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Portugal

Ladies and gentlemen, Miss Meghan Markle!

Para começar, recapitulemos as regras do Jogo da Glória. Temos as casas que dão direito a multa (andar uma ou duas casas para trás), os precipícios (casas que implicam uma forte penalização ou até sair do jogo), as casas que dão bónus (avançar nove casas) e, finalmente, a Glória que nesta versão será "Meghan e Harry foram felizes para sempre". No Jogo da Glória de Meghan Markle cada etapa tem um rosto, um nome e uma história. Comece a deitar os dados que nós explicamos o resto. E, claro, faça figas para que no fim os dados caiam no 90.

CASA 5. Rachel Zane. A outra Meghan. Foi no papel de Rachel Zane, uma jovem e determinada assistente do escritório de advogados Pearson Hardman, que Meghan se nos tornou familiar. A personagem Rachel Zane da série Suits está do lado positivo do enredo e não fossem as estantes, nem haveria nada na vida de Meghan enquanto atriz a assombrar a sua presente vida de duquesa. O que aconteceu com as estantes? Nada. Mas a resposta muda se a pergunta for: o que aconteceu nas estantes? Uma muito telegénica cena de sexo entre Rachel Zane (Meghan Markle) e Mike Ross (Patrick J. Adams). Em abono da atual duquesa de Sussex, diga-se que ela se limitou a cumprir com profissionalismo as exigências de um guião tecnicamente impossível, como invariavelmente acontece quando os guionistas concebem cenas nos arquivos que, vá lá saber-se porquê, lhes parecem ser o lugar ideal para assassínios em série ou sexo tórrido. No caso da cena protagonizada por Rachel Zane era mais sexo acrobático numas estantes que nem que estivessem soldadas ao chão e ao teto aguentavam com toda aquela agitação.
Escusado será dizer que mal se soube que Meghan iria casar com Harry logo essa cena se propagou à velocidade da luz pelas redes sociais. Mas com aquela fleuma de quem sabe que os escândalos de hoje são a bela História de amanhã, os ingleses não deram especial importância ao assunto, esperaram para ver como a atriz se convertia em duquesa e pelas 12 horas do dia 19 de maio de 2018 sorriram porque, como era de esperar, a Coroa tinha ganhado: a essa hora Meghan Markle saía do carro que a levara até ao Castelo de Windsor. À medida que Meghan Markle ia subindo a escadaria que a levava até à Capela de São Jorge, envergando o sóbrio, elegante e muito aristocrático vestido de noiva, concebido por Clare Waight Keller, diretora artística da Givenchy, e levando a segurar o véu a tiara da rainha Maria, era como se fosse transfigurando-se na duquesa de Sussex e deixando para trás a personagem Rachel Zane (que, por sinal, também usou um vestido de noiva na série que ao pé deste parecia um suspiro feito de véspera).
Em resumo, Rachel Zane (estantes incluídas) não incomoda a vida de Meghan desde que esta cumpra o seu papel de duquesa com o mesmo empenho com que aceitou as exigências dos guionistas de Suits. Logo, se calhou na Casa 5. Rachel Zane – ande tranquilamente uma casa para trás e volte a jogar.

