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Desaparecimento de ministro pode “paralisar” o sistema chinês

As perguntas sobre o destino do antigo ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Qin Gang, continuam sem resposta, depois de o Governo chinês o ter substituído abruptamente pelo seu antecessor, Wang Yi, a 25 de julho.

Os analistas afirmam que a natureza opaca do seu afastamento reduzirá a confiança global na China e aumentará as incertezas que poderão eventualmente paralisar o sistema de governação chinês. “O sistema da China está comprometido”, disse à VOA Alfred Wu, especialista em política chinesa da Universidade Nacional de Singapura, ou NUS.

“Quando os controlos e equilíbrios do sistema desaparecerem, a China passará a depender inteiramente da decisão de uma pessoa e poderá haver muitas ‘surpresas’ que acabarão por abalar o sistema”.

Na sequência do seu afastamento abrupto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros apagou inicialmente todas as informações relacionadas com Qin do seu site oficial, mas na sexta-feira de manhã, hora local, reapareceram alguns dos registos das suas reuniões.

Segundo os analistas, este facto reflecte a falta de coordenação entre os diferentes departamentos governamentais e sugere também que os principais dirigentes chineses continuam a considerar o caso de Qin problemático.

“Não sabem como lidar adequadamente com o afastamento de Qin e isso mostra que o seu caso continua por resolver”, disse Alfred Wu da NUS.

O diplomata de carreira, de 57 anos, era originalmente um dos assessores de maior confiança do líder chinês Xi Jinping, mas desde que desapareceu da vista do público depois de se ter reunido com homólogos do Vietname e do Sri Lanka, a 25 de junho, o mundo exterior tem procurado pistas que possam explicar a misteriosa queda de uma estrela em ascensão no Partido Comunista Chinês.

Depois de ter inicialmente atribuído o seu desaparecimento a “problemas de saúde”, o Governo chinês recusou-se a comentar o caso nos últimos dias.

A falta de explicações desencadeou especulações sem fundamento na Internet e no estrangeiro.

Durante a conferência de imprensa regular do Ministério dos Negócios Estrangeiros em 26 de julho, Mao Ning, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, evitou uma série de perguntas relacionadas com Qin e o seu afastamento.

A porta-voz remeteu repetidamente os jornalistas para a breve declaração emitida pelo órgão máximo de decisão do parlamento chinês ou para um relatório publicado pela agência noticiosa estatal Xinhua.