Donald Trump deu novos detalhes do ataque aéreo que vitimou o general Qassem Soleimani num evento de angariação de fundos na última sexta-feira. A conversa, registada em ficheiros áudio obtidos pelo The Washignton Post e pela CNN, foi feita em privado com doadores republicanos em Mar-a-Lago, a Casa Branca de inverno. As eleições presidenciais norte-americanas estão marcadas para novembro de 2020, nas quais Trump já garantiu presença.

No relato “dramático”, Trump explicou a motivação por detrás dos ataques e recordou que ouviu um militar anónimo a fazer a contagem decrescente para o bombardeamento de 3 de janeiro. O The Washington Post dá conta que neste relato o presidente não referiu qualquer “ataque iminente” contra os Estados Unidos ou ameaças a quatro embaixadas norte-americanas, como antes justificado.

Em conversa, Trump referiu ainda que Soleimani era responsável “por todos os jovens homens e mulheres que se veem a andar sem pernas ou braços”, comentando ainda que tinha ouvido há duas semanas que os EUA estavam a vigiar o general que, por sua vez, andava “a falar mal” dos EUA — facto que terá contribuído para a ordenação do ataque que, citado pela CNN, tratou de “dois pelo preço de um”.

Ele estava a dizer coisas más sobre o nosso país, que nós íamos atacar e matar pessoas. Eu disse ‘Oiçam, quanto mais desta merda temos de ouvir, certo?’.” Neste momento, o presidente é aplaudido pela multidão de doadores de campanha.

De seguida, Trump descreveu aqueles que foram os últimos minutos do general, que morreu a 3 de janeiro na sequência do ataque a mando de ordem presidencial. O presidente americano assistiu a tudo através da Sala de Crise da Casa Branca e ouviu o relato de um militar não identificado:

‘Senhor, eles têm dois minutos e 11 segundos.’ Sem emoção. ‘Dois minutos e 11 segundos para viver, senhor. Eles estão no carro, eles estão num veículo blindado, senhor. Senhor, eles têm aproximadamente um minuto para viver, senhor. Trinta segundos. 10, 9, 8….’ De repente, boom!”

No mesmo ataque morreu também o “número dois” da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi].

Qassem Soleimani e Abu Mehdi al-Muhandis morreram quando a comitiva de carros onde seguiam, à saída do aeroporto de Bagdad, foi atingida por mísseis disparados por um drone norte-americano. O corpo de Soleimani ficou “despedaçado” na sequência do ataque e foi identificado pelo anel que costumava usar.