CASA 9. Harry. O príncipe encantado. Natalie Pinkham, Caroline Flack, Florence Brudenell, Camilla Romestrand, Mollie King, Ellie Goulding, Chelsy Davy, Cressida Bonas… Esta notável lista de jovens apresentadoras de televisão, de celebridades, de filhas de família, de cantoras, de dançarinas, de modelos, quase sempre louras, constitui, segundo a Harper’s Bazar, um levantamento (incompleto) das namoradas, de umas semanas ou de vários anos, do príncipe Harry. Mas por mais atribulada que fosse a vida amorosa de Harry, aquilo que fez dele notícia por más razões não foram as mulheres, mas sim ele mesmo: Harry bebia demais. Harry fumava e até fumava o que não devia. Harry foi capa de tabloides, ora porque aparecia vestido de nazi uma festa de Carnaval, ora porque se deixava fotografar nu, em Las Vegas. Claro que havia o outro Harry: o que parecia ter herdado da mãe a capacidade para comunicar com todos e muito particularmente com as pessoas em sofrimento. E, claro, há o capitão Gales, como Harry era tratado na tropa, que cumpriu os seus deveres militares com zelo e com coragem, em cenários de perigo real, como o Afeganistão. Talvez por tudo isto, os britânicos assistiram com relativa condescendência às diversas tropelias de Harry. E sobretudo porque a maior parte deles nunca esqueceu a imagem daquele rapazinho franzino vestido de homem, com o negro da gravata a fazer sobressair ainda mais o ruivo desse cabelo que diziam ter herdado de um amante da mãe, seguindo de cabeça baixa atrás do caixão de Diana, entre o tio materno e o pai. Quem certamente não esqueceu esse dia foi ele mesmo: fazer o possível e o impossível para que o destino da sua mãe, Diana, não se torne uma maldição na vida da mulher com quem escolheu casar é, segundo aqueles que o conhecem, a sua principal determinação.
Prémio Casa Bónus – avança 9 casas (na verdade, se Harry pudesse, a sua Meghan saltava diretamente para a casa 90, ou seja, para a Glória).

CASA 14. Thomas Markle. O pai. O pai de Meghan é um verdadeiro filão para a imprensa e uma dor de cabeça para a filha. Tudo começou ainda antes da cerimónia do casamento com a descoberta de uma negociação entre Thomas Markle e uns paparazzi a quem, na sua qualidade de pai da noiva, garantia informações privilegiadas. Um abençoado ataque cardíaco resolveu o problema: hospitalizado, Thomas Markle não podia ir ao casamento. Uma vez recuperado nunca mais se calou.
Ao The Sun, Thomas Markle garantiu, em julho de 2018, que Meghan estava aterrorizada (segundo ele com a sua entrada na família real, segundo nós com os dislates do pai): "Consigo ver o pânico nos seus olhos, no seu rosto, no seu sorriso. Eu vi o seu sorriso durante anos! Eu conheço o seu sorriso. Ela tem o sorriso de alguém que está em pânico!" Passando adiante, temos uma entrevista ao Daily Mail, na qual não ocorreu nada mais apropriado ao senhor Markle para relatar que a festa do primeiro casamento de Meghan. Esta teve lugar na Jamaica, em 2011, durou dois dias (há quem diga que foram quatro) e incluiu distribuição de saquinhos com marijuana aos convidados (deve vir daí a polémica quanto aos dias que durou a festa). Para que não restassem dúvidas sobre a responsabilidade da filha nesse e noutros detalhes, Thomas Markle frisou ao Daily Mail: "Meghan planeou tudo até ao mais ínfimo detalhe." Antes que 2018 findasse, Thomas Markle ainda teve tempo para se queixar no programa Good Morning Britain que não consegue falar com Meghan e que soube que ia ser avô quando estava a ouvir a rádio no carro. (Valha a verdade que depois de, em junho, ele ter revelado no mesmo Good Morning Britain os telefonemas em que Meghan lhe dissera que estava noiva de Harry dificilmente a atual duquesa de Sussex arriscará dizer ao pai mais do que um "Hello!".)
Portanto, se calhou na Casa 14. Thomas Markle – ande duas casas para trás enquanto diz, baixinho: "Que os deuses nos livrem de dar um pai assim às nossas filhas."

