Millennials. Somos a geração mais educada de sempre. Temos o maior nível de escolaridade, acesso a boas universidades e imensa facilidade de recursos. Somos a geração que emigra sem medos, que vai trabalhar para fora, que faz voluntariado, que não discrimina. A geração perita em redes sociais, que faz cursos online, que se adapta à nova realidade e que tem sempre uma perspetiva positiva em relação a tudo. Aparentemente não chega.

Quando concluímos os estudos (e poucos são os que não têm também um mestrado), o mercado de trabalho não nos recebe da melhor forma. Vamos motivados para uma nova etapa e somos confrontados com: “Contratamos pessoas com espírito jovem, dinâmicos, recém licenciados com pelo menos 5 anos de experiência na área”. É certo que a experiência é uma mais-valia, que é importante e que é diferenciadora no processo de seleção, mas não deveria ser decisiva. Precisamos que nos deem oportunidades, que nos deixem mostrar o que andámos a aprender durante tanto tempo e que nos deixem provar que a experiência é um bónus, não um fator de decisão.

Temos espírito de entreajuda, estudamos línguas, fazemos estágios não remunerados e para quê? Se tudo isto não conta como experiência, mas como meia dúzia de linhas no CV. É difícil arranjar trabalho nos dias que correm e quando, por milagre, conseguimos, o que acontece? Ficamos reféns. Reféns da necessidade constante de agradar, surpreender, de nos destacarmos dos demais.

Criou-se um espírito de trabalho em milhares de empresas com jovens empreendedores, onde quem sai mais cedo é mal visto, onde quem faz pausas não é competente, onde quem não quer trabalhar ao fim-de-semana é olhado de lado e onde se fazem horas extraordinárias não recompensadas para ficar bem aos olhos dos superiores. Os millennials são a geração de multitasking, onde o empenho no trabalho e a diversão pós-18 horas da tarde são conciliáveis. Para nós, abdicar ou comprometer uma destas partes não é uma possibilidade, mas está a acontecer. Fica mal dizer ao chefe que estamos cansados quando estamos a trabalhar às nove da noite, fica mal sairmos do escritório a horas, mesmo que já tenhamos o trabalho terminado, fica mal dizermos que não queremos trabalhar ao fim-de-semana. Mas porquê? A produtividade no trabalho aumenta se as horas de descanso forem respeitadas. Ninguém é capaz de trabalhar oito horas por dia se dormiu cinco, ou se esteve a trabalhar ao sábado e ao domingo.

Mas há esperança. Nem todos os empreendedores pensam assim. Áreas de tecnologia, programação, multinacionais têm uma visão diferente, criaram um movimento contrário até. Talvez por influência de empresas internacionais, talvez por uma forma diferente de pensar. Será que nós, millennials, estamos todos destinados a trabalhar em áreas high-tech para termos um equilíbrio work/life? Ou é desta que Portugal fica sem população jovem, uma vez que todos emigram em busca de novas oportunidades?