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Portugal

Cortes no acesso a internet afetaram a economia africana em 2 mil milhões

O relatório 'O Custo Global dos Cortes da Internet em 2019' foi desenvolvido pelo portal Top10VPN.com e contabilizou todos os incidentes nacionais ou regionais assinalados em 2019, tendo então recorrido à ferramenta 'Cost of Shutdown Tool', das organizações não-governamentais (ONG) Netblocks e Internet Society, que utiliza indicadores do Banco Mundial, da União Internacional de Telecomunicações, do Eurostat e do Departamento de Censos dos EUA.

A economia da região da África Subsaariana foi a segunda mais afetada por estes cortes na internet no último ano, atrás do Médio Oriente e Norte de África (3,13 mil milhões de dólares, 2,8 mil milhões de euros) e à frente de Ásia (1,68 mil milhões de dólares, 1,51 mil milhões de euros) e América do Sul (1,07 mil milhões de dólares, 961 milhões de euros).

Os efeitos na região da África Subsaariana, foram inflacionados em grande parte pelos cortes no Sudão, aplicados durante os protestos contra o regime do ex-Presidente Omar al-Bashir e que resultaram em perdas de 1.866 milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros).

De acordo com o relatório, 12,5 milhões de utilizadores foram afetados no país pelos cortes que se prolongaram por 1.560 horas.

O relatório, que não inclui quebras nos acessos 'online' devido a desastres naturais ou falhas nas infraestruturas, analisou duas condições: total proibição no acesso à internet - que dificilmente pode ser contornado - e os bloqueios a plataformas sociais (como Facebook, Twitter, WhatsApp ou Youtube), que podem ser contornados com mecanismos como as redes virtuais privadas (VPN).

No documento, os autores referem que as principais quebras nos acessos - quer à internet, quer às plataformas sociais - aconteceram com regularidade em resposta a protestos ou em momentos de eleições.

Os autores sublinham que estas quebras nos acessos à rede "também podem provocar danos duradouros, com a perda de confiança de investidores e um desenvolvimento deficiente", além de assinalarem que são ações que "têm um impacto claro nas liberdades de expressão e de informação dos cidadãos".

Entre os 21 países analisados, Chade, República Democrática do Congo (RDCongo), Etiópia, Zimbabué, Mauritânia, Benim, Gabão, Eritreia e Libéria foram os países da África Subsaariana impactados pelos cortes da internet em 2019.

As 4.728 horas de cortes na internet no Chade impactaram a economia do país em 125,9 milhões de dólares (113 milhões de euros), seguindo-se a RDCongo, com consequências de 61,2 milhões de dólares (55 milhões de euros) face às 456 horas sem acesso 'online', e a Etiópia, com perdas de 56,8 milhões de dólares (51 milhões de euros) consequentes de 346 horas 'offline'.

Os restantes países africanos tiveram todos consequências abaixo dos 50 milhões de euros.

No caso da Mauritânia, as 264 horas sem internet produziram um efeito negativo de 13,8 milhões de dólares (12,4 milhões de euros), com Benim e Gabão (1,1 milhões de dólares, cerca de um milhão de euros), Eritreia (400 mil dólares, 360 mil euros) e Libéria, com menos de 100 mil euros, a completarem a lista dos países africanos com efeitos económicos negativos face aos cortes da internet.

No total, os autores do estudo contabilizaram 122 cortes no acesso à internet, traduzindo-se em 11.857 horas (11.857 horas de total proibição no acesso à internet e 6.368 horas de bloqueios a plataformas sociais) e em perdas de 8,05 mil milhões de dólares (7,2 mil milhões de euros) na economia global.

Na lista mundial, que comporta 21 países, o território mais afetado foi o Iraque, com os cortes de 263 horas a produzirem um efeito negativo estimado de 2,3 mil milhões de dólares (2,06 mil milhões de euros), seguindo-se o Sudão, em segundo lugar. A completar o pódio, os cortes de 4.196 horas aplicados a várias regiões da Índia resultaram numa alegada perda de 1,3 mil milhões de dólares (1,17 milhões de euros).

No caso dos bloqueios aplicados ao acesso a plataformas sociais, WhatsApp (6.236 horas) Facebook (6.208 horas) e Instagram (6.193 horas) - todas elas detidas pela Facebook, Inc. - são as que registaram mais maiores bloqueios, com o Twitter a surgir pouco atrás, com limites de 5.860 horas.

A plataforma de partilha de vídeos Youtube ficou 'offline' nos territórios analisados durante 648 horas em 2019.

"Apesar do seu impacto negativo na economia global, direitos humanos e processos democráticos, há pouco que sugira que as limitações no acesso à internet vão parar em 2020", advertiram os autores do relatório.

O portal Top10VPN.com é um site de análise de VPN, um mecanismo que permite, entre outras funcionalidades, aceder à internet através de um servidor localizado fora do país onde se encontra o utilizador.

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