CASA 18. Príncipe Carlos. Sogro e cavalheiro. "Meghan Markle pediu a Sua Alteza Real, o príncipe de Gales, para a levar até ao altar da Capela de São Jorge no dia do seu casamento. O príncipe de Gales está feliz por poder acolher Meghan Markle na família real desta forma", anunciava, poucos dias antes do casamento de Meghan e Harry, um comunicado oficial. Estava previsto ser o pai de Meghan Markle a levá-la ao altar, mas, como já se sabe, por essas horas Thomas Markle estava providencialmente retido noutras paragens. A esta ausência deveu-se um acrescido sossego na cerimónia e dois dos seus momentos mais impressionantes: a entrada solitária de Meghan na Capela de São Jorge, do Castelo de Windsor, e o momento em que antes de Meghan chegar ao altar, o príncipe Carlos lhe deu o braço e a levou até junto de um Harry que a esperava ansioso. Com esse gesto, Carlos conseguia que finalmente o deixassem de ver como o homem que fez Diana infeliz e percebessem que ele foi também um pai atento. E, note-se, especialmente atento com Harry. Carlos levou Harry a procurar ajuda profissional para enfrentar os seus excessos com a bebida e com as drogas e protegeu-o sempre dos boatos que diziam ser Harry filho de James Hewitt, um oficial do Exército, amigo de Carlos e de Diana. Segundo alguns jornais, o próprio Harry quis saber, a dada altura, a verdade sobre a sua origem e Hewitt acabou a desmentir, não a relação com Diana, que confirma, mas sim a possibilidade de ser pai de Harry. A pessoa que viveu todo o tumulto gerado por estes boatos com uma indiferença real nos dois sentidos do termo foi mesmo o príncipe Carlos. Para mais, o príncipe Carlos parece ser um avô bem divertido e tem-se revelado um sogro excelente. E, claro, um homem apaixonado por Camila, mas esse é um outro jogo.
Portanto, Casa 18. Príncipe Carlos – recebe Prémio Casa Bónus: avança 9 casas.

CASA 23. Trevor Engelson. O ex-marido. A figura do ex-marido nas famílias reais é como um baú: existe, mas não é suposto que se abra. Sobretudo, é suposto que se faça transparente e que não fale. Contudo, o caso de Trevor Engelson pode ser um pouco mais complicado, pois ele não precisa de falar para causar alguns dissabores a Meghan. Basta-lhe trabalhar. Trevor foi ator e agora é produtor. E, neste momento, está a trabalhar, vá lá saber-se porquê, num guião cujo personagem principal é um homem que tem de partilhar a custódia dos filhos com a ex-mulher que se muda para Inglaterra para casar com um príncipe. Trevor diz que a ideia surgiu quando falava com um amigo produtor sobre o que aconteceria caso ele e Meghan Markle tivessem tido filhos durante os seus dois anos de casamento. (Meghan e Trevor casaram em setembro de 2011 e divorciaram-se em agosto de 2013 na tal festa de que o senhor Thomas Markle ainda deve desenterrar mais uns pormenores para contar aos jornalistas). De Mike Ross, o marido que Meghan enquanto Rachel Zane deixou na série Suits, também se aguardam notícias, pois não para de subir a parada de milhões para que Meghan aceite fazer uma última aparição de dois minutos em Suits. O papel é simples e certamente que lhe agradaria: a personagem vive em Inglaterra, está casada e é feliz.
Se calhou Casa 23. Trevor Engelson – pague a multa: ande duas casas para trás e de caminho veja se o seu pacote de televisão tem Fox porque a série, ainda sem nome. em que Trevor Engelson está a trabalhar passará lá.

