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Secretário da cultura de Bolsonaro plagia e replica discurso de ministro de Hitler

Numa atitude considerada pela área cultural como uma nova provocação do governo Bolsonaro e uma exibição de radicalismo e intolerância, o secretário nacional brasileiro da Cultura, Roberto Alvim, repetiu como seu um discurso célebre proferido durante o regime nazi pelo ministro da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels. Alvim, considerado um radical de extrema-direita, foi nomeado por Bolsonaro para combater o que o presidente brasileiro chama de viés esquerdista da Cultura no Brasil.

No seu discurso, publicado em vídeo na página oficial da Secretaria Especial da Cultura e que pretendia anunciar um novo programa de incentivo à Cultura, Roberto Alvim afirma que "a arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações do nosso povo, ou então não será nada." No discurso que serviu de base ao brasileiro, Joseph Goebbels tinha afirmado no auge do nazismo que "a arte alemã da próxima década será heróica, será férreamente romântica, será objectiva e livre de sentimentalismo, será nacional e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada."

Perante a vaga de indignação provocada pelo uso do discurso de um dos mais célebres nomes do nazismo pelo secretário brasileiro, Alvim defendeu-se esta sexta-feira, atribuindo mais uma vez a esquerdistas as críticas de que é alvo. E argumentou que há no seu discurso apenas uma mera coincidência de uma única frase em relação ao discurso de Goebbels, o que não é verdade.

Ao assumir a presidência brasileira, há um ano, Jair Bolsonaro decidiu acabar com a pasta da Cultura, que, segundo o mesmo, só serve para divulgar ideias marxistas e afrontar o que ele chama de valores tradicionais da família brasileira. Após uma chuva de protestos, cedeu parcialmente e acabou por transformar o Ministério da Cultura em secretaria, mas colocou nos postos chaves pessoas ligadas aos movimentos evangélicos e de direita mais radicais.

Ao longo de 2019, o governo de Bolsonaro retirou financiamentos a filmes, peças e outras expressões culturais que expressavam pensamento livre e democrático, reduziu drasticamente o apoio à producção de cinema brasileiro, que vinha num processo de franco crescimento mas foi considerado imoral e esquerdizante. A intolerância chegou ao ponto de o próprio Jair Bolsonaro, sem qualquer assomo de constrangimento, intervir pública e pessoalmente e mandar retirar do ar propaganda de bancos públicos que estavam a ser exibidas na televisão e que exaltavam a diversidade dos brasileiros e tinham entre os participantes actores negros ou gays.