O secretário-geral do PCP homenageou este domingo o legado de Álvaro Cunhal, que faria 106 anos, afirmando que a sua visão sobre a integração de Portugal na União Europeia continua a ser um “instrumento importante”.

“Bastaria olhar com alguma atenção para os seus últimos escritos para verificar como permanecem atuais as grandes linhas do seu pensamento e como continuam a ser um instrumento importante e base de partida para a análise de novos fenómenos e novos acontecimentos da vida nacional e internacional dos últimos anos”, afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista discursava na sessão comemorativa do 106.º aniversário de Álvaro Cunhal, na Moita, distrito de Setúbal, onde lembrou a atualidade do legado do histórico militante, sobretudo a sua visão sobre as consequências da adesão de Portugal à União Europeia.

“Ponto importante e significativo dessa reflexão foi o encontro de 1990 do PCP sobre a independência nacional, que Álvaro Cunhal encerrou, identificando não apenas os reais perigos para a independência e soberania nacionais que resultavam de tais processos e tal evolução, como nessa reflexão estava inscrita uma orientação para os esconjurar”, indicou.

Aliás, o secretário-geral do PCP foi mais longe e classificou o legado de Álvaro Cunhal como “premonitório”, porque as suas análises “confirmaram-se inteiramente nestas três décadas de integração capitalista”, resultando na “destruição do aparelho produtivo nacional, de sacrífico dos interesses nacionais e de submissão aos interesses dos mais ricos e poderosos”.

“A vida deu-lhe razão”, afirmou o líder comunista, lembrando que Portugal, desde a adesão ao euro, “é um dos países que menos cresce e que mais recuou na produção de riqueza e dos que mais perderam no plano económico, mas também no plano social”.

Para Jerónimo de Sousa, “a prevalência às missões externas satisfazendo e preenchendo os interesses e necessidades de outros, desde logo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e dos Estados Unidos da América, e a ação ideológica subsequente de enaltecimento e constitucional de garantir a integridade do nosso território, são alguns dos exemplos da política de desastre e submissão que tem vindo a ser seguida”.

No entanto, o dirigente comunista frisou que Portugal “não está condenado à submissão e à dependência”, o que poderá ser revertido com a política patriótica e de esquerda do PCP.

“Uma política que vise assegurar a independência económica do país, assente na utilização dos recursos nacionais e que recupere os instrumentos políticos e económicos que se revelem indispensáveis ao desenvolvimento de Portugal no plano económico, orçamental e monetário, das relações comerciais e do desenvolvimento do setor produtivo”, apontou.

Em dia de aniversário de um “coerente patriota e internacionalista, defensor dos interesses do povo”, o líder do PCP terminou o seu discurso reafirmando o sonho de “construção de uma sociedade nova liberta da exploração e de todas as formas de opressão”.