CASA 27. Doria Ragland. A mãe. À exceção de ter sido casada com Thomas Markle, Doria Ragland parece uma daquelas personagens perfeitas das comédias românticas americanas: é instrutora de yoga, assistente social, ajuda os vizinhos mais velhos, presta apoio a pessoas vulneráveis, participa em maratonas e, ao contrário do ex-marido, tenta passar o mais discreta possível. Ragland casou-se, em 1979, com Thomas Markle. Ele era iluminador cinematográfico e ela maquilhadora. Dois anos anos depois, em 1981, nascia Meghan. O divórcio chegou em 1987. A relação de Meghan com a mãe é muito próxima. E tão próxima que se percebeu que a relação dela com Harry poderia acabar em casamento quando, em 2017, Doria Ragland apareceu ao lado de Meghan e Harry nos Invictus Games, uma competição internacional para militares feridos em combate, em que Harry se empenhou de forma muito ativa. Tanto quanto se sabe, Harry e a sogra dão-se maravilhosamente e Doria, a única familiar de Meghan presente no seu casamento com Harry, mostrou como se pode combinar perfeitamente rastas e piercing na narina com um classicíssimo fato Oscar de la Renta, um pequeno chapéu Stephen Jones e uns sapatos Aquazzura. O único senão da senhora Ragland é saber se o seu fervor pelas práticas naturais poderá ser uma perigosa influência para a filha que herdou da mãe a paixão pelo yoga e quiçá pelo despertar cheio de energia à hora a que os pássaros ainda dormem. Mais precisamente, em que medida Doria Ragland apoiou o projeto, que alguns dizem ser secretamente acarinhado por Meghan, de ter um parto em casa? Não deixa de ser irónico que tendo sido a opção pelos partos em hospitais apresentada como um sinal de modernidade da família real – o pai e os tios de Harry ainda nasceram em Buckingham –, se tenha voltado a colocar a possibilidade de um parto em casa, mesmo que a casa em questão seja um palácio. Na prática, o bebé nasceu no Portland Hospital em vez de no St. Mary’s Hospital, em Londres, onde nasceram os filhos de Kate e de William e o próprio Harry e o seu irmão William. Mas como é inevitável, em Inglaterra fazem-se apostas e artigos sobre tudo isto mas, sem grande risco de falhar, pode avançar-se que Doria Ragland não terá querido complicar a vida de Meghan e esteve ao lado da filha quando esta deu à luz e nos momentos mais importantes da vida do(s) seu(s) futuro(s) neto(s).
Portanto quando e se calhar na Casa 27. Doria Raglandavance 9 casas. (Moral da história: uma mãe faz sempre muita falta, seja em Hollywood, num castelo inglês ou num parto, seja ele onde for, mas talvez seja melhor ficarmos pelo hospital.)

CASA 32. Atividade ou ativismo? Entre as centenas de organizações apoiadas por Isabel II, a rainha afetou a Meghan algumas ligadas às artes, à defesa das mulheres, à educação e ao bem-estar dos animais. Pode então perguntar-se porque estão os patronatos de Meghan neste jogo numa casa que paga multa e não numa casa bónus? Em primeiro lugar porque se teme que o entusiasmo de Meghan a leve a cometer alguns deslizes, ou seja, a confundir atividade com ativismo. E também porque estes patronatos são sempre ambivalentes: ora são os dirigentes das organizações que, afinal, não são tão caritativos quanto se pensava e que abusaram da sua proximidade com a família real para obter vantagens, ora é alguém que discorda da causa em questão e desencadeia uma polémica (nesta matéria ninguém bate o príncipe Carlos que, há anos, enfurece os arquitetos por causa do seu apoio às organizações de defesa da paisagem rural). Valha a verdade que, a médio prazo, o balanço é sempre muito positivo para a família real.
Assim se cair na Casa 32 – ande duas casas para trás e não dê importância ao assunto porque esse recuo tático até vai ser uma vantagem estratégica nas jogadas futuras.

CASA 36. Messy bun. O estilo. Tutoriais na Internet, esquemas gráficos, sequências fotográficas… Tudo isto existe para explicar como se faz aquele cabelo apanhado de Meghan, mais o detalhe daquelas pontas soltas. Na prática não se consegue nada de parecido, mas lá que é fascinante, é.
Se a Máxima fosse uma revista inglesa, teríamos de refletir, neste momento, num tom de quem tem dúvidas sobre se o guarda-roupa de Meghan será mais americano que britânico. Como não é esse o caso, podemos dizer e escrever que felizmente Meghan Markle é absolutamente Costa Oeste na hora de vestir: conjuntos monocromáticos, um forte abuso do preto e do camel, camisas brancas, saias lápis, cintura alta... A única vez que Meghan apareceu mais entrapada que vestida foi exatamente quando procurou fugir a este estilo bem mais americano que britânico. Vá lá saber-se porquê, para o casamento de Celia McCorquodale, filha de Lady Sarah McCorquodale, uma das irmãs da princesa Diana, Meghan enfiou-se dentro de um vestido Oscar de la Renta que cairia como uma luva às jovens aristocráticas inglesas que pululavam no casamento, mas que a ela lhe dava o ar de erro de casting numa filmagem de um episódio de Miss Marple.
Quando calhar na Casa 36. Messy bun – avança 9 casas.

