A pandemia também foi uma constante nesta campanha eleitoral, com o Presidente reeleito agora a sublinhar também o “devotado empenhamento cívico em condições nunca vividas em 46 anos de democracia”.

E além das promessas que fez de unir e estabilizar nos próximo cinco anos, Marcelo também anotou que esta votação que obteve nestas eleições reforça o seu poder. Não o disse diretamente mas ficou claro nas entrelinhas do seu discurso de vitória.

O mandato, nas condições que foi conferido, com uma abstenção elevada, descontando embora o efeito determinante da pandemia, mas também com uma significativa subida de percentagem e de voto absoluto relativamente há cinco anos obriga o Presidente reeleito a reter duas mensagens claras”.

Ante de dizer ao que vem, Marcelo Rebelo de Sousa vincou que a abstenção foi “elevada”, mas que há que descontar que o país está em plena pandemia e confinamento geral, o que desmobilizou votantes. E que ele teve desta vez mais votos do que aqueles que somou há cinco anos. Assim, é precioso “ter noção” que ao “reforçarem o seu voto” nele, os portugueses sinalizaram que “querem mais e melhor em proximidade, em convergência, estabilidade, construção de pontes, justiça social e de modo mais urgente em gestão da pandemia. Entendi esse sinal e dele retirarei as devidas ilações”.

Nesta frase, Marcelo sintetiza as áreas onde sai desta votação necessariamente com mais poder de influência, com destaque para a referência que fez — até pela situação política delicada para o Governo que está no olho do furacão desta pandemia — à gestão da pandemia e à influência que quer ter na “construção de pontes”. Isto numa altura em que também o Governo enfrenta uma situação mais delicada do que alguma vez enfrentou em termos de estabilidade política, já que pela primeira vez o Bloco de Esquerda (o parceiro à esquerda com mais deputados) votou contra um Orçamento do Estado.

Além disso, Marcelo considera que tem também mais força para “insistir” junto da Assembleia da República para que sejam revistas as leis que bloqueiam o voto postal por correspondência, “objeções que tanto penalizaram os votantes” nestas eleições, em particular os emigrantes.

Há ainda uma resposta mais importante que o voto deu à pergunta sobre o que não querem e querem para Portugal. Não querem uma pandemia infidável, uma crise económica sem termo à vista, um empobrecimento agravado, um recuo na comparação com outras sociedades, um sistema político lento a perceber a mudança, uma radicalização e um extremismo nas pessoas, atitudes, na vida social e política”

Uma frase, dois destinatários. O primeiro é o Governo, a quem Marcelo pede aqui muito claramente que tenha uma “pandemia dominada o mais rápido possível”, bem como a “recuperação de emprego, de investimento, de exportações e do mercado interno”. Além de pedir também que os fundos europeus pelos quais o país espera “sejam bem geridos em transparência e eficácia” e que a “reconstrução vá além da mera recuperação”. Quer atenção não só ao clima, ambiente, na energia, no digital, mas também nas demais: economia, justiça, na luta contra a corrupção, na reforma do Estado e da Defesa e na segurança”. Extenso caderno de encargos para o primeiro-ministro.

E diz mais, ao deixar uma data para ver os frutos desta recuperação: os 50 anos do 25 de abril, em 2024. “Dentro de três anos estaremos no meio século do 25 de Abril e é inconcebível que não se possa dizer então que somos não só muito mais livres, mas muito mais desenvolvidos, iguais, justos e solidários do que no início da caminhada”. “Temos de partir o quanto antes para atingir a meta a tempo de não deixar esmorecer a esperança”, determinou.