante anos sonhou com “esta” escapadela romântica. Mas… O casal, reconhece, teve dúvidas na hora de viajar. As notícias do agravamento das restrições às viagens por todo o mundo por causa do novo coronavírus deixaram-nos alerta, contudo, nada que os afectasse especificamente havia sido anunciado. O agente de viagens assegurou-lhes que fossem qual fossem as medidas implementadas, todos os cidadãos sul-africanos teriam permissão para regressar. Avançaram.

Três dias no paraíso e a notícia de que no dia seguinte todos os aeroporto da África do Sul iam encerrar. Feitos os cálculos de todas as viagens necessárias a conclusão foi rápida: seria impossível regressarem a casa a tempo. Enquanto viam os outros hóspedes do resort a conseguir, de uma maneira ou outra, regressar aos seus países, começaram a pensar em tentar a sua sorte no aeroporto. Foi na altura em que as Maldivas anunciaram o fecho das suas fronteiras - com medo de não lhes ser permitido voltar ao resort, ficaram.

Raul de Freitas, o marido, manteve-se calmo: tudo se iria resolver e, afinal, estavam no paraíso. A mulher partilhava um pouco desse sentimento mas não conseguia sacudir a sensação de que poderiam estar prestes a entrar no vórtice de um pesadelo logístico. Contactaram o consulado sul-africano no país e a embaixada mais próxima, no Sri Lanka. Foram informados de que outros 40 sul-africanos estariam nas Maldivas e que a única opção para regressar a casa seria contratar um voo charter – com as despesas a correr por conta própria. Valor: 100 mil euros.

O valor seria dividido por todos os passageiros mas o Governo só tinha conseguido contactar metade dos possíveis interessados e, desses, muitos não podiam ou recusavam-se a pagar. Menos interessados, maior a despesa para os interessados, e ainda assim, o voo não tinha sido aprovado pelo Governo das Maldivas, onde depois do pânico inicial causado pela infecção de um turista, que levou à quarentena, houve cerca de duas dezenas de casos de Covid-19 e a maioria já curados.

Depois de adiamentos em relação ao voo que os cidadãos sul-africanos tentaram fretar – primeiro marcado para dia 1 de Abril, depois para dia 6 –, no dia 5 receberam da embaixada uma notificação para fazerem as malas. Tinham uma hora para sair do resort e serem transportados para outro resort, cinco estrelas, onde todos os turistas sul-africanos estavam a ser reunidos. O governo local anunciou que ia subsidiar uma grande parte da estadia e, na África do Sul, permanece o encerramento de fronteiras até dia 16 de Abril (mas, como um pouco por todo o mundo, os decretos sobre viagens e movimentos estão sujeitos a mudanças constantes).

Entretanto, esta versão XXL de lua-de-mel paradisíaca está a ter um custo financeiro pesado. Apesar do desconto que generoso que receberam do Cinnamon Velifushi Maldives, a conta cresceu desmesuradamente, retirando dinheiro à poupança que o casal tinha para dar entrada numa casa. E ainda vão receber a conta do avião. “Todos dizem que querem ficar presos numa ilha tropical, até realmente estarem presos”, afirmou Olivia de Freitas ao NYT. “Só parece bom quando sabemos que podemos sair.” E Olivia e Raul ainda não sabem quando vão regressar a casa.

Football news:

Messi may not play with Mallorca due to adductor muscle discomfort
Alexey Miranchuk can move to Fiorentina (Betting Insider)
Henri on racism: Why is this still happening in 2020? We demand changes
The defender from Burkina Faso is the new star of the Bundesliga. With him, Bayer won 11 matches out of 13
Giroud about the quarantine: I am a modern father. I like to change Junior's diapers
A bunch of stupid assholes. Lukaku reacted to a cartoon by the Belgian newspaper Life of the purple stars
Ramos on Atletico's goal in the 2014 Champions League final: It changed not only the history of Real Madrid, but also my career