CASA 41. Samantha Grant e Thomas Markle. Os irmãos. Antes de casar com Doria Ragland, Thomas Markle foi casado com Roslyn Loveless de quem teve dois filhos: Samantha Markle (também conhecida como Samantha Grant) e Thomas Markle Jr. Meghan não é certamente a Cinderela, mas os seus meios-irmãos fazem Anastasia e Drizella (assim se chamavam as filhas da madrasta da Cinderela) parecerem umas almas pacatas. Samantha desdobra-se em entrevistas (cobra 1.500 dólares por cada uma) em que retrata a duquesa de Sussex como "oportunista" e "alpinista social". Samantha sofre de esclerose múltipla e a quem se indigna com a sua atitude explica: "Eu trabalhei nos media e na rádio durante a maior parte da minha vida e não ia parar só porque a minha irmã de repente se tornou membro da família real. Vamos ser realistas: todos temos de sobreviver."Thomas Markle Jr. começou por aconselhar o príncipe Harry a não casar com Meghan Markle: "Este é o maior erro da história de um casamento real", avisou numa carta pública. Depois mudou de atitude e resolveu aproximar-se da irmã e do já cunhado, convidando-os para o seu casamento e fazendo ternos votos para que a família se aproxime. Estava este artigo a chegar ao fim e soube-se que Thomas Markle Jr. foi preso no Oregon por conduzir "em estado de embriaguez"… O caso não vai ficar certamente por aqui.
Logo, se cair na Casa 41. Samantha Grant e Thomas Markleande uma casa para trás, tome um chá de camomila e pense na sorte que tem por Samantha Grant e por Thomas Markle não serem da sua família.

CASA 45. Ducado de Sussex. O novo papel. Quando a 19 de maio de 2018 Meghan respondeu "I will" ao arcebispo de Cantuária tornava-se não apenas a mulher de Harry, mas também a duquesa de Sussex, pois Isabel II fizera o príncipe Harry, poucas horas antes, duque de Sussex. Porquê? Não por qualquer razão material porque o único ducado que traz rendimentos associados é o da Cornualha e esse é atribuído ao príncipe herdeiro. Carlos e Camila são, por agora, os duques da Cornualha. Estamos portanto perante uma questão simbólica e nessa matéria o ducado de Sussex, criado em 1801, tem uma história que cada um interpretará como quiser: o primeiro e (até 19 de maio de 2018) único duque de Sussex teve uma atribulada vida sentimental, pois casou duas vezes contra a vontade da família (o pai era o rei Jorge III) e destacou-se pelas suas posições contra a escravatura. Meghan vai ser a primeira mulher a usar o título de duquesa de Sussex, pois Lady Augusta Murray e Lady Cecilia Letitia Buggin, que casaram com o primeiro duque, não o puderam fazer. E como todas as pessoas que chegam pela primeira vez a um cargo, também Meghan há de ter o seu estado de graça. Portanto se cair Casa 45. Ducado de Sussex avança 9 casas.

