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Sudão "não cedeu a chantagem" dos EUA para normalizar relações com Israel

"Não houve uma chantagem para a normalização", disse Abdel Fattah al-Burhan numa entrevista à televisão nacional sudanesa, a SudanTV, sobre a normalização das relações entre o seu país e Israel, anunciada na sexta-feira, pouco depois de o Presidente norte-americano ter assinado uma ordem para retirar o Sudão da lista de Estados que patrocinam o terrorismo.

Para o chefe do mais alto órgão estatal sudanês, que governa o processo de transição política do país, não se trata de chantagem por parte de Washington porque a normalização das relações com Israel trará "ganhos" em termos de cooperação e desenvolvimento para o Sudão.

"Estamos isolados e sofremos com as sanções. A retirada do nosso [país] da lista (...) permitir-nos-á regressar à comunidade internacional. Vamos beneficiar economicamente", acrescentou o líder sudanês, referindo-se em particular à cooperação com os Estados Unidos e Israel.

Nesse sentido, o líder do Conselho Soberano apontou que deverão ser fechados acordos bilaterais nas áreas da tecnologia, imigração, agricultura e defesa.

"Como militares, temos os nossos aviões avariados. Estamos privados de tecnologia agrícola, mesmo de veículos normais. Fomos bloqueados, asfixiados", justificou.

Al-Burhan reconheceu, no entanto, que a retirada da lista negra do terrorismo e a normalização das relações entre Cartum e Jerusalém estão relacionadas.

"Quando falamos de se levantarem as sanções ao Sudão não podemos falar de forma independente da normalização (...) há uma ligação, o mundo sabe que as duas questões estão ligadas", sublinhou.

Al-Burhan acrescentou que antes de se alcançar um acordo com Israel houve uma consulta junto da "maioria das forças políticas", sendo que "90% das quais não mostraram qualquer rejeição".

"Temos de pôr fim à nossa inimizade com todos para sermos aceites pela comunidade internacional. Há interesses comuns, e o nosso objetivo é tirar o sofrimento ao povo sudanês", disse o presidente do Conselho Soberano.

Ainda assim, esta aproximação entre Sudão e Israel não foi bem recebida, com a maioria dos sudaneses a responsabilizarem as autoridades por uma traição à "causa pan-árabe" e aos palestinianos.

"Todos queremos um Estado palestiniano dentro das fronteiras de 1967 (...) mas não queremos colocar a responsabilidade apenas sobre o povo sudanês", disse Burhan.

Esta normalização das relações políticas foi também contestada pelas duas principais forças palestinianas, Hamas (Faixa de Gaza) e Fatah (Cisjordânia), que a condenaram e rejeitaram.

Para o Hamas, o acordo constitui um "pecado político" que prejudica tanto os palestinianos como os sudaneses, reagiu o movimento islâmico da Palestina, Hamas.

Por seu lado, num comunicado, a Presidência palestiniana, com sede na Cisjordânia e liderada por Mahmoud Abbas, "condena e rejeita" o acordo entre dois antigos opositores.

Para sair da lista negra, o Sudão teve de pagar cerca de 300 milhões de euros, depois de ter sido considerado, pela justiça norte-americana, cúmplice da Al-Qaida em três ataques contra edifícios dos EUA durante o regime de Omar al-Bashir, que foi afastado em 2019.

Com a saída desta lista, o país africano terá acesso a crédito por parte de organismos multilaterais, tendo já firmado um acordo com o Banco Mundial no valor de 370 milhões de dólares (312 milhões de euros).

Com a queda do regime de Omar al-Bashir, em abril de 2019, os palestinianos, sobretudo o Hamas, perderam um dos principais apoiantes da causa pela independência.

Na altura, Israel acusava o Sudão de permitir o trânsito de armas no seu território, aí chegadas de barco provenientes do Irão, para, depois, serem encaminhadas, para a Faixa de Gaza, enclave palestiniano controlado pelo Hamas.

O Sudão tornou-se o terceiro país árabe a anunciar desde agosto a normalização das relações com Israel, após os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein.

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