Portugal

Medina quebra silêncio do PS: comportamento de Sócrates "corrói o funcionamento da nossa vida democrática"

Os dirigentes socialistas têm estado num silêncio sepulcral sobre José Sócrates e sobre a decisão do juiz de instrução Ivo Rosa de levar o ex-primeiro-ministro a julgamento por seis crimes cometidos enquando primeiro-ministro. Fernando Medina quebrou a regra do núcleo duro socialista para apontar baterias ao comportamento de José Sócrates. Para Fernando Medina, a justiça ainda avaliará se Sócrates é ou não culpado, contudo, do ponto de vista "ético e moral" há um "facto da maior gravidade e singularidade" que é o de "pela primeira vez na nossa história conhecida teremos em julgamento por um crime no exercício de funções um ex-primeiro-ministro", disse no seu espaço de comentário na TVI24.

"Alguém que exerce funções de primeiro-ministro, como outro eleito, tem uma suprema responsabilidade, a responsabilidade dos milhões das pessoas que votaram e dos milhares que o apoiaram diretamente. [A confiança] é colocada em causa quando se vê uma decisão do tribunal desta natureza", defendeu.

Fernando Medina, que foi secretário de estado nos governos de José Sócrates e na fase final do socratismo no PS foi porta-voz do partido, não tem dúvidas que "independentemente da natureza mais ou menos extensa do crime, sabemos que é um crime em exercício de funções com uma moldura penal" grave.

O facto de tal ter sido cometido no exercício de funções é o "facto mais importante e o facto fundador de um profundo sentimento de desconfiança na sociedade portuguesa e descrença na relação entre eleitores e eleitos".

Foi nesta tónica que Medina foi referindo no seu comentário as consequências do comportamento de José Sócrates enquanto político. Um dos pontos salientados, porque graves, disse Medina, foi o facto de um primeiro-ministro ter "recebido avultadas quantias financeiras que, ao contrário do que era dito, não resultavam de fortuna e herança familiar, sem qualquer justificação aparente que o próprio não dá e entendeu não dar". O facto de José Sócrates nunca justificar a existência do dinheiro "é algo que marca de forma profundamente negativa o sentimento de bem-estar e confiança na sociedade portuguesa", insistiu.

É este comportamento "que não foi negado" que "corrói o funcionamento da nossa vida democrática".

Fernando Medina preferiu falar das questões mais políticas, mas não deixou de referir que a justiça tem de pensar no seu funcionamento porque este caso, disse, "é todo um manual do que está profundamente errado no sistema de justiça".

A ordem no PS tem sido a de silêncio em relação ao caso. Aliás, a líder parlamentar socialista, Ana Catarina Mendes, sugeriu "recato" aos partidos sobre este tema no programa "Circulatura do Quadrado". "Que não se politizem as coisas. Deve a Justiça funcionar, não deve ser pressionada por ninguém, nem nenhum partido político. Acho perigoso que os partidos possam fazer os julgamentos em vez da Justiça", e mais não disse.

De resto, os socialistas têm seguido o mote deixado por António Costa de não dizer absolutamente nada sobre a Operação Marquês. Ainda a semana passada o fez, por duas vezes.

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