PRECIPÍCIO 50. O pessoal. Samantha Cohen, Melissa Toubati, Edward Lane Fox... "Assistente de Megahn demitiu-se", "Segunda assistente de Meghan Markle não resiste no cargo", "Meghan Markle perde outra secretária"… Esta sucessão de títulos levou inevitavelmente à pergunta: o que se passa com Meghan Markle? As respostas têm sido variadas: para uns, Meghan tem uma energia americana transbordante que a leva a acordar antes das cinco da manhã para fazer yoga e inunda aqueles que trabalham com ela com mensagens e ordens a todas as horas; e para outros, Meghan é mais estrela que princesa e ainda não percebeu que a vida de princesa na monarquia britânica permite muitos privilégios mas poucos caprichos. O pior é que os ingleses que nem pestanejam quando sabem o custo do guarda-roupa de Meghan (largas centenas de milhares de euros) mostram-se assaz incomodados quando percebem que profissionais de longa data ao serviço da família real, como era o caso de Samantha Cohen, não resistiram mais que uns meses ao lado de Meghan: Samantha Cohen, que chegou a ser secretária da rainha Isabel, foi a pessoa encarregada de assessorar Meghan na sua adaptação ao seu novo papel. Demitiu-se ao fim de pouco mais de um ano. Discretamente, claro.
Já a partida de Melissa Toubati, que teve um papel essencial na organização do casamento de Harry e de Meghan, gerou mais polémica, pois os detalhes do caso acabaram a revelar um Harry cujo lema é: "O que Meghan quiser, Meghan terá." Aos olhos dos ingleses, Meghan pode ter quase tudo, mas entre o que não pode ter conta-se precisamente o direito a ser arrogante. E é esse lado que a demissão de Melissa Toubati veio revelar: uma Meghan autoritária e, pior, um Harry que para lhe agradar se está a tornar petulante (é um mal de família…) com aqueles que o rodeiam. Quanto a Edward Lane Fox, o caso é ainda mais complexo, pois Harry deve-lhe muito: após os escândalos das fotografias de Harry, em Las Vegas, Edward Lane Fox foi a pessoa destacada para ajudar Harry a reabilitar a sua imagem, levando a empenhar-se em missões humanitárias e iniciativas como os Invictus Games. E digamos que foi particularmente bem-sucedido. A partida de Edward Lane Fox deixa Harry mediaticamente muito mais exposto. Por fim, mas provavelmente não por último, soube-se que também apresentou a sua demissão a guarda-costas de Megahn, cujo nome não é revelado por ser agente dos serviços secretos, mas cujo rosto é bem conhecido (trata-se da mulher de cabelo louro e ar sério que surge ao lado de Meghan quando esta, durante a sua viagem à Austrália, teve de ser retirada de um mercado por razões de segurança).
Em resumo, estamos numa zona de alto risco para Meghan: os ingleses não se chocaram com o sexo nas estantes, nem com as histórias dos irmãos desavindos, muito menos com o pai inapresentável, mais o ex-marido que promete passar tudo a filme… mas não toleram as revelações sobre o tratamento menos correto ao pessoal, pois, de certo modo, eles consideram que a família real são também eles funcionários da Firma, expressão que para alguns melhor define a monarquia.
Portanto se caíu no Precipício 50. O pessoal – deite os dados e ande para trás tantas casas quanto os dados indicarem. Reze para não cair em nenhuma das anteriores casas, aquelas que davam direito a uma singela multa porque pode acontecer que aquilo que, até cair no Precipício 50, era visto como um detalhe sem grande importância passe a ser olhado numa perspetiva bem mais negativa.

CASA 54. Michelle Obama. A amiga. "O meu maior conselho para Meghan seria tirar algum tempo e não ter pressa em começar a fazer algo", declarou Michelle Obama numa entrevista. Michelle, que teve de lidar com a pressão associada ao lugar de primeira-dama dos EUA, é sem dúvida alguém que Meghan deve ouvir. Aliás, Michelle Obama foi mais longe no aconselhamento e detalhou: "Penso que Meghan pode aumentar o seu impacto positivo nos outros, assim como a sua própria felicidade se estiver a fazer algo com o qual se identifique." Meghan, princesa, precisa de ouvir os outros e Michelle Obama é claramente uma das pessoas que deve ouvir.
Logo se os dados caírem na Casa 54. Michelle Obamatem um bónus: avança 9 casas.

PRECIPÍCIO 59. Nottingham Cottage. Quem casa quer casa. Já se sabe que Harry e Meghan não querem viver em Nottingham Cottage, o espaço que lhes fora designado nessa espécie de condomínio da família real que é Kensington Palace: lá vivem ou têm residência oficial os duques de Cambridge, a princesa Eugenie e o marido Jack Brooksbank, os duques de Gloucester e Kent e ainda os príncipes de Kent. Mas por mais irritação que tanta realeza por metro quadrado cause a Meghan, a verdade é que Nottingham Cottage será sempre o sítio onde Harry, na véspera do casamento, apanhou as flores de murta e os miosótis, estas últimas as flores favoritas de Diana, com que Philippa Craddock compôs o bouquet de Meghan. É óbvio que não é pecado não querer viver em Nottingham Cottage, mas convém que Meghan não abuse numa atitude que pode ser interpretada como desdém para com os outros membros da família real, nomeadamente para com Kate e William que ali residem.
Tente não cair no Precipício 59. Nottingham Cottage mas se tal acontecer, espere que os outros jogadores passem adiante e depois continue (claro que nós por nós ficávamos encantados por nos convidarem a viver em Nottingham Cottage, mas infelizmente ninguém nos pergunta o que queremos).

