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Portugal

Paulo M. não é sem-abrigo de Natal mas de todas as estações do ano

“O que estão a ver é a minha realidade. Um gajo de 47 anos que não cabe no sistema.” Paulo M. pronuncia a frase, como epílogo daquilo que procurava explicar há horas, e, de repente, já não precisa de dizer mais. Na escuridão da casa, chamando casa ao que não o é, a luz tímida de uma lanterna deixa aparecer os seus olhos quase em estado líquido. Por breves minutos, a revolta desarma e a tristeza transparece. Entre paredes de pedra e piso de madeira apodrecida, faz frio. Por dentro e por fora. No quarto, chamando quarto ao que não o é, há cartão no chão, um colchão finíssimo, édredon e saco-cama. Meia dúzia de peças de roupa, cigarros, garrafas vazias, toalhetes. Nada mais. Paulo M. dorme ali. Num edifício devoluto para escapar ao céu como tecto. Carimbado por um pretérito de dor, sobrevivendo, dia após dia, sem conhecer a palavra “sonhos”.

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