Portugal

Morreu Tozé Martinho, um dos primeiros galãs da telenovela portuguesa

O actor e argumentista Tozé Martinho, um dos primeiros galãs da história da telenovela portuguesa, morreu este domingo no Hospital de Cascais, aos 72 anos, noticiou a Agência Lusa, citando fonte da da família. O actor, que em 2018 já tinha sofrido um acidente vascular cerebral do qual nunca chegou a recuperar totalmente, não resistiu a uma paragem cardiorrespiratória. 

Filho da actriz Maria Teresa Guerra Bastos Gonçalves, popularmente conhecida como Tareka (foi de resto com ela que fez a sua primeira aparição na televisão, em 1977, no concurso A Visita da Cornélia), a sua história confunde-se com a da ficção televisiva nacional: foi um dos protagonistas da primeira telenovela produzida em Portugal, Vila Faia (1982). Ao longo da sua carreira participou em inúmeras séries, primeiro na RTP e mais recentemente na TVI, que este domingo o recordou como “uma das maiores figuras da cultura popular” do país. “Pioneiro da indústria das novelas portuguesas, a sua longa carreira inspirou os guionistas nacionais abrindo portas para uma actividade que hoje mobiliza centenas de pessoas”, acrescenta aquela estação em comunicado.

Educado para seguir Medicina, como todos os homens da família, António José Bastos de Oliveira Martinho chegou a estudar Medicina Veterinária ("No primeiro dia em que tive de cortar as orelhas a um cão, despi a bata e entreguei-a ao professor”, contou em 2014 à revista Flash) e, depois, Economia. Mas foi o curso de Direito que levou até ao fim (apesar de uma interrupção para combater na Guerra Colonial), tendo ingressado na vida profissional como advogado, actividade que durante anos acumulou com a sua carreira televisiva. 

Origens (1983), Palavras Cruzadas (1987), Passerelle (1988) e Ribeira Brava (1995) foram algumas das telenovelas que o popularizaram no imaginário português, juntamente com séries como Gente Fina é Outra Coisa (1982), A Mala de Cartão (1988), Os Homens da Segurança (1988), em que contracenava com Nicolau Breyner, Verão Quente (1993) ou Major Alvega (1999). Na TVI, estreou-se na série Todo o Tempo do Mundo (1999), e teve ainda papéis nas telenovelas Olhos de Água (2001), Amanhecer (2002) ou Louco Amor (2012). “Todas, sem excepção”, nota agora a TVI, “foram enormes êxitos de audiência”.

Mas o papel de Tozé Martinho na história da televisão portuguesa não se resume aos sucessivos papéis que foi assumindo, umas vezes como galã, outras como mau da fita. O actor, irmão da escritora Ana Maria Magalhães, acabaria também por aventurar-se na escrita de argumento. Na já citada entrevista à revista Flash, dizia-se aliás incapaz de escolher entre as missões de actor e de argumentista: “Isso é como perguntar a um pai de que filho gosta mais [risos]. Aquilo que eu gosto mesmo é de representar coisas escritas por mim.” Não lhe faltaram oportunidades. 

A novela Roseira Brava, passada no universo das grandes herdades do Ribatejo que tão bem conhecia (após a morte do pai, a mãe voltou a casar-se e a família mudou-se para Salvaterra de Magos), foi a sua primeira experiência enquanto argumentista. Mas também escreveu, ainda para a RTP, Vidas de Sal (1996), A Grande Aposta (1997), e depois, já para a TVI, Todo o Tempo do Mundo, Olhos de Água, Amanhecer, Dei-te Quase Tudo (2005), A Outra (2007), Sentimentos (2009) e Louco Amor.