CASA 63. Frogmore Cottage. O amor, uma cabana e muitos sapos. Na verdade, a cabana é um palácio setecentista próxima do Castelo de Windsor. Harry e Meghan resolveram viver em Frogmore House e não faltam razões (… e mexericos, mas esses ficaram em Nottingham Cottage) a justificar tal opção: paisagem rural, lagos, pontes, alamedas… e uma casa com espaço para aumentar a família com várias crianças e, quiçá, a mãe de Meghan. Quem para lá não deve ser convidado são os antigos amigos de Harry, como Tom Inskip, pois Meghan tem vindo a afastar todos aqueles que preencheram o passado de Harry. Outra razão para não se receber convite para Frogmore Cottage é o não partilhar a visão política que Meghan tem do mundo e que para abreviar podemos definir como GG (Gauche Givenchy).  Certo é que não vão faltar sapos e rãs – a casa não se chama Frogmore por acaso – e muitas obras justificadas pela vontade de Meghan e de Harry de fazerem de Frogmore Cottage uma casa energeticamente sustentável. Já os que acreditam na influência das energias emanadas pelos locais só têm razões para aplaudir esta escolha: Frogmore Cottage tem sido o local escolhido por vários casais da família real para as respetivas luas de mel.
Se calhar na Casa 63 tem um duplo Prémio Casa – ganha (simbolicamente, claro) Frogmore House e avança 9 casas.

PRECIPÍCIO 68. O divórcio. Conseguirá Meghan construir com Harry a família estável por que ele tanto anseia? Meghan não casou com Harry para ser rica ou famosa, pois já era tudo isso. Lida bem com a pressão dos fotógrafos e jornalistas, uma vez que já a conhecia. Tem portanto condições para se adaptar bem às condicionantes do seu novo papel. Isto se nunca confundir Hollywood com Buckingham Palace.
Nesta fase do jogo não há mas nem meio mas: faça tudo (até um bocadinho de batota) para não cair no Precipício 68. O divórcio caso tal aconteça, saia do jogo com a atitude que deseja que Meghan Markle adote, se o seu casamento com o príncipe Harry um dia chegar ao fim.

CASA 72. Royal Tour. Em outubro de 2018, Meghan e Harry visitaram a Austrália, a Nova Zelândia, as Fiji e o Tonga. Durante 16 dias, eles cumprimentaram milhares de pessoas, tomaram bebidas tradicionais, usaram fatos maori, grinaldas de flores, participaram em cerimónias tribais e de Estado, beijaram, receberam presentes para o bebé, dançaram, passearam à beira-mar, participaram na tosquia de ovelhas… enquanto sorriam e se olhavam apaixonados. Anos na indústria do cinema deram a Meghan treino para estes contactos e a noção de como eles são importantes na gestão da popularidade. Já a Harry – e se excetuarmos a sua vida militar de que gostou particularmente – este lado de "viajante da coroa" foi sempre o papel que desempenhou com mais segurança e alegria. Num sinal de como o casal Harry-Meghan valoriza o seu papel de embaixadores, o véu que Meghan usou no dia do casamento tinha bordadas as flores dos 53 diferentes países da Commonwealth. Em tempos de Brexit e de crise política em que tudo parece estar em causa, esta diplomacia protagonizada pelos jovens casais da realeza britânica é uma mais-valia. Para mais se os jovens casais protagonizarem essas viagens com o ar feliz, apaixonado, atento e empenhado que Meghan e que Harry apresentaram neste seu primeiro Royal Tour.
Se calhou na Casa 72. Royal Tour – tem não uma viagem à Austrália, mas um belo Prémio Casa Bónus: avança 9 casas.

