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Hertz entra em bancarrota e pede protecção contra credores nos EUA e no Canadá

O grupo Hertz apresentou esta sexta-feira no tribunal de insolvências de Delaware um pedido de protecção contra credores que abrange os negócios nos EUA e no Canadá, ao abrigo do capítulo 11. Este é um mecanismo legal que permite às empresas ganharem tempo para reorganizarem as suas operações em períodos de dificuldades, e tentarem manter-se no mercado.

Em comunicado, o grupo, um dos maiores do mundo no negócio de rent-a-car, sublinha que os negócios em geografias como a Europa não estão envolvidos neste processo, e que as suas operações continuam a decorrer normalmente.

A Hertz, que retrata o impacto da covid-19 como “súbito e dramático”, diz que negociou com muitos dos seus maiores credores para reduzir temporariamente os pagamentos devidos, mas que não conseguiu assegurar acordos de longo prazo. No comunicado disponibilizado, a Hertz diz que, após “uma queda abrupta das receitas e das reservas” (o seu negócio está muito ligado aos aeroportos e às deslocações dos passageiros após aterrarem, tendo o tráfego aéreo caído a pique, tal como as viagens em geral), começou logo a tomar medidas para “salvaguardar a saúde dos trabalhadores e dos clientes, eliminar todas as despesas não essenciais e preservar liquidez”.

No entanto, factores como a incerteza sobre quando é que a empresa vai voltar a ter receitas e a data de regresso à normalidade do mercado de venda de carros usados justificam a estratégia agora anunciada.

“Com a severidade do impacto causado pela covid-19 no nosso negócio, e a incerteza sobre quando é que a economia e as viagens vão recuperar, precisamos de dar passos para garantir protecção em caso de uma recuperação mais prolongada”, afirmou em comunicado o presidente do grupo, Paul Stone.

Com o pedido de protecção ao abrigo do capítulo 11, diz o gestor, o grupo consegue “proteger o valor” da Hertz. A estratégia, destaca, permite à empresa “continuar as suas operações e servir os clientes”, além de proporcionar o tempo necessário para colocar em prática “uma nova e fortalecida base financeira” para atravessar a crise. 

Há 20 mil trabalhadores despedidos ou com licença

A empresa diz ter mil milhões de dólares (cerca de 917 milhões de euros) em dinheiro disponíveis para continuar as suas operações, acrescentando que, dependendo da duração do impacto da covid-19, pode ser necessário mais capital, nomeadamente através de novos empréstimos.

Em paralelo, o grupo diz que já estão em curso algumas medidas de cortes de custos, como licenças sem vencimento ou despedimentos que implicam um total de 20.000 trabalhadores (não foram referidos os números apenas relativos aos despedimentos), ou seja, 50% do total dos funcionários do grupo. A isto acresce a redução da sua frota automóvel através da venda de veículos e do cancelamento de encomendas de novas viaturas, do corte de despesas e do adiamento de investimentos que estavam planeados.

De acordo com o The New York Times (NYT), o grupo, que começou o seu negócio há cerca de 100 anos com 12 modelos T da Ford, foi vítima de uma “montanha de dívida”, contabilizada em 17 mil milhões de dólares (cerca de 15,6 mil milhões de euros). O caminho para a bancarrota, diz o NYT, começou no final de Abril quando falhou o pagamento ligado a um contrato de leasing de parte da sua frota, composta por cerca de 667 mil viaturas.

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