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Ensino Superior em Angola: Estudantes dizem não valer lutar por uma vaga que é desvalorizada desta forma

Professores do ensino superior em Angola encontram-se em greve há mais de 40 dias para exigir o cumprimento do memorando de entendimento assinado em Novembro de 2021 entre o Governo e o Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Superior, mas o impasse continua

Os professores do ensino superior em Angola encontram-se em greve há mais de 40 dias para exigir o cumprimento do memorando de entendimento assinado em Novembro de 2021 entre o Governo e o Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Superior (SINPES), que prevê, por exemplo, um salário equivalente a 2.000 dólares para o professor assistente estagiário e de 5.000 dólares para o professor catedrático.

Os docentes também reclamam pela conclusão do pagamento da dívida para com cerca de três mil funcionários do ensino superior, entre docentes e administrativos, que até 2018 estava avaliada em 2,3 mil milhões de kwanzas (3,5 milhões de dólares).

O Ministério do Ensino Superior refere que o memorando de entendimento “estabeleceu prazos para se concluir as acções que estavam em curso” e observa que a declaração da greve do SINPES “prejudica a concretização do calendário académico”.

As vítimas deste “braço-de-ferro” são centenas de estudantes inscritos nas instituições do Ensino Superior Público, que no ano passado já ficaram cerca de cinco meses sem aulas por conta da paralisação levada a cabo pelos professores.

Os estudantes ouvidos nesta quarta-feira, 19, pela Voz da América queixam-se do prolongado tempo da greve e pedem uma solução.

Adélia Alberto, estudante da Universidade António Agostinho Neto, entende que a longa greve dos professores do ensino superior acarreta danos mentais à classe estudantil.

“Eu tenho colegas que saíram das províncias e vieram para Luanda, para entrar numa universidade pública, há pessoas que não têm condições para pagar uma universidade particular como eu e sentem-se encurralados porque não têm outra forma de se formar, e a formação neste país tem sido muito importante, pelo menos eu acho assim, e essas paragens prejudicam muito”, lamenta Alberto.

Para Waldimira Macedo, os estudantes estão atrasados com matérias bem como a preparação para os exames.

“Nas outras greves a gente estava muito atrasada e a gente teve que correr com as coisas e muitos dos meus colegas e eu saímos prejudicados em relação às notas”, diz Macedo que antevê semelhante cenário neste ano.

Outra estudante, Evalina Luanda, diz que com a greve os objectivos de vida ficam completamente adiados.

“Acaba sendo um atraso, nós quando entramos aqui tínhamos um plano, que em quatro anos terminaríamos, a princípio já foi a Covid-19 que nos atrasou e muito, agora com essa greve acaba condicionando também o desempenho”, conclui Luanda.

A greve que iniciou a 27 de Fevereiro e é por tempo indeterminado continua num impasse, com as duas partes sem sentar à mesa de negociações há várias semanas.