PRECIPÍCIO 77. Kate. Nunca fazer xeque à futura rainha. A notícia que Meghan fez chorar Kate na prova do vestido de Charlotte foi como um balde de água fria na até então boa imprensa que rodeava Meghan. Não se sabe por que razão discutiram Kate e Meghan. Mas é certo que a prova do vestido existiu: Charlotte, a filha dos duques de Cambridge, foi uma das meninas que acompanhou Meghan ao altar, na Capela de São Jorge.
Se cair no Precipício 77. Kate – retire a sua peça e volte ao princípio. Mas não repita a gracinha: não deve fazer Kate chorar outra vez. Dê por onde der, quando em Inglaterra se faz xeque à rainha (ou à futura rainha) perde-se sempre. Pode não ser naquele momento imediato, mas no fim perde-se.

CASA 81. A gravidez. Baby boom. Foi na manhã de 15 de outubro que chegou o comunicado a confirmar o que já se suspeitava: "Suas altezas reais, o duque e a duquesa de Sussex, têm o prazer de anunciar que a duquesa espera um bebé para a primavera de 2019. Suas altezas reais agradecem o apoio que receberam de pessoas de todo o mundo desde o seu casamento, em maio, e estão encantados de poder compartilhar essa feliz notícia com o público." 15 de outubro de 2018 calhou a uma segunda-feira e desde sexta, 12, que a gravidez de Meghan era uma espécie de segredo partilhado por todos. Nesse dia 12 casou a princesa Eugenie, filha do príncipe André, e quando Meghan Markle apareceu com um largo casaco azul-marinho cresciam os rumores sobre o seu estado. O problema não estava no casaco Givenchy, que era bem interessante, mas na silhueta de Meghan que parecia ligeiramente abaulada na frente. Para mais, Kate e Sophia, a quase desconhecida mulher do príncipe André, que parece tornar-se mais elegante com o passar dos anos, usavam vestidos cintados que tornavam a silhueta de Meghan ainda mais redonda. (O de Kate era um espetacular Alexander Mcqueen magenta). Não se sabe se é verdade que Sarah Ferguson, a mãe da noiva e ex-mulher do príncipe André, ficou furiosa com Meghan e com Harry por estes terem comunicado a gravidez da duquesa quando o casamento da sua filha ainda era notícia, mas seja como for não era possível manter secreta por muito mais dias a gravidez de Meghan. Já o que sabemos, mas a que não vamos dar importância alguma, é às irritações das redes sociais que ora se inflamam porque Meghan afagava muito a barriga, ora porque ela não vestia roupa de grávida, ora porque a vestia… Enfim, um cansaço. Logo vamos ao que interessa: Meghan grávida é uma boa notícia.
Portanto se calhou na Casa 81. A gravidez – avança 9 casas.

CASA 86. Destruir os fabulous four. William e Kate. Harry e Meghan. Ser a Yoko Ono destes The Beatles é o destino-Purgatório que Meghan não pode arriscar. A atriz que Meghan foi perceberá tudo o que está em causa e a lógica prevalecerá se vir a série The Crown. Sobretudo aquela cena em que a rainha Maria (sim, essa mesma rainha cuja tiara a rainha Isabel lhe emprestou para que ela usasse no seu casamento) escreve após a morte do filho, o rei Jorge VI. A carta é dirigida à sua neta Isabel, uma jovem mulher a quem a morte precoce do pai tornara rainha. E a rainha Maria que já vira tanto – até o seu filho mais velho abdicar por causa de uma americana divorciada – escreve: "The crown must win. The crown must always win."
Se cair na tentação da Casa 86. Destruir os fabulous four – só resta a Meghan esperar que outro jogador a redima deste Purgatório. Mas é melhor não ter muita esperança.

Casa 90. Glória. Meghan e Harry casaram e foram felizes para sempre (esperemos que sim…).

Artigo originalmente publicado na edição de fevereiro de 2019 da Máxima

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