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Portugal

Mulher nega que matou homem e pôs corpo em mala em depoimento considerado "incongruente" pelo tribunal

A mulher acusada de em 2015 matar um homem e deixar o corpo numa mala de viagem, com a ajuda de um terceiro, num descampado em Loures, negou esta terça-feira o crime num depoimento marcado por "incongruências", segundo o tribunal.

A acusação do Ministério Público (MP), a que a agência Lusa teve acesso, refere que a arguida, com 63 anos, tinha um companheiro, mas mantinha uma "relação amorosa" com a vítima, a qual terá matado (através de asfixia) com a ajuda de um terceiro, não identificado durante a investigação, para ocultar a relação extraconjugal e para ficar com um cartão de multibanco.

Na primeira sessão de julgamento, no Tribunal de Loures (distrito de Lisboa), a arguida negou qualquer envolvimento no crime, revelando que foi a vítima, José Lavos, quem lhe deu o cartão multibanco, num envelope, com o código e mais 300 euros em dinheiro.

Lídia Prilutcaia começou por explicar que a vítima lhe disse para usar o dinheiro quando precisasse, pois tinha ficado queimada num acidente de trabalho, mas, após confrontada pela juíza presidente com o facto de "sangrar [esvaziar] a conta bancária, em três, quatro levantamentos", respondeu que José Lavos lhe deu indicações para levantar "o dinheiro todo".

A arguida justificou os gastos (760 euros) com despesas de táxi e de alimentação, levando a juíza presidente a referir que as suas respostas "eram incongruentes e não esclarecedoras", e a recordar que estava de baixa médica e recebia dinheiro.

Outros dos pontos mais debatidos foram as razões pelas quais a arguida não avisou nem amigos nem a polícia do facto de José Lavos, que lhe telefonava diariamente, deixar de o fazer, durante uma semana, até um familiar deste dar o alerta.

"[A arguida] continua a ir buscar o dinheirinho todo que ele tem. Não liga a um amigo, não vai à casa dele. Seria normal preocupar-se e comunicar à polícia, pois era uma pessoa amiga que até a ajudava. Não consigo compreender que esta senhora, apercebendo-se de que algo estranho se estava a passar, pois recebia telefonemas todos os dias e deixou de os receber, não telefonou para amigos, não ligou para a polícia a comunicar o desaparecimento", referiu a presidente do coletivo.

Inicialmente, a arguida respondeu que não fez nada, questionando "o que é que podia fazer" para comunicar o desaparecimento. Após insistência do tribunal, a mulher acrescentou que queria ocultar o relacionamento extraconjugal que mantinha e depois disse que ficou "à espera".

"Estava à espera. E esperava até quando? Até ao final dos tempos?", questionou a juíza presidente Ana Clara Baptista.

A arguida conheceu José Lavos em 2012, mas declarou que só em 09 de maio de 2015, dia do seu aniversário, se envolveu sexualmente com a vítima, "a única vez", classificando a relação como de amizade.

O julgamento está a cargo do mesmo coletivo de juízes do processo do homicídio do triatleta Luís Grilo, presidido por Ana Clara Baptista, e tem também o mesmo procurador do Ministério Público (MP), Raul Farias.

A mulher, que se encontra em liberdade com termo de identidade e residência, está acusada de quatro crimes: homicídio qualificado, profanação de cadáver (estes em coautoria), burla informática e furto.

A acusação do MP refere que, "em conjugação de esforços e na execução de plano comum, em local e data não concretamente apurados, mas compreendida entre 10 e 28 de agosto de 2015", a arguida e o cúmplice "desferiram pancadas em diversas partes do corpo" e asfixiaram a vítima até à morte.

De seguida, acrescenta a acusação, a arguida e a pessoa que a auxiliou "colocaram o corpo de José Lavos dentro de uma mala de viagem -- mala preta -- e abandonaram-na num local descampado na Rua Principal Estrada de Carcavelos, Fontanelas", na freguesia de Lousa, concelho de Loures, "dentro de um buraco de formações rochosas, colocando-lhe pedras em cima com o intuito de tornar mais difícil a sua